Victor Ostetti/MidiaNews COMÉRCIO EM ALERTA Fim da 6x1 aumentará custo na folha para as empresas em 20% 0
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL), Júnior Macagnam, disse crer que o fim da escala 6x1 pode elevar em até 20% os custos da folha salarial das empresas. A medida foi aprovada beirando o segundo turno, em que venceu o presidente Lula (PT).

Haverá um aumento de custo na folha salarial para as empresas em torno de 20%. Ou seja, de alguma maneira, ou as empresas irão absorver isso, ou passarão isso para os seus custos
Macagnam afirmou que o aumento poderá ser absorvido pelos próprios empresários ou repassado aos preços dos produtos e serviços, com impacto também sobre a inflação.
Ele também não descarta que a mudança provoque alterações no funcionamento do comércio na Capital como consequência da mudança na jornada de trabalho.
“O que a gente observa fazendo as contas? Que haverá um aumento de custo na folha salarial para as empresas em torno de 20%. Ou seja, de alguma maneira, ou as empresas irão absorver isso, ou passarão isso para os seus custos, significando um aumento de preços e gerando, também, consequentemente, inflação”, disse.
Em entrevista ao MidiaNews, o presidente da CDL Cuiabá ainda avaliou os impactos da reforma tributária no comércio, citou as preocupações com a continuidade do Governo Lula e falou sobre a necessidade de projetos para atrair mais turismo para a Capital.
Confira os melhores trechos da entrevista:
MidiaNews - Qual é a avaliação da CDL Cuiabá sobre o fim da escala 6x1?
Júnior Macagnam - Qual que é a grande preocupação da CDL em relação à escala 6x1? A manutenção dos empregos e a sobrevivência das empresas.
A gente sabe que em todos os países que fizeram diminuição de escala, a transição foi de um ano, dois anos, três anos, e teve países com até quatro anos. Aqui no Brasil, a transição será de apenas 60 dias, começando, inclusive, no dia 16 de dezembro.
O que a gente observa fazendo as contas? Que haverá um aumento de custo na folha salarial para as empresas em torno de 20%. Ou seja, de alguma maneira, ou as empresas irão absorver isso, ou passarão isso para os seus custos, significando um aumento de preços e gerando, também, consequentemente, inflação.
O comércio cuiabano está preparado? Ainda não tivemos a negociação coletiva, porque antes de implementar isso, vamos ter que ter uma negociação coletiva, conversar com o sindicato para fazer as adequações.
Porque as pessoas vão poder trabalhar cinco dias na semana, mas durante 42 horas, o que vai significar oito horas e vinte e quatro minutos. E a nossa convenção hoje fala em apenas oito horas diárias, sem hora extra. Vai ter que conversar com o sindicato, fazer adaptações nessa convenção coletiva, para que a gente possa colocar em prática. E o comércio vai se adaptar como tudo.
Pode ser que haja uma diminuição do horário? Pode ser que sim. É uma consequência disso. A gente sabe que a população quer ser atendida 24 horas por dia, sete dias na semana. Mas, em função da elevação desses custos, pode ser que alguns comércios, alguns segmentos, optem por fechar as portas aos domingos, às segundas. Isso vai depender de cada setor.
MidiaNews - É uma certeza que esse aumento de 20% vai impactar nos preços dos produtos? A CDL Cuiabá estudou esse impacto?
Júnior Macagnam - Por exemplo, imagina uma pequena loja que tem um colaborador ou dois colaboradores. A partir do momento em que esses colaboradores trabalharem menos dias na semana, consequentemente, ou a pessoa vai fechar a loja ou vai contratar mais gente.
Contratando mais gente, a partir do momento que não há um aumento de vendas, não há um aumento de produtividade, consequentemente, os custos dela aumentarão. E isso fará com que, com seu custo mais caro, ela provavelmente repasse para os preços.
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O presidente da CDL Cuiabá disse temer os juros elevados na gestão do presidente Lula
O que a gente tem que deixar bem claro para a população é que, no final das contas, quem sempre paga o preço é o consumidor.
Quem sempre paga o imposto, quem sempre paga os aumentos de custos, são os consumidores. A partir do momento que o empresário e as empresas não conseguem repassar esses aumentos, acaba sucumbindo e acaba fechando as portas, gerando assim desemprego.
MidiaNews - O aumento de custos pode levar empresas a demitir funcionários ou até fechar as portas?
