A desconstrução de palanques e a rotina democrática

O segundo turno das eleições de 2026 aconteceu há uma semana. A impressão que se tem é que haverá uma terceira votação, tamanho o turbilhão de informações que não param de chegar pelo rádio, pelo computador, pelo celular, pela televisão. Muita gente ainda está em uma espécie de frenesi constante. A ansiedade por novas manchetes acontece a cada atualização na plataforma de notícias. Essa energia toda precisa ser melhor canalizada. Por um motivo simples: o resultado das eleições foi o que se apresentou em todo o país. Os nomes que irão governar estão postos. É chegada a hora de desconstruir palanques e trabalhar.
É lamentável a cena de parlamentares federais do Acre gravando vídeos diários nas redes sociais apenas para manter a bolha de eleitores anestesiados com desinformação, travestida de crítica. Há quem se preste a isto. No caso específico, não se trata de ser um mau perdedor. É desrespeito pelo resultado daquilo que o povo, democraticamente, escolheu. Isso é grave. Sobretudo porque advindo de um parlamentar.
Apesar do ministro Nunes Marques, as eleições de 2026 no país acabaram. O presidente eleito foi Luiz Inácio Lula da Silva. No Acre, a governadora eleita é Mailza Assis; os deputados federais eleitos foram Socorro Neri (PP); Perpétua Almeida (PCdoB); Fábio Rueda (UB); José Adriano (PP); Pedro Longo (MDB); Júnior Betão (PL); Roberto Duarte (Republicanos) e Ulysses Araújo (UB). Os senadores eleitos foram Marcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos). Além desses, 24 deputados estaduais ocuparão a Assembleia Legislativa do Acre entre 2027 e 2030.
Todos foram eleitos democraticamente. Colocaram o nome à disposição do partido e candidataram-se. A Justiça Eleitoral referendou os nomes, que foram para a disputa aberta junto ao eleitor. Fizeram campanha e, por meio das urnas eletrônicas, democraticamente, se elegeram.
Aqueles que não conseguiram se eleger precisam rever estratégias, retomar o processo de candidaturas e, novamente, se apresentar para o eleitor no próximo pleito. Simples assim.
O Acre tem urgência na solução de problemas básicos em todas as áreas da administração pública. Educação; Produção Agrícola e Extrativista; Saúde; Infraestrutura; Saneamento; Segurança. O trabalho do Governo do Acre precisa chegar com força e eficácia para atender ao maior número de pessoas que, hoje, estão excluídas de muitos desses serviços. E o Governo do Acre só conseguirá mostrar resultados práticos, caso sejam construídos alguns consensos mínimos.
Por isso, a governadora Mailza Assis já deixou claro: está em fase de conclusão um planejamento estratégico. É com essa ferramenta em mãos que vai apresentar à bancada federal as prioridades das políticas de Estado. Definidas as ações prioritárias, o passo seguinte é elaborar projetos e tratar de buscar recursos. Neste momento, o perfil democrático da governadora pode se agigantar. Ela reconheceu a reeleição do presidente Lula e reforçou a necessidade do diálogo republicano pensando na execução de políticas públicas para o povo do Acre.
É até uma demonstração de humildade. Ela mesma, em entrevista coletiva logo após o anúncio do resultado das eleições, deixou claro que o candidato dela à Presidência era Flávio Bolsonaro. Diante dos fatos, no entanto, ela respeitava o resultado das urnas e estava, a partir daquele momento, reconhecendo Lula como presidente e aberta ao diálogo em nome do povo do Acre. Disse isso com uma serenidade que ensina. Isso é desfazer palanque.
Isso serve não apenas para domar a vaidade de parlamentares que têm postura golpista. Serve para todos nós. País afora, multiplicam-se os casos de assédio eleitoral em empresas e intolerâncias e preconceitos de toda ordem. O papel dos líderes é mostrar o erro dessa postura. A responsabilidade de quem é líder passa por fazer compreender que a Democracia se fortalece na rotina.
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