Diário do Pará
31/10/2026 14:30

EconomiaTurismo brasileiro bate recorde; Pará enfrenta desafios para ampliar participação O turismo brasileiro atingiu faturamento recorde de R$ 192,9 bilhões até agosto de 2026. Apesar do cenário nacional positivo, o Pará enfrenta desafios para ampliar sua participação e reverter as oscilações no setor, segundo levantamento da FecomercioSP.

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Veja o resumo da notícia

  • Turismo brasileiro fatura R$ 192,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, com alta de 3,4% em relação a 2025.
  • O Pará registra oscilações e retração de 4% em junho, contrastando com o crescimento de outros estados do Norte.
  • A melhoria do desempenho paraense depende de fatores como conectividade aérea, infraestrutura e divulgação.
  • Belém e o interior do Pará possuem grande potencial turístico, com atrativos históricos, culturais e naturais.
  • O encarecimento do transporte aéreo é um obstáculo, com aumento de 14,5% na tarifa média em agosto.
  • Serviços de alimentação lideram a expansão do setor em agosto, com crescimento de 7,5% e R$ 3,9 bilhões.
  • São Paulo concentra 42% do faturamento nacional, enquanto Pará busca fortalecer sua posição no mercado.
Belém e os destinos turísticos do Pará reúnem atrações históricas, culturais e naturais que podem impulsionar a economia e ampliar a participação estadual no faturamento nacional.
Belém e os destinos turísticos do Pará reúnem atrações históricas, culturais e naturais que podem impulsionar a economia e ampliar a participação estadual no faturamento nacional.

O turismo brasileiro alcançou faturamento recorde de R$ 192,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do desempenho histórico, o Pará enfrenta o desafio de ampliar sua participação nas receitas nacionais, especialmente diante das oscilações registradas no setor ao longo do ano. Os dados fazem parte de levantamento divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), elaborado com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Somente em agosto, a atividade turística movimentou R$ 24,5 bilhões no país, alta de 2,6% na comparação com agosto de 2025. O resultado representa o maior faturamento para o mês desde o início da série histórica, em 2012. A entidade projeta que o setor encerre 2026 com crescimento próximo de 3%, estabelecendo novo recorde anual.

Pará enfrenta oscilações no faturamento do turismo

No Pará, os indicadores revelam um cenário que exige atenção. Em junho, o faturamento das atividades turísticas apresentou retração de 4% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho contrasta com os avanços observados em outros estados da região Norte. No mesmo mês, o Acre registrou crescimento de 20,6%, enquanto o Amapá avançou 10,9% e Rondônia também apresentou resultado positivo.

Os números demonstram que a expansão nacional do turismo não ocorre de maneira uniforme. Para o Pará, a melhoria do desempenho depende de fatores como conectividade aérea, infraestrutura, qualificação dos serviços, divulgação dos destinos e capacidade de transformar o fluxo de visitantes em receitas para a economia local.

O levantamento de agosto informa que 15 unidades federativas registraram crescimento e 12 apresentaram retração.

Potencial turístico de Belém e interior

O Pará reúne atrativos capazes de impulsionar diferentes segmentos do turismo. Em Belém, o patrimônio histórico, a gastronomia, a cultura amazônica e o turismo religioso constituem importantes diferenciais competitivos.

Entre os principais pontos de visitação estão o Mercado Ver-o-Peso, a Estação das Docas, o complexo Feliz Lusitânia, o Mangal das Garças e a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, associada ao Círio de Nazaré.

No interior, destinos como Alter do Chão, em Santarém, as praias de Salinópolis, a Ilha do Marajó e a Ilha de Algodoal ampliam as possibilidades de visitação, especialmente nos segmentos de natureza, cultura e lazer.

A diversidade desses atrativos oferece oportunidades para hotéis, restaurantes, transportadoras, agências de viagens, comércio e pequenos empreendedores, embora o potencial turístico não signifique, necessariamente, crescimento imediato do faturamento.

Passagens aéreas mais caras pressionam viagens

Um dos principais obstáculos identificados pela FecomercioSP é o encarecimento do transporte aéreo. Em agosto, a tarifa média passou de R$ 678,40 para aproximadamente R$ 777, aumento de 14,5%, enquanto o número de passageiros cresceu apenas 2,3%.

O transporte aéreo faturou R$ 7,7 bilhões no mês, com expansão de 3,1%. O resultado demonstra que parte expressiva do crescimento financeiro decorreu da elevação dos preços, e não necessariamente do aumento proporcional do número de viajantes.

Para destinos que dependem de conexões aéreas, como diversos municípios paraenses, passagens mais caras podem representar uma barreira adicional à atração de visitantes de outras regiões.

Alimentação lidera crescimento entre segmentos

Entre os segmentos analisados, os serviços de alimentação ligados ao turismo apresentaram a maior expansão percentual em agosto, com crescimento de 7,5% e faturamento de R$ 3,9 bilhões.

O setor de alojamento movimentou R$ 5,1 bilhões, mas cresceu apenas 0,7%. Já o transporte aquaviário registrou alta de 8,1%, alcançando R$ 784 milhões, enquanto as agências de viagens e operadoras faturaram R$ 1,7 bilhão.

A locação de meios de transporte foi a única atividade com resultado negativo, registrando queda de 1,3% e faturamento de R$ 2,8 bilhões.

São Paulo concentra receitas e desafios para o Pará

No levantamento estadual de agosto, que não inclui o transporte aéreo, São Paulo manteve a liderança com aproximadamente R$ 7 bilhões, equivalentes a 42% do faturamento nacional considerado nessa comparação.

Rio de Janeiro e Minas Gerais aparecem com R$ 1,5 bilhão cada. Entre os maiores crescimentos percentuais destacaram-se Acre, com 16,7%, Amapá, com 11,7%, e Alagoas, com 9%.

Na avaliação da FecomercioSP, os recordes nacionais precisam ser interpretados com cautela, já que o aumento das tarifas e dos preços de serviços vem contribuindo mais para o faturamento do que a expansão da demanda.

Para o Pará, o desafio é converter sua diversidade de atrações em maior circulação de visitantes, geração de empregos e crescimento sustentável das receitas turísticas, fortalecendo sua posição no mercado nacional.

Luiz Flávio

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.

Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.

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