Política31 de outubro de 2026“A eleição reposicionou as forças políticas”, diz Cadu Xavier, governador eleito do RN
Redação Tribuna do Norte • 31 de outubro de 2026 • 17h00

Ananda Miranda
Repórter
O governador eleito do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), pretende iniciar sua administração com foco no equilíbrio das contas públicas, no controle do crescimento das despesas e na ampliação das receitas sem aumento de impostos. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, ele afirmou que a responsabilidade fiscal será fundamental para assegurar investimentos em saúde, segurança pública e infraestrutura. “É o equilíbrio das contas que vai permitir que a gente faça investimentos nessas áreas aqui no Estado”, declarou. Cadu também reconheceu que os apoios recebidos no segundo turno representam o início de uma nova composição política no Rio Grande do Norte. Segundo ele, a eleição provocou um reposicionamento das forças políticas que deverão participar da construção do futuro governo. Na escolha dos secretários, afirmou que não abrirá mão de três características: “honestidade, perfil técnico e sensibilidade social”. O governador eleito também assegurou que manterá uma relação institucional com os prefeitos, independentemente do posicionamento adotado durante a campanha. Entre as prioridades da futura gestão, Cadu destacou a aceleração das obras do Hospital Metropolitano, a continuidade da duplicação da BR-304 e a construção da Terceira Ponte de Natal, projetos para os quais pretende contar com a parceria do presidente Lula. Na segurança pública, defendeu o fortalecimento da presença policial, o uso de tecnologia e a ampliação dos serviços públicos nas comunidades como instrumentos de enfrentamento às facções criminosas. Eleito com 50,77% dos votos válidos, Cadu assumirá o Governo do Estado para o mandato de 2027 a 2030.
Que leitura faz desse resultado e qual considera ser a principal mensagem das urnas para o seu futuro governo?
O sentimento de esperança, o sentimento realmente de que o Estado tenha políticas para atender principalmente as pessoas que não têm acesso à saúde, que os filhos estudam em escola pública, a agricultura familiar, que a gente tem um olhar cada vez mais específico para isso, que impacta na vida de muita gente.
O senhor integrou a equipe da governadora Fátima Bezerra, de quem recebeu apoio decisivo durante a campanha. A partir de janeiro, terá a responsabilidade de conduzir sua própria administração. O que pretende preservar da atual gestão e quais mudanças considera necessárias para imprimir sua identidade ao Governo do Estado?
Eu acho que os princípios da honestidade do governo são fundamentais, não vou abrir mão. O fortalecimento do serviço público é fundamental também. A gente, por outro lado, vai ter um olhar mais voltado para o desenvolvimento do Estado, para as condições de quem vai gerar empresa aqui no nosso Estado ter essas condições. Eu acho que é uma maneira que a gente vai trabalhar já desde os primeiros dias para ampliar essas condições de atuação de investimentos aqui para o Estado.
Quais serão os critérios para a escolha dos secretários e como pretende conciliar a participação das forças políticas que apoiaram sua eleição com a autonomia administrativa do futuro governo?
A gente vai ter um governo amplo, vou dialogar com a central administrativa, formar uma base forte, mas eu não vou abrir mão de que os quadros que vão para o governo são: honestidade, perfil técnico e sensibilidade social. Essas são as três características que eu não vou abrir mão. Nosso governo vai ter um grande ponto para a participação das forças políticas que nos ajudaram a eleger e também aquelas que vão nos dar sustentação nas assembleias legislativas.
No segundo turno, sua candidatura recebeu o apoio de importantes lideranças regionais, como Ezequiel Ferreira, no Seridó; Cristiane Dantas, no Agreste; e Dr. Gustavo Soares, no Vale do Açu. Qual foi o significado político dessas adesões para a campanha e como essas lideranças participarão da construção do seu governo?
Todas as forças que se somaram com a gente no segundo turno foram fundamentais para a gente ampliar a nossa votação e ter a vitória que a gente teve no domingo passado. Isso foi muito importante, até pelo símbolo da Assembleia, da chegada dele, da perspectiva de vitória que nós tínhamos nesse processo no segundo turno.
Esses apoios representam apenas uma aliança eleitoral ou o início de uma nova composição política para governar o Rio Grande do Norte?
Iniciou uma nova composição política. Acho que essa eleição, ela trouxe um fato que é um reposicionamento das forças políticas para ter conosco o futuro governo. Houveram migrações que a gente entende que vão configurar esse novo quadro, esse novo símbolo de quatro anos.
O senhor conhece a estrutura financeira do Estado por ter comandado as secretarias de Tributação e da Fazenda. Qual será sua primeira medida na área fiscal?