Júnior Macagnam - Acredito só que haverá demissões a partir do momento em que a empresa não consiga absorver [a mudança]. Esse foi o receio que falei do início, da sobrevivência das empresas, que essas empresas não consigam absorver esses custos, não consigam repassar para os preços e assim elas acabam fechando suas portas.
MidiaNews - E vocês já têm feito estudos e acompanhamento sobre os impactos desde que foi aprovada a PEC?
Júnior Macagnam - Na realidade, a gente já tem feito esse estudo desde que a PEC passou lá na Câmara Federal. Acompanhando, olhando, buscando números, buscando orientação e agora esperamos a negociação coletiva para que definitivamente essa PEC seja colocada em prática.
MidiaNews - A carga tributária continua sendo uma das principais reclamações dos empresários. Quais impostos e obrigações mais pesam hoje sobre o comércio de Cuiabá?
Júnior Macagnam - O maior imposto que a gente tem é o ICMS, que é o maior imposto dentro da cadeia do comércio. E temos o custo de folha, que inclusive também é importante salientar, voltando aqui à PEC 6x1. Hoje, um trabalhador que recebe salário de R$ 2 mil acaba recebendo R$ 1.800, com aquela exoneração do imposto de renda.
Só que ele custa para a empresa em torno de R$ 3.600. Sobre essa diferença, seria interessante que o governo pensasse em uma forma de redução para que não houvesse o desemprego.
Voltando aqui aos impostos. ICMS é um imposto que é caro para o comerciante, para o empresário do varejo aqui no Estado. E com a reforma tributária, que a gente sabe que para quem é prestador de serviço, que hoje contribui com o ISS, passará a contribuir com a CBS e o IBS, elevando por demais a carga desse setor.

O que vemos com preocupação é essa expansão dos gastos públicos, de como ele [Lula] vai fazer para abaixar essa taxa de juros
O comércio está ansioso. As regulamentações do Governo Federal estão vindo aos poucos e a partir de 2027 estaremos nessa nova legislação tributária, nesse período de transição até 2033.
MidiaNews - Como os comerciantes têm recebido a reforma tributária? Já existe preocupação com os impactos durante o período de transição, mesmo que os efeitos completos só sejam sentidos daqui a alguns anos?
Júnior Macagnam - Na CDL, fizemos vários workshops, treinamentos, capacitações, mostrando ao empresário como é que vai ser a partir de 2027. Qual é a preocupação? Vamos ter agora em funcionamento dois sistemas, o sistema novo e o antigo.
Ou seja, há um aumento de burocracia, há um aumento de custo operacional para fazer com que as empresas, até 2033, terminem essa transição. E essa é a grande preocupação não só do comércio, como também do setor industrial, do setor de serviço, de todos os setores que produzem dentro do país.
MidiaNews - Além da carga tributária, a burocracia e os custos para manter uma empresa regularizada também preocupam os empresários. Quais são as principais dificuldades?
Júnior Macagnam - Diria a burocracia e a segurança jurídica, que também é um fator bastante relevante para quem quer empreender no Brasil. Hoje, vemos ministros do STF dando decisões monocráticas que mudam completamente a vida das empresas.
O que temos que fazer é cada vez mais desburocratizar, trazer segurança jurídica, facilitar investimentos para que haja a criação de novas empresas, criação de filiais, para que haja expansão dos negócios, para que possamos gerar mais emprego e renda.
MidiaNews - Acredita que esses entraves afastam novos empresários que desejam investir em Cuiabá?
Júnior Macagnam - Não só de Cuiabá, como do Brasil. A maior taxa de juros do mundo hoje é do Brasil. Temos um Estado ineficiente que entrega pouco. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, temos uma das maiores cargas tributárias do mundo e em 30 países somos o trigésimo em retorno de serviços para o cidadão.
Ou seja, o cidadão paga muito, as empresas pagam muito e o retorno disso é muito baixo, principalmente para os cidadãos. Há necessidade de o Estado se arrumar e fazer com que essas entregas sejam de melhor qualidade.
MidiaNews - Como analisa a reeleição do presidente Lula para o setor do comércio de Cuiabá? O resultado correspondeu às expectativas dos empresários?

Mato Grosso cresce em ritmo chinês, a riqueza gira dentro do nosso Estado. Porém, Cuiabá não acompanha esse crescimento
Júnior Macagnam - Não tenho como negar que a grande maioria dos comerciantes de Cuiabá são ligados ao Flávio Bolsonaro e o apoiaram. O que a gente tem que entender é que é um processo democrático. O presidente Lula ganhou a eleição e a partir de agora ele é o nosso presidente.
