Fé e lotação marcam 19º Evangelizar é Preciso na Praia de Iracema
Milhares de fiéis lotaram a orla de Fortaleza neste sábado, 31. Alguns fiéis tiveram dificuldade de se movimentar em meio à multidão
Por Mateus Brisa
Notícia
Usada para todas matérias e reportagens que retratem fatos ou descrevam situações. Matéria baseada em fatos observados e verificados pelo repórter com fontes diversas. Notícias não possuem a opinião do repórter. Quando há análise, deve haver as duas definições: notícia e análise.
Publicado às 22:27, 31/10/2026
Compartilhe esse conteúdo!
Compartilhe também nas redes sociais:
Milhares de fiéis lotaram o Aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza, neste sábado, 31 de outubro, para participar da 19ª edição do evento católico Evangelizar é Preciso.
Conhecido por atrair caravanas de diferentes regiões do Ceará e de outros estados do Brasil, o encontro reuniu demonstrações de devoção, oração e intensa movimentação comercial desde o início da programação.
Movidas pela fé e pela tradição de participar anualmente, Zildete Pereira, de 65 anos, e Ozelina Carvalho, de 70, destacaram o significado espiritual do evento, mesmo diante do grande público.
"A gente vem pela fé e pelo costume de vir todos os anos. Só em pisar aqui, a gente já sabe que é como se fosse um lugar sagrado, de oração", relatou Zildete.
Ambas chegaram ao local após as 17 horas e não conseguiram adentrar a multidão que contornava o palco principal. Saíram da rua Carlos Vasconcelos em direção às ruas paralelas para tentar "comprar terço e outras coisas", conforme Ozelina.
O fluxo massivo de público também impulsionou o setor de serviços e comércio na orla. Funcionária da barraca Sofia Lanches, que é montada durante o evento há cinco edições, Fernanda Alexandre, de 23 anos, pontuou que o movimento superou expectativas.
"A gente tem vendido bastante, graças a Deus. É um evento muito bom, a movimentação é grande, e espero que os próximos anos sejam assim também", celebrou, destacando a oportunidade de trabalhar enquanto acompanha a atmosfera de espiritualidade.
Ela e o resto da equipe chegaram ali às 7 horas e só sairiam após o fim da programação. "É gratificante entregar o nosso melhor no trabalho, conhecer pessoas e escutar a evangelização", relatou ela, mesmo afirmando ser "mais do lado evangélico" do cristianismo.
É minha primeira vez no Evangelizar e é bom porque a gente vê as crenças das pessoas, respeitando todas elas. E a gente ainda consegue uma renda.
Superlotação e trânsito de pedestres
Se a fé e o comércio mantiveram o tom devocional e econômico, a circulação pelo perímetro do evento encontrou barreiras devido à superlotação.
Com a alta concentração de cadeiras de praia, bancos e estruturas na área destinada ao público, caminhar pelas proximidades exigiu paciência redobrada. Pedestres e frequentadores precisaram avançar em filas indianas apertadas entre os assentos, quase que como formigas em meio à areia.
A densidade do público gerou algumas reclamações de frequentadores, além de tumultos e discussões por espaço entre os presentes.
Quando finalmente conseguiu sair da enxurrada, Lúcia de Fátima da Silva, 51, pontuou: "Rapaz, dá nem para contar quanto tempo fiquei ali. Quase acabei sendo pisada".
"Cheguei cedo para tentar entrar, mas só se tivesse pulseira. Não é para ser assim. Seria mais fácil todo mundo na areia da praia", complementou a acarapense. "Teve canto com gente deitada no chão para a gente não passar. Eu venho há anos, mas não sei se venho mais".
Algumas pessoas relatam dificuldade para assistir e compreender o que era dito no palco principal para quem estava mais distante, algo comum em eventos desse porte no local.
Outros pontos de insatisfação relatados por participantes envolveram a estrutura de apoio, como a escassez e o estado de conservação dos banheiros disponibilizados.
"Desde que o Evangelizar existe estou aqui, mas cada ano fica mais difícil vir para passar por esse tipo de situação", desabafou Ângela Santana, 37, que compunha uma caravana de vizinhos oriunda do conjunto habitacional Sítio São João, no bairro Messejana.
O grupo, composto por cerca de 30 pessoas, estava encaixado em uma calçada, atrás de barracas de lanche. "Estamos evitando tomar água para não precisar fazer xixi", conta.
Já Francisca Neide Ribeiro, 51, da mesma caravana, conhecia o Evangelizar é Preciso pela primeira vez. Estava ali para cumprir uma promessa: há dois anos, tinha sangramentos constantes e prometeu fazer sua estreia no evento caso melhorasse de saúde.
"E hoje também é aniversário da minha mãe. Só está faltando eu lá em Beberibe, mas estou aqui, pagando minha promessa", contou a mulher. "Não tô podendo ouvir, mas estou contente da mesma forma".
Moradora do Meireles, Teresinha Cruz, 66, construiu uma amizade rápida com os integrantes da caravana após ter tentado adentrar a multidão, sem sucesso. "Deveria haver telões. Para que nós possamos ter uma melhor visão do padre. Não tem como atravessar [o público], quase passei mal para chegar até aqui", opinou.
O POVO entrou em contato com a Arquidiocese de Fortaleza e com a organização do evento Evangelizar é Preciso para obter esclarecimentos sobre as demandas e reclamações estruturais registradas nesta edição, e aguarda retorno.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
