Estudante cadeirante fica fora de palco em cerimônia do jaleco: “Estar presente não é estar incluído”; veja
Uma estudante de Psicologia da Unifacisa, na Paraíba, ficou impedida de participar da fotografia da turma no palco durante a cerimônia do jaleco por falta de acessibilidade. Renally Vidal, que utiliza cadeira de rodas, precisou permanecer embaixo do palco enquanto os colegas posavam para o registro com o coordenador do curso.
O episódio aconteceu na última terça-feira (27), mas ganhou repercussão após a estudante compartilhar seu relato nas redes sociais, na sexta-feira (30). Na publicação, Renally manifestou seu descontentamento com a situação e chamou a atenção para o capacitismo estrutural.
Segundo ela, o teatro não possuía rampa de acesso, o que impossibilitou sua participação no mesmo espaço que os demais alunos.
“Este texto não é um ataque à universidade, mas um convite à reflexão sobre algo que ninguém deveria precisar vivenciar”, escreveu.
Veja:
Estudante questiona falta de acessibilidade
No relato, Renally destacou que a cerimônia deveria ser um momento de celebração, orgulho e boas lembranças, mas acabou também marcada por frustrações e gatilhos emocionais.
Ao comentar a fotografia da turma, ela explicou por que precisou ficar abaixo do palco e questionou se a acessibilidade está sendo tratada de maneira adequada.
“Compreendo as limitações estruturais, mas precisamos refletir: será que acessibilidade se resume à existência de rampas?”, questionou.
A estudante também ressaltou que a inclusão exige planejamento e não pode ser improvisada apenas quando uma barreira aparece.
“Não basta permitir que uma pessoa esteja presente. É preciso garantir que ela possa participar, pertencer e vivenciar os momentos com dignidade e igualdade de oportunidades”, afirmou.
Estar presente não é o mesmo que estar incluído
Como estudante de Psicologia, Renally destacou que as universidades também precisam ensinar por meio de suas próprias atitudes, promovendo discussões sobre deficiência, acessibilidade e respeito para além das salas de aula.
“Uma universidade também educa pelo exemplo”, escreveu.
Ao finalizar o desabafo, ela reforçou que o objetivo da publicação é evitar que outras pessoas enfrentem situações semelhantes. Renally também lamentou que um momento tão importante de sua formação tenha sido marcado pela falta de acessibilidade.
“Eu queria guardar da minha cerimônia do jaleco apenas as boas lembranças de uma conquista tão importante”, relatou.
A estudante encerrou a reflexão com uma mensagem sobre o verdadeiro significado da inclusão: “Porque estar presente não é o mesmo que estar incluído. E ninguém deveria precisar reivindicar o direito de viver plenamente um momento que deveria ser de todos.”
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