O que vemos com preocupação é essa expansão dos gastos públicos, de como ele vai fazer para abaixar essa taxa de juros, para que haja novos investimentos. Isso nos preocupa bastante, essa insegurança, porque foi uma eleição em que não foram discutidos projetos futuros de país. Foi muito em pautas pessoais, em ataques, nada de muito concreto.
Isso faz com que a gente fique com uma determinada insegurança. Agora, é acompanhar. O presidente está eleito e o que temos que fazer como entidade é cobrar, levar projetos que sejam de interesse do setor e buscar que sejam aprovados e que melhorem o ambiente de negócio no Brasil e em Cuiabá.
MidiaNews - Pode-se dizer, então, que para o senhor, os juros elevados e a insegurança jurídica são o que mais preocupa em relação à continuidade desse governo atual?
Júnior Macagnam - Com certeza. Insegurança jurídica, taxa de juros absurda, que inibem por demais os investimentos. Por exemplo, por que você vai abrir um negócio hoje se pode deixar dinheiro no banco, com uma renda fixa rendendo mais do que um negócio?
Hoje, um negócio que tem uma rentabilidade de 3%, 4%, até 5%, é considerado um bom negócio no varejo. A partir do momento em que você investe, deixa o dinheiro no banco, muitas vezes tem mais do que isso. Ou seja, há essa preocupação no sentido de que os juros abaixem, mas sem que a inflação volte.
Vamos ver quem será o próximo ministro da economia. Já tem algumas especulações. E assim a gente espera que seja o melhor, porque temos quatro anos de presidente Lula e que ele faça um bom governo e assim favoreça todos os brasileiros.
MidiaNews - Em Mato Grosso, quais compromissos o próximo ciclo de governo estadual precisa assumir para estimular o comércio e a geração de empregos?
Júnior Macagnam - Temos uma grande preocupação com Cuiabá. Mato Grosso cresce em ritmo chinês, a riqueza gira dentro do nosso Estado. Porém, Cuiabá não acompanha esse crescimento.
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Macagnam cita importância do novo Mercado Municipal de Cuiabá para o comércio
O que esperamos é que nesse governo tenhamos a União, Governo do Estado, Prefeitura, setor privado, Universidade e faça planejamento e consigam fazer com que Cuiabá também se desenvolva a nível de Mato Grosso, de cidades grandes.
É possível isso. Somos o centro geodésico da América do Sul, um grande polo de logística. A ferrovia está chegando, é importante que ela chegue até aqui.
Temos um Centro Histórico que há necessidade de ser revitalizado para que se torne um ponto de turismo. Temos Chapada, temos Nobres, temos o Pantanal, um ecossistema maravilhoso no entorno, uma culinária sensacional, cultura, ou seja, tudo para nos transformar em um grande polo de turismo. Não só turismo por turismo, mas turismo econômico também.
Temos o Parque Novo Mato Grosso, que há necessidade, já que as obras estão em andamento, de finalizar e que seja dada continuidade nos eventos que são realizados lá.
Quando tínhamos o Cuiabá na primeira divisão, tínhamos jogos aqui de Flamengo, Vasco, Grêmio... A cidade lotava, o comércio nesses dias ficava pujante. Cabeleireiro, restaurante, bares, a gente percebia o movimento na cidade. A partir do momento que o Cuiabá caiu para a Série B, isso não acontece mais, mas podemos fazer isso com a cidade de Cuiabá.
Nós somos uma cidade histórica e o brasileiro tem a curiosidade de visitar essa história. O que precisamos é fazer com que esse turismo econômico que vem para cá, essas pessoas que vêm fechar negócio em Lucas do Rio Verde, Sorriso, que somente descem do aeroporto, pegam o carro e vão para o interior, permaneçam pelo menos dois, três dias aqui.
Agora, há essa necessidade de tornar Cuiabá essa cidade atrativa, com bons restaurantes que já temos, uma transformação no Centro Histórico, revitalizar os nossos museus, e aí é um trabalho que tem que ser feito.
MidiaNews - O empresariado espera mais diálogo com os governos ou considera que suas principais reivindicações já estão sendo atendidas?
