OPERAÇÃO PRATOOVNIs, luzes vampiras e morte de coronel: o mistério que marcou o Pará há 50 anos Missão militar reuniu relatos sobre luzes e supostos ataques; em 1997, seu comandante falou à revista UFO sobre os avistamentos e a documentação
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Relatos de luzes no céu e de supostos ataques a moradores levaram a Força Aérea Brasileira (FAB) a investigar a região costeira do Pará em 1977. À frente da Operação Prato, o então capitão Uyrangê de Hollanda Lima comandou uma equipe que também alegou ter avistado um objeto voador não identificado. Quase cinco décadas depois, o caso ainda desperta interesse entre ufólogos brasileiros.
Colares, no nordeste paraense, tornou-se uma das referências dessa história. No entanto, os relatos também partiram de moradores de Mosqueiro e Ananindeua. As descrições de “raios luminosos” e dos episódios conhecidos como “chupa-chupa” ou “luz vampira” alimentaram as dúvidas sobre o que acontecia na região.
O que a Operação Prato investigou
A missão começou sob o comando de Hollanda em setembro de 1977. Na época, ele comandava o Para-Sar, esquadrão de elite da FAB especializado em busca e salvamento. A investigação militar se concentrou nos relatos de avistamentos de OVNIs e de supostos ataques associados às luzes.
Entre os episódios narrados pelos investigadores estava a passagem de um objeto de grandes dimensões sobre o rio Guajará-Mirim. Hollanda e sua equipe afirmaram que ele tinha formato semelhante ao de uma bola de futebol americano. A história da operação também envolve relatos de supostas criaturas extraterrestres.
Ao longo de quatro meses, os militares teriam reunido mais de 500 fotografias, 16 horas de filmagens e um relatório de 2 mil páginas. Os registros em vídeo utilizariam os formatos Super-8 e Super-16. Esse material permanece entre os principais pontos de interesse dos pesquisadores que acompanham o caso.
A entrevista concedida em 1997
Duas décadas após a missão, Hollanda procurou o jornalista e ufólogo Ademar José Gevaerd, da revista UFO. O contato ocorreu em agosto de 1997, com o objetivo de marcar uma entrevista sobre os acontecimentos no Pará.
Na conversa, o militar apresentou detalhes dos avistamentos que afirmou ter presenciado. Além disso, manifestou medo de sofrer uma abdução e confirmou, em seu relato, a existência de uma ampla documentação sobre a Operação Prato.
Dois meses depois da entrevista, Hollanda, então coronel, morreu. A causa da morte foi registrada como suicídio. A proximidade entre os acontecimentos alimentou especulações sobre conspiração e queima de arquivo. Gevaerd, porém, rejeitou essas hipóteses e afirmou que o militar já havia tentado o suicídio anteriormente.
Documentação e dúvidas sobre o caso
A Aeronáutica afirmou que disponibilizou todas as informações sobre a operação. Ainda assim, a divulgação não encerrou os questionamentos em torno dos episódios investigados no Pará.
Os depoimentos sobre luzes e supostos ataques continuam a provocar fascínio e temor entre interessados no tema. Quase cinco décadas após a missão, ufólogos de diferentes partes do Brasil ainda se dedicam aos relatos e ao material associado à Operação Prato.
Em 2025, a Operação Prato foi tema de um dos episódios da série Contato Extraterrestre, do canal History Brasil. Na série, o episódio é apontado como “o maior ataque de OVNIs no Brasil”.
Repórter
Jornalista profissional e repórter do Diário do Pará desde 2011, com 15 anos de experiência em jornalismo impresso. Atua principalmente na cobertura de meio ambiente, divulgação científica, história e patrimônio. Possui MBA em Jornalismo Digital e pós-graduação em Sustentabilidade e Responsabilidade Social. Atuou na cobertura internacional das conferências do clima da ONU: COP28 (Dubai, 2023), COP29 (Baku, 2024) e COP30 (Belém, 2025).
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