Saúde e Bem-estarParkinson: atividade física ajuda a preservar memória e movimentos, aponta estudo Pessoas que passaram mais tempo em atividades físicas apresentaram uma redução mais lenta do desempenho cognitivo
Manter-se fisicamente ativo pode estar relacionado a uma evolução mais lenta de alterações na memória, no pensamento e nos movimentos em pessoas com doença de Parkinson. É o que sugere um estudo publicado em outubro na revista científica Neurology, da Academia Americana de Neurologia, que acompanhou 294 adultos com Parkinson leve a moderado por até sete anos.
Os pesquisadores observaram que as pessoas que relataram passar mais tempo em atividades físicas apresentaram, ao longo do acompanhamento, uma redução mais lenta do desempenho cognitivo e uma progressão mais lenta dos sintomas motores. O acompanhamento da cognição chegou a cinco anos, enquanto os sintomas relacionados aos movimentos foram avaliados por até sete anos.
Para avaliar a atividade física, os participantes responderam a questionários sobre o tempo semanal dedicado a atividades no trabalho, em casa, durante tarefas domésticas e em momentos de lazer. Entre os exemplos considerados pelos pesquisadores estavam caminhada acelerada, ciclismo, natação leve, tênis e até tarefas domésticas, como passar aspirador ou cortar a grama.
Um dos resultados chamou atenção para a importância do tempo total de atividade. Entre os participantes classificados no grupo com menor nível de atividade, a pontuação no teste cognitivo utilizado pelos pesquisadores caiu, em média, 0,478 ponto por ano. No grupo mais ativo, a redução estimada foi de apenas 0,007 ponto por ano. Também foi observada uma progressão mais lenta dos sintomas motores entre aqueles que relataram maior atividade física.
O estudo também sugere que a regularidade pode ser mais importante do que simplesmente realizar exercícios muito intensos. Quando os pesquisadores ajustaram os resultados pelo tempo total de atividade, a associação específica entre atividade vigorosa e a evolução da doença deixou de ser observada. Isso indica que permanecer ativo por mais tempo pode ter maior relação com os resultados encontrados do que simplesmente fazer exercícios de alta intensidade.
A doença de Parkinson é conhecida principalmente pelos sintomas motores, como tremores, rigidez e alterações nos movimentos, mas também pode envolver mudanças cognitivas ao longo da evolução. Por isso, os resultados chamam atenção para uma dimensão da doença que vai além da mobilidade e sugere que a atividade física pode estar relacionada tanto à preservação dos movimentos quanto a um declínio cognitivo mais lento.
Apesar dos resultados, os pesquisadores fazem uma ressalva importante: o estudo não prova que a atividade física seja responsável por retardar a progressão do Parkinson. Trata-se de uma pesquisa observacional, na qual os próprios participantes informaram seus níveis de atividade. Dessa forma, também é possível que pessoas com evolução mais lenta da doença tenham conseguido permanecer fisicamente ativas por mais tempo.
Outra limitação é que os participantes, em geral, apresentavam boas condições de pensamento e memória no início do acompanhamento. Por isso, os resultados precisam ser interpretados com cautela e não permitem afirmar que os mesmos efeitos ocorreriam em todas as pessoas com Parkinson. Os autores defendem a realização de novos estudos para entender melhor essa relação.
Ainda assim, a pesquisa acrescenta evidências ao conjunto de estudos que investigam o papel da atividade física no acompanhamento da doença. Para quem vive com Parkinson, a prática de exercícios e outras atividades deve ser adaptada às condições individuais e às limitações de cada pessoa, com orientação da equipe de saúde quando necessