Halloween: Tarifas encarecem fantasias e assustam consumidores dos EUA
Um grupo de universitários entrou na loja de fantasias de Lorenzo Caltagirone em Washington, DC, no início desta semana para se fantasiar de Minions, os personagens amarelos de desenho animado, no Halloween.
Ao verem o preço — US$ 60 por peça — optaram por acessórios menores para obter um visual semelhante: óculos de proteção, luvas e chapéus.
Os universitários não são os únicos a notar as etiquetas de preço mais salgadas, disse Caltagirone.
Ele afirmou que agora precisa jogar “O Preço é Certo” com os clientes, já que as fantasias adultas em sua loja, a Total Party, estão cerca de US$ 10 mais caras — fazendo os totais ficarem entre US$ 50 e US$ 70.
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Isso se deve em parte aos custos de licenciamento, mas também porque Caltagirone passou a pagar mais para importar fantasias em razão das tarifas do governo Trump. Os materiais usados nas fantasias também estão mais caros, ele observou.
Caltagirone disse à CNN Internacional que os custos de frete subiram pelo menos 20% no último ano. Suas fantasias são importadas principalmente da China (95%), com algumas do Vietnã. Poucas fantasias em seu estoque são fabricadas nos Estados Unidos.
Espera-se que os americanos ainda gastem US$ 4,4 bilhões em fantasias, ou 2% a mais do que no ano passado, de acordo com a National Retail Federation.
Outubro representa aproximadamente metade das vendas da Total Party, sendo 80% delas na última semana do mês. Caltagirone recebe uma enxurrada de pessoas cujos pedidos on-line de última hora deram errado e precisam comprar pessoalmente.
O Halloween é a “salvação” da loja, disse ele. Em média, a Total Party pode receber mais de mil clientes durante a última semana de outubro.
Caltagirone disse que ainda há clientes dispostos a gastar na seção de alto padrão, onde fantasias como camisas de pirata ou trajes coloniais chegam a custar US$ 300.
“Quando se trata de Halloween, (as pessoas) tendem a gastar mais consigo mesmas e com a família”, disse ele. Muitas pessoas não se importam em pagar a mais por uma fantasia de marca, como o Ghostface do filme “Pânico” ou o Homem-Aranha da Marvel.
Camille Campbell, do sudeste de Washington, DC, comprou para sua filha de 10 anos uma fantasia de Jessie, do “Toy Story” da Disney. Essa fantasia de U$ 50, somada a uma camiseta de árbitro, custou a Campbell cerca de U$ 75.
Ela disse que algumas pessoas “não têm (tanto assim)” para gastar em uma fantasia, mas valeu a pena por ser uma fantasia de última hora comprada na véspera do Halloween.
Mas a Total Party tem lidado com menos clientes.
As demissões federais em massa do governo Trump em 2025 eliminaram uma parcela dos trabalhadores regionais que normalmente compravam na Total Party, que se mudou de Crystal City, Virgínia, para o L’Enfant Plaza em Washington, DC, em abril de 2025, após quase 20 anos de atividade.
“Esperávamos ter uma base de clientes para nossos artigos de festa e cartões de felicitações do dia a dia… isso diminuiu por causa de todos os cortes”, disse ele.
Caltagirone é mais seletivo quanto aos produtos que importa dos fornecedores, para garantir que os produtos não fiquem parados nas prateleiras. Ele também vendeu algumas fantasias a preços mais baixos porque teme que os clientes estejam mais exigentes.
David Perez, 36 anos, comprou apenas os acessórios para uma fantasia improvisada de padre. O total ficou em cerca de U$ 20 — uma decisão que tomou porque uma fantasia completa custava entre U$ 30 e U$ 40.
“Entendo que a inflação entra em jogo”, disse ele. “Mas agora estou pagando o dobro por metade do que estou recebendo.”
Ainda assim, o Halloween é “uma daquelas coisas que vale a pena gastar um pouco mais… (você) só tem uma vez por ano”, disse Perez.
Uma temporada de festas sensível aos preços
Apesar da sensibilidade aos preços, os clientes que celebram o Halloween têm a mesma probabilidade de sempre de comprar uma fantasia, disse Caltagirone.
“As pessoas provavelmente estão passando por dificuldades. Podem lamentar os preços. Mas no final das contas, acabam sacando o cartão de crédito”, disse ele.
Allison Zeller, vice-presidente de Insights do Setor e do Consumidor da NRF, afirmou em um comunicado à imprensa que o Halloween é uma “prioridade de gastos” para os consumidores.
“Mas eles também estão encarando a temporada com o custo em mente”, disse ela.
A NRF estima que os consumidores gastarão US$ 13,5 bilhões este ano com o Halloween, ou cerca de US$ 400 milhões a mais do que no ano passado. Espera-se que os consumidores gastem uma média de US$ 115,14 por pessoa, segundo a NRF, acima dos US$ 103,63 registrados em 2024.
Os americanos devem gastar US$ 4,1 bilhões em doces.
Os compradores de doces estão pagando até 15% a mais do que no ano passado, ou cerca de quatro vezes mais do que a inflação geral, de acordo com o Groundwork Collaborative.
Os pacotes das fabricantes de chocolate Hershey e Ferrero estão 19% mais caros, pois as condições climáticas impactaram as lavouras de cacau na África Ocidental.
“Não prevejo que o preço do cacau caia significativamente. Ele caiu um pouco, mas está começando a subir novamente”, disse David Branch, gerente de setor do Agri-Food Institute do Wells Fargo.
As pessoas começaram a se afastar dos chocolates por causa dos aumentos de preço, disse Branch, enquanto as empresas fazem suas próprias mudanças — como adicionar wafers nas barras de chocolate.
Os custos do açúcar, do xarope de milho e do combustível afetam outros tipos de doces. As balas de goma da Mondelez — fabricante do Sour Patch Kids e do Swedish Fish — subiram 39%.
Os americanos também observaram um pequeno aumento no preço das abóboras. Na Round Hill Farm, perto de Culpeper, Virgínia, os visitantes podiam colher uma abóbora por 70 cents por libra no ano passado.
O proprietário Rob Faulconer aumentou 10 cents devido às despesas com diesel e fertilizantes. Ele “tenta não aumentar muito (o preço)” para os clientes.
“Ir à plantação, colher abóboras e estar em uma fazenda… Essa é uma experiência que as (famílias) carregam consigo. Temos adultos que vêm agora e que estiveram aqui quando eram crianças, e agora estão trazendo seus filhos”, disse Faulconer à CNN Internacional.
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