VIOLÊNCIA POLÍTICA Força-tarefa apura violência contra povos indígenas após eleição
BRASÍLIA – Uma força-tarefa do governo federal apura denúncias de dez casos de violência contra povos indígenas após o segundo turno da eleição presidencial, que deu a reeleição a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Desses, quatro são Mato Grosso do Sul (MS), estado com maior número de registros. Um deles envolve ameaça de envenenamento da água consumida por indígenas da Aldeia Sassoró, em Tacuru.
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O caso, que colocaria em risco integrantes dos povos Guarani e Kaiowá, é o que tem investigação mais avançada. Dois servidores da Prefeitura de Tacuru confessaram ter gravado áudios com as ameaças.
Nos depoimentos à Polícia Federal (PF), eles alegaram que estavam bêbados e disseram não ter meios de executar as ameaças. Ambos foram afastados dos cargos e respondem a processo administrativo disciplinar.
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), publicou nas redes sociais um vídeo gravado na Aldeia Sassoró, ao lado de uma moradora da comunidade.
Na gravação, ele afirmou que as divergências políticas após as eleições não deveriam provocar conflitos e pediu desculpas pelas falas registradas no áudio do servidor que circulou em grupos de WhatsApp.
“É um mal-entendido, se expressaram mal ontem na hora de euforia, né, por conta de talvez um pouco de álcool”, disse o prefeito, que fez campanha para Flávio Bolsonaro (PL). Ele ainda pediu que a comunidade perdoasse os autores dos áudios com ameaças.
Tacuru foi o primeiro município de MS a concluir a apuração do segundo turno, às 18h40 de domingo (25/10).
O município registrou 5.234 votos, o equivalente a 74,74% de comparecimento entre os 7.003 eleitores aptos a votar. Lula foi o candidato mais votado, com 3.189 votos (62,19% dos válidos), contra 1.939 votos de Flávio, o equivalente a 37,81%.
Comitiva está no MS para acompanhar investigações
Na quinta-feira (29), o Ministério dos Povos Indígenas desativou a centralização de denúncias após receber um grande volume de mensagens sem relação com casos de violência contra povos indígenas.
A PF colocou todas as delegacias do país em alerta para monitorar os crimes e instaurar procedimentos investigativos, mesmo quando as denúncias apresentam poucas informações.
Na sexta-feira (30/10), integrantes da comitiva interministerial do governo federal que apura as denúncias de violência contra indígenas chegaram a Dourados (MS).
Neste sábado (31/10), o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, disse que, à exceção da ameaça de envenenamento, os episódios passam por averiguação preliminar e não podem ser tidos como violência política.
“Os demais não serão descartados, estão em investigação. É importante dizer que todos os casos estão sendo apurados”, afirmou Eloy à imprensa, em Dourados.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, destacou que 189 denúncias foram feitas a partir de diferentes canais, como o Disque 100 e Ministério Público do Trabalho (MPT).
As informações, segundo ela, estão sendo cruzadas para orientar as investigações. As ocorrências de assédio eleitoral no trabalho lideram o ranking de denúncias no Brasil.
“Há questões de casos ligados ao mercado de trabalho, assédio político, como demissões. Há uma sobreposição que a gente precisa avaliar e ler esses casos com muito cuidado”, disse a ministra.
“Temos casos de violência política envolvendo até candidatos durante o período eleitoral. Entre setembro e outubro, saltou de 20 para 90 casos”, completou.
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