FéSolenidade de Todos os Santos: por que a Igreja celebra a data em 1º de novembro Celebração remonta ao século IV e foi transferida para 1º de novembro pelo Papa Gregório IV, no ano de 835
Mais Diário do Pará no seu Google!
Um clique para dar preferência às notícias do Pará
Mais Diário do Pará no seu Google!
Um clique para dar preferência às notícias do Pará
Resumo
- A Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos no dia 1º de novembro
- Data lembra a multidão de santos que São João descreve no Apocalipse
- Os 144 mil citados (12 x 12 x 1000) são número simbólico, não aritmético
- A celebração vem do século IV e nasceu em Antioquia honrando os mártires
- Em 835, o Papa Gregório IV transferiu a festa para 1º de novembro
- As bem-aventuranças do Sermão da Montanha identificam quem vive a santidade

A Solenidade de Todos os Santos é celebrada pela Igreja Católica em cada 1º de novembro. Pela tradição, escolheu-se o dia seguinte ao 31 de outubro por conta do Halloween, noite em que os celtas pagãos ingleses homenageavam bruxas e espíritos que amedrontavam as pessoas.
Nessa solenidade, a Igreja que continua em luta na Terra reverencia a multidão de santos que já desfrutam do Céu.
É a chamada Igreja militante, que caminha e luta no mundo, honrando a Igreja triunfante do Céu. Como reza o sacerdote na Missa, celebra-se ‘numa única solenidade, todos os Santos’, numa homenagem àquela multidão que povoa o Reino dos Céus, a mesma que São João contemplou no Apocalipse.
A multidão que São João viu no Apocalipse
Em Ap 7,4-14, descreve-se a visão dos assinalados: ‘144 mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão’.
E a passagem complementa: ‘Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro’.
Reunidos diante do Cordeiro, nessa multidão estão congregados quantos servem a Deus. Fazem parte dela tanto aqueles que algum Papa canonizou por meio de decisão infalível quanto a infinidade de pessoas que, salvas, já contemplam a Deus na visão beatífica.
É em razão disso que a Igreja aconselha os pais a batizar os filhos com nomes de santos.
Por que o número é 144 mil
O valor de 144 mil não deve ser lido de forma aritmética, mas simbólica. Ele resulta da multiplicação 12 x 12 x 1000, e tanto o doze quanto o mil representavam, para os antigos judeus, plenitude, perfeição e abundância.
Mais de 20 mil santos já receberam a canonização da Igreja, ainda que existam muitos outros no Céu. A obra Relação dos Santos e Beatos da Igreja recolheu, a partir de várias fontes e em ordem alfabética, quase 5 mil dos mais relevantes.
Os santos intercedem por nós
Segundo a Lumen Gentium, constituição dogmática do Concílio Vaticano II, a santidade de toda a Igreja é reforçada por quem já vive no Céu, graças à união mais íntima que esses habitantes têm com Cristo. Diante do Pai, eles seguem intercedendo e oferecem os méritos alcançados na terra através de Cristo Jesus, mediador único (LG 49; §956).
Prestes a falecer, São Domingos de Gusmão consolava os frades: ‘Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida’.
A mesma convicção foi expressa por Santa Teresinha, que prometeu: ‘Passarei meu céu fazendo bem na terra’. Já o Catecismo sintetiza: ‘Na oração, a Igreja peregrina é associada à dos santos, cuja intercessão solicita’ (§2692).
O que distingue os santos são as bem-aventuranças que Jesus anunciou no Sermão da Montanha, e é por isso que na Missa se lê essa passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 5,1ss). Por terem praticado todas as virtudes, os santos se tornam modelos de como seguir Cristo.
A felicidade eterna é prometida a quem é pobre em espírito, manso, sofredor, faminto e sedento de justiça, misericordioso, puro de coração, pacífico, perseguido em nome da justiça, e também a quem é alvo de calúnia, maledicência, ofensa pública e humilhação.
Do século IV ao calendário de hoje
Já no século IV, a Solenidade de Todos os Santos encontra suas origens. Em Antioquia, no primeiro domingo após Pentecostes, celebrava-se uma festa que homenageava todos os mártires.
Essa mesma celebração, na mesma data, foi adotada por Roma no século VI. Um século mais tarde, o Papa Bonifácio IV estabeleceu a data em 13 de maio, quando o ‘Panteon’ dos deuses romanos foi dedicado a Nossa Senhora e a todos os mártires.
Apenas em 835 é que o Papa Gregório IV mudou a festa para 1º de novembro.
Todos somos chamados à santidade
Cada pessoa é chamada a ser santa. O Vaticano II afirma que ‘todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade’ (LG 40).
A mesma vocação universal aparece no Evangelho: ‘Deveis ser perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito’ (Mt 5,48).
Essa perfeição, porém, exige a cruz: sem renúncia e sem combate espiritual (cf. 2Tm 4), ninguém alcança a santidade. Pela oração, pela mortificação, pela vida sacramental, pela meditação e pela luta consigo mesmo é que se chega, aos poucos, à paz e à alegria das bem-aventuranças.
São Gregório de Nissa (340) resumiu assim: ‘Aquele que vai subindo jamais cessa de ir progredindo, de começo em começo, por começos que não têm fim’.
Repórter
Jornalista profissional e repórter do Diário do Pará desde 2011, com 15 anos de experiência em jornalismo impresso. Atua principalmente na cobertura de meio ambiente, divulgação científica, história e patrimônio. Possui MBA em Jornalismo Digital e pós-graduação em Sustentabilidade e Responsabilidade Social. Atuou na cobertura internacional das conferências do clima da ONU: COP28 (Dubai, 2023), COP29 (Baku, 2024) e COP30 (Belém, 2025).
Jornalista profissional e repórter do Diário do Pará desde 2011, com 15 anos de experiência em jornalismo impresso. Atua principalmente na cobertura de meio ambiente, divulgação científica, história e patrimônio. Possui MBA em Jornalismo Digital e pós-graduação em Sustentabilidade e Responsabilidade Social. Atuou na cobertura internacional das conferências do clima da ONU: COP28 (Dubai, 2023), COP29 (Baku, 2024) e COP30 (Belém, 2025).
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