O compromisso com a trajetória de crescimento de receitas sem aumento de impostos e do controle do crescimento das despesas e do crescimento sustentável dentro daquilo que é a inflação do ano. A gente vai ter compromisso com essa pauta.
Como pretende conciliar o equilíbrio das contas públicas com as demandas por investimentos em saúde, segurança, infraestrutura e valorização dos servidores?
A gente precisa do equilíbrio das contas para atender essas demandas. As políticas públicas elas nascem de recursos públicos. Para isso, a gente vai controlar o crescimento dessas despesas, para ter dinheiro para investir nessas áreas. É o equilíbrio das contas que vai permitir que a gente faça investimentos nessas áreas aqui no Estado”.
Durante a campanha, o senhor destacou a parceria com o presidente Lula e assumiu compromissos relacionados à duplicação da BR-304, ao hospital metropolitano e à terceira ponte de Natal. Quais desses projetos poderão avançar no primeiro ano de governo, quais recursos já estão assegurados e que cronograma pretende apresentar à população?
A eleição do presidente Lula foi muito importante para o Brasil, é lógico, para o Nordeste, mas especialmente para o Rio Grande do Norte. Algumas obras estruturantes que custam bilhões, como a duplicação da BR-304, são prioridades para o presidente Lula e a eleição dele foi fundamental. E a gente vai acompanhar para que a duplicação da BR-304 continue. É o compromisso dele que a gente termine essa obra dentro do próximo mandato. O Hospital Metropolitano é uma obra que precisa andar no ritmo mais acelerado. Eu vou à Brasília já nos próximos dias para acompanhar e para cobrar que haja a aceleração da obra do Hospital Metropolitano e a obra, que foi um compromisso assumido pelo presidente em praça pública. A gente inseriu no PAC, a Terceira Ponte de Natal foi um compromisso dele e a gente tem a confiança que a gente vai ter a honra de entregar junto com o presidente Lula essa Terceira Ponte ainda no nosso mandato até 2030.
Como o senhor pretende enfrentar a atuação das facções criminosas no Rio Grande do Norte?
Com firmeza. Polícia na rua, educação, colocando nossas crianças em tempo integral nas escolas, tecnologia, vídeo monitoramento. Nenhum território do Rio Grande do Norte a polícia é proibida de entrar. E a gente vai forçar cada vez mais as nossas forças de segurança para que a gente com integração com as forças federais, com as forças municipais, a gente combata o crime organizado. O crime pra mim se combate com polícia na rua, com presença do Estado, nas comunidades. A gente precisa aumentar a presença do Estado, os serviços públicos precisam chegar às comunidades e é assim que a gente vai combater as organizações criminosas aqui no Estado”.
Como será a relação do seu governo com os prefeitos, inclusive aqueles que apoiaram seus adversários? O senhor pretende estabelecer um programa permanente de investimentos e parcerias com as administrações municipais?
A gente foi eleito para governar o Rio Grande do Norte, independente de quem votou ou quem não votou. Agora a eleição acabou, a gente vai conversar com as forças políticas para entregar ao povo as demandas que o povo espera e que a gente se comprometeu ao longo do processo eleitoral. Agora é trabalhar com força, a relação vai ser institucional com quem não votou na gente e a gente vai fazer entrega para o povo. No fim da história, quem é beneficiado pelas políticas públicas é o povo do nosso Estado, independente, inclusive, de se votou ou se não votou em mim. A gente vai criar as condições para no futuro, a gente ter condições de colocar mais recursos no Estado, um orçamento do Estado para realizar obras nos municípios. Quero dizer ao povo do nosso Estado: quem votou, quem não votou, que a gente já está trabalhando para fazer um grande governo para atender as demandas, os anseios da população.
QUEM
Carlos Eduardo Xavier, Cadu Xavier, 48 anos, é o governador eleito do Rio Grande do Norte para o mandato 2027–2030.
Natural do Rio de Janeiro, foi criado em Natal. É engenheiro de computação e mestre em Engenharia de Produção pela UFRN.
Auditor fiscal de carreira desde 2005, ocupou cargos técnicos na área tributária até assumir, em 2019, a Secretaria de Tributação do RN, no início da gestão Fátima Bezerra. Em 2023, passou a comandar a Secretaria de Estado da Fazenda, após a fusão das pastas de Tributação e Finanças.
Também presidiu o Comsefaz entre 2023 e 2025, participando das discussões nacionais sobre a reforma tributária. Em março de 2026, deixou a Fazenda para disputar sua primeira eleição. No segundo turno de 2026, foi eleito governador com 50,77% dos votos válidos.
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