Júnior Macagnam - Não sentamos com o governador após a eleição, mas no período eleitoral ele esteve na CDL. Fizemos um documento baseado nas 32 propostas que fizemos para o prefeito de Cuiabá na eleição de 2024, baseado também no fórum que promovemos “Cuiabá 2040, cidade que nós queremos”.
Compilamos essas propostas, apresentamos ao governador Otaviano Pivetta com antecedência. Ele foi à CDL, participou de uma espécie de sabatina conosco, assinou esse documento. Agora é acompanhar e cobrar a execução.
Uma coisa que é importante: não basta somente ter documentos, ter projetos, ter ideias, o que a gente precisa é fazer o que ele sempre fala, que é o tal do fazimento. Governador, vamos usar o fazimento aqui para Cuiabá para que a gente possa trazer mais qualidade de vida para a população cuiabana e prosperar os negócios que aqui estão.
MidiaNews - Como a CDL avalia a gestão do prefeito Abilio Brunini? O prefeito tem cumprido o que prometeu ao setor?
Júnior Macagnam - Quando o prefeito foi eleito, durante a campanha, fizemos 32 propostas, o prefeito foi à CDL. Depois da eleição, ele voltou à CDL e se comprometeu a fazer aquilo.
Entendemos que ele pegou a prefeitura em situação muito ruim. Só que a partir de agora, depois de dois anos, já estamos estudando formas de cobrar para que as 32 propostas comecem a ser executadas.
Há propostas simples, por exemplo, corredor de moto em avenidas para evitar que os motoqueiros andem no meio das vias e sofram acidentes, diminuindo o custo de internação ou custo em pronto-socorro. Implementação do empreendedorismo e da educação financeira.

Acho que tem tudo para se tornar um polo turístico dentro da nossa cidade
Hoje, em Mato Grosso, praticamente 50% das pessoas estão inadimplentes. Há necessidade de se fazer a educação financeira desde cedo para que todo mundo tenha noção disso. E isso está nos compromissos. Instalação de QR Codes nas unidades municipais para que o contribuinte, o cidadão, após o uso, avalie como é que foi o seu atendimento.
Então, sim, algumas coisas simples que a gente entende que a partir desse terceiro ano, há necessidade de serem feitas. A CDL Cuiabá começará a cobrar.
MidiaNews - Como está o andamento do projeto de revitalização do Centro Histórico de Cuiabá, uma das promessas de campanha do prefeito Abilio?
Júnior Macagnam - O que a gente tem, na realidade, no Centro Histórico é a inauguração em breve do Mercado municipal e a revitalização que está sendo feita nessa parceria público-privada com a CS Mobi em algumas ruas.
E eu te pergunto e a quem está nos assistindo ou nos lendo: quando as pessoas viajam, visitam o Centro Histórico, gostam de ver a história da cidade. Hoje, se você receber parentes seus aqui, teria coragem de levá-los ao Centro Histórico de Cuiabá? Muito provavelmente, a resposta de quem está nos lendo ou nos assistindo seria não.
Daí está a dificuldade de o comércio do Centro Histórico também sobreviver, porque se as pessoas não levam seus familiares lá, muito provavelmente também não vão lá fazer suas compras.
Além da internet, que a gente sabe que hoje tem uma venda online que representa em torno de 22% a 23% do faturamento global do varejo, há, também, essa necessidade de se arrumar o Centro. E é isso que a gente espera que o prefeito faça.
Houve uma lei de incentivo de ICMS do Governo do Estado para o centro histórico de todas as cidades do Estado, porém, essa lei carece de regulamentação. E, sem regulamentação, ela se torna sem efeito. O que a gente espera também do Governo? Que regulamente essa lei e faça com que isso fique valendo e que a gente consiga fazer com que o nosso Centro volte a ser pujante.
MidiaNews - Ainda em relação ao Centro Histórico, existe alguma melhora em relação também às reclamações, não só estruturais, mas em relação à segurança do local?
Júnior Macagnam - A avaliação que a gente tem continua na mesma. Apesar de todos os esforços do Batalhão do Centro Histórico, infelizmente, a situação continua na mesma.
MidiaNews - Vocês têm algum registro em relação ao número de lojas que foram fechadas esse ano na região? Ou se não houve nenhum fechamento?
Júnior Macagnam - A gente não tem essa pesquisa fechada, mas a percepção, quando andamos por lá, é de que hoje tem muito mais lojas fechadas do que havia no começo do ano.
