Folha de Boa Vista
31/10/2026 18:30

CotidianoPor que gostamos de sentir medo? A ciência por trás do fascínio pelo terror A explicação está na forma como o cérebro e o corpo respondem ao medo

Assistir a um filme de terror, entrar em uma casa mal-assombrada ou ouvir uma história assustadora pode provocar coração acelerado, tensão e vontade de fugir. Ainda assim, muitas pessoas procuram voluntariamente essas experiências. A explicação está na forma como o cérebro e o corpo respondem ao medo quando a pessoa sabe que está em um ambiente seguro.

Um estudo publicado na revista Psychological Science acompanhou 110 pessoas em uma atração de terror e monitorou seus batimentos cardíacos durante a experiência. Os pesquisadores descobriram uma relação em formato de U invertido entre medo e diversão: a experiência tende a ser mais prazerosa quando o nível de medo é intenso, mas ainda administrável. Quando o estímulo se torna excessivo, o prazer diminui.

Quando identifica uma possível ameaça, o organismo entra em estado de alerta. O coração acelera, a respiração muda e a atenção se concentra no que está acontecendo. Em situações de terror recreativo, porém, existe uma diferença importante: a pessoa sabe que está diante de uma ameaça fictícia ou controlada.

Essa sensação de segurança permite experimentar a excitação provocada pelo medo sem enfrentar necessariamente um perigo real. Depois do susto, a redução da tensão também pode contribuir para a sensação de alívio e satisfação. Por isso, uma cena assustadora pode provocar desconforto durante alguns segundos e, logo depois, ser lembrada como divertida.

Algumas pessoas gostam de ficar assustadas em ambientes controlados (Foto – Reprodução)

Mas nem todo mundo gosta de terror da mesma maneira. Uma pesquisa publicada em 2024 na revista Scientific Reports avaliou 558 pessoas e encontrou associação entre o prazer diante de cenas de terror, a percepção de medo e realidade das cenas e a chamada curiosidade mórbida, relacionada ao interesse por temas perturbadores ou incomuns.

O contexto também faz diferença. Assistir a um filme acompanhado de amigos, visitar uma atração de terror ou contar histórias assustadoras cria uma experiência social em que o medo pode ser compartilhado e transformado em diversão. É diferente de enfrentar uma ameaça real, na qual o organismo busca principalmente proteção.

O fascínio pelo terror, portanto, parece estar justamente no equilíbrio. Para algumas pessoas, sentir medo em um ambiente seguro oferece uma dose de adrenalina, curiosidade e excitação sem as consequências de um perigo verdadeiro. É como experimentar os limites do medo sabendo que, quando a história terminar, é possível acender a luz e voltar à segurança.

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