FANTASIAS ARREPIANTESVisagens e looks assustadores: veja as fotos do Cortejo Visagento em Belém A oitava edição do Cortejo Visagento reuniu moradores e artistas nas ruas do Guamá, em Belém, celebrando a identidade amazônica e as histórias de visagens com o tema do rio Tucunduba.
Ocorreu a oitava edição do Cortejo Visagento nas ruas do Guamá, em Belém, na noite deste sábado (31). Com concentração foi no Cemitério Santa Izabel. O evento reuniu moradores, artistas e visitantes em uma manifestação cultural que, neste ano, teve como tema o rio Tucunduba. Criado em 2016, o cortejo é realizado pelo Espaço Cultural Nossa Biblioteca e busca valorizar as histórias de visagens e a identidade amazônica.
Um dos idealizadores do evento, Raimundo José de Oliveira destacou que a escolha do tema está relacionada aos problemas ambientais enfrentados principalmente pelas populações de baixa renda. “Nós estamos diante de uma crise muito forte do meio ambiente, que está assombrando principalmente os mais pobres. Aqui no Guamá, o calor está intenso e o perigo ambiental é muito forte. Estamos transformando a água em veneno com o nosso lixo, com os nossos restos. Isso, para nós, é um suicídio. Queremos chamar a atenção para a justiça climática, porque os pobres precisam dessa justiça”, afirmou.
Para Raimundo, o crescimento da participação popular demonstra a importância da iniciativa. “O cortejo nasceu como uma forma de protesto porque havia uma colonização cultural. O Halloween substituía a nossa mitologia e nós não aceitávamos isso. Mas não queremos eliminar as outras culturas. O cortejo é aberto, é democrático, todos podem vir. Vem a Matinta Pereira, vem até o Batman, se aparecer voando. Essa é a generosidade do nosso povo”, destacou.
Entre os participantes estava o administrador Clóvis Loureiro, de 60 anos, morador do Reduto. Neste ano, ele escolheu uma fantasia inspirada em Frankenstein, com referências políticas. “Eu participo desde 2022, quando soube que existia o evento. A importância é justamente desmistificar essa questão do bairro, que muita gente considera violento. Eu venho do Reduto para apoiar essa manifestação e ajudar a mudar essa visão sobre o Guamá”, contou.
A médica veterinária Ana Paula Costa, de 35 anos, também participou da programação caracterizada para a ocasião. Ela destacou a aproximação entre narrativas sobrenaturais internacionais e manifestações culturais locais. “Há muitos anos eu jogo RPG e existe um movimento muito forte de vampiros, lobisomens e outras lendas. São histórias que vieram de fora e foram se adaptando à nossa realidade. A gente acabou levando esse cenário muito a sério nos jogos e agora também tem os cortejos, que são bem legais”, afirmou.
Para a historiadora e visagóloga Keyla Luz, de 47 anos, a manifestação representa uma oportunidade de preservar narrativas transmitidas entre gerações. “É a nossa ancestralidade. Tem gente que torce o nariz, acha que é falta de respeito, mas não é. Assim como no México existe uma celebração dedicada aos mortos, aqui também estamos celebrando os mortos, as nossas lendas e os nossos mitos. O Halloween pode existir, mas nós também temos a nossa cultura”, declarou.
A participação das famílias também marcou a programação. A artesã Socorro Gomes, de 60 anos, levou integrantes da família para acompanhar o cortejo. “É muito importante. Eu também participo do Auto do Círio e a gente já tem aquele grupo que se reúne. As crianças gostam e me acompanham. Meu neto sempre vem comigo e, para ela, é a primeira vez no Visagento”, contou.
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