MidiaNews - Desde que o estacionamento rotativo foi implantado, em 2024, a CDL identificou alguma mudança no movimento de consumidores e nas vendas das lojas das áreas atendidas? Melhorou ou piorou a situação dos comerciantes de Cuiabá?
Júnior Macagnam - O que a gente observa é que hoje você consegue vaga para parar facilmente em qualquer local do Centro Histórico. Em relação à mobilidade, à facilidade de estacionamento, ao fato de você conseguir chegar na loja, isso melhorou bastante.
Só que a gente sabe que tudo é um conjunto, a gente precisa também de um aspecto geral da cidade, um aspecto geral do centro, digamos assim, para que as pessoas se dirijam até lá.
Infelizmente, essas condições hoje não são atendidas. Precisamos melhorar em termos de limpeza, em termos de urbanização, arborização, fazer com que esse Centro se torne mais atrativo, porque somente o estacionamento não basta.
Semana retrasada, fizemos um encontro dentro do novo Mercado Municipal, levamos lojistas que são da região, do entorno do mercado que estão no centro para conhecer, e depois os levamos até a CDL, em parceria com o Sebrae, para fazer uma palestra sobre quais ações e atitudes devem tomar para que consigam concorrer com o mercado.
Porque, na realidade, o mercado vai trazer um fluxo, a expectativa é essa, que ele traga um grande fluxo para o Centro, mas é importante também que quem esteja no entorno aproveite esse fluxo para que seja beneficiado por ele.
Fizemos esse treinamento, vários lojistas compareceram, e a gente espera que tenham sucesso a partir da inauguração do mercado municipal.
MidiaNews - Qual é a avaliação da CDL sobre o projeto do novo Mercado Municipal de Cuiabá? Como pode impactar os comerciantes da região?
Júnior Macagnam - Acho que tem tudo para se tornar um polo turístico dentro da nossa cidade. São mais de 100 lojas, restaurantes, bares, um restaurante no terraço. Inclusive, já tive a oportunidade de ir lá, tem uma vista muito bonita da cidade, das igrejas, do Morro de Santo Antônio.
Tem tudo para se transformar em um ponto turístico da cidade. Agora, o que precisamos fazer? É organizar a cidade no entorno, para que esse ponto focal seja distributivo de pessoas.
Muitas vezes, o que elas não encontram no Mercado Municipal, podem buscar nos comércios nas redondezas. Vai ter um aumento de fluxo de pessoas naquela região, e o que a gente espera é que isso beneficie todos. Porém, lembrando sempre, temos que fazer a nossa parte no sentido de organizar essa área no entorno do mercado municipal.
MidiaNews - Para o senhor, o novo mercado, isoladamente, não será suficiente para atrair consumidores?
Júnior Macagnam - Não, porque se tiver buraco na calçada, ele vai continuar. A gente precisa arrumar essas coisas. Acaba que a pessoa vai no mercado municipal e vai embora.
O que precisamos fazer é que ela vá ao Mercado Municipal e circule pelo centro para movimentar também esse comércio. Que ele seja um ponto focal de distribuição de pessoas para que o comércio da região também se fortaleça. Outra coisa importante que temos que fazer no Centro Histórico é trazer moradores.
A gente sabe que CPA e Pedra 90, dando o exemplo aqui de Cuiabá, têm um comércio muito forte e pujante. Mas é justamente porque eles têm população.

O comércio responde por 60% da arrecadação do Estado. Ou seja, em termos de contribuição, é de extrema importância
Hoje, temos o exemplo lá de São Paulo, onde o Governo do Estado, junto com a Prefeitura, conseguiu fazer com que o Centro Histórico de São Paulo revivesse. E aqui podemos também fazer isso.
A gente deve, inclusive, copiar o que dá certo nos outros lugares, adaptar para a nossa realidade e fazer. Agora, é importante aquilo que disse no início da nossa entrevista. A execução é primordial. Tem que ter ideias, tem que ter projetos, tem que ter planejamento, mas há necessidade de ter execução.
MidiaNews - A inadimplência atingiu 341 mil cuiabanos em setembro, segundo o levantamento divulgado pela CDL. O que, para o senhor, explica esse volume de consumidores endividados?
Júnior Macagnam - Se você observar, mais de 50% desses inadimplentes são do setor bancário. Então, a alta taxa de juros acaba impactando nesse número, que é em torno de 50% dos cuiabanos ativos economicamente. E, logicamente, a falta de educação financeira.
E é importante que o governador Otaviano Pivetta e o prefeito Abílio implementem na grade curricular, pelo menos transversalmente, a educação financeira para que a gente consiga diminuir isso.
Nós saímos agora do desenrola 1, desenrola 2 e o desenrola 3. E esse número de 50% de inadimplência praticamente não baixa. Ou seja, é recorrente. A pessoa sai, depois de três meses, quatro meses, volta a constar no cadastro do SPC. Há necessidade de se fazer com urgência a educação financeira.
MidiaNews - Como a inadimplência afeta as vendas, o capital de giro e a capacidade de investimento dos comerciantes?
Júnior Macagnam - Hoje, por exemplo, o próprio SPC já criou produtos para que você consiga vender para quem está inadimplente. Se a pessoa está inadimplente, mas ela paga um número X de contas, ela vai ter um score mais baixo, mas ela vai conseguir comprar no crediário. Como é que as empresas fogem disso?
Vendendo à vista no Pix, vendendo no cartão de crédito, são vendas seguras, digamos assim.
Impacta como no caixa? A partir do momento do não recebimento dessas parcelas, é importante que quem está nos ouvindo saiba que quem acaba pagando sempre a conta dos inadimplentes são aqueles que pagam, porque tudo isso aí acaba indo para o preço dos produtos.
Você que é um cara que está nos ouvindo, que é bom pagador, incentive também os governos a implementar a educação financeira. Ensine para as pessoas que estão no seu entorno a educação financeira, porque tudo isso acaba indo para o preço do produto e acaba que quem paga e quem não paga, quem é um bom pagador e quem não é um bom pagador, acabam pagando também essa conta.
Por isso que a taxa dos bancos é muito maior do que a taxa Selic, porque tem um monte de gente que não paga e isso acaba refletindo nos juros que são oferecidos ao mercado.
MidiaNews - A lei de autoria do deputado estadual Diego Guimarães, sancionada pelo governador Otaviano Pivetta, prevê isenção de ICMS para comerciantes do Centro Histórico por 5 anos. Como a CDL avalia a medida? Vai ajudar o setor?
Júnior Macagnam - Sim, esse projeto vai ajudar quem está no Centro Histórico e carece de uma regulamentação das características. A gente espera que no próximo orçamento, de 2027, isso venha a constar e que beneficie essas pessoas que estão não só no Centro Histórico de Cuiabá, mas no Centro Histórico em todas as cidades do Estado.
MidiaNews - A redução do imposto será suficiente para estimular a permanência de empresas e a abertura de novos negócios no centro histórico?
Júnior Macagnam - Ajuda, mas é aquilo que a gente está falando, é um dos elementos. Agora, a gente precisa de uma reformulação no sentido de trazer pessoas para morar na região, precisa arborizar o Centro, precisa revitalizar.
São vários fatores que vão contribuir. Cada um contribuindo um pouquinho e a gente consegue fazer com que o comércio do centro reviva.
MidiaNews - Cuiabá concentra serviços, comércio e atividades que atendem consumidores de diferentes regiões do estado. Hoje, vê o setor contribuindo o suficiente para o desenvolvimento econômico de Mato Grosso?
Júnior Macagnam - O comércio responde por 60% da arrecadação do Estado. Ou seja, em termos de contribuição, é de extrema importância. Representa praticamente 70% dos empregos dentro do Estado.
Agora, há necessidade também de fazer o processo de industrialização aqui da Baixada Cuiabana. Fazer com que esses produtos agreguem valor. Soja, couro, carne agreguem valor e tragam um trabalho com maior renda.
Fazendo com que haja riqueza para toda a população da nossa cidade. É um momento crucial na vida da cidade. É um momento de captar, de trazer essas indústrias.
Nós temos todas as condições, logística. Temos o distrito industrial, ferrovia chegando. Nosso aeroporto foi internacionalizado.
Nós temos universidades, temos mão de obra. Ou seja, esse é o momento de se aproveitar. Fazer a industrialização, porque dessa forma nós vamos aumentar a renda da população de Cuiabá e da redondeza e fazer com que o comércio também cresça junto.
Não tem como dissociar agro, comércio e indústria. Não existe um setor único. São todos os setores produtivos que estão juntos e nós precisamos buscar isso, fortalecendo nesse momento a industrialização das nossas matérias-primas, agregando valor, vendo a nossa vocação natural e nos preparando para a reforma tributária que será implementada em 2033 de forma total.
Assista a íntegra da entrevista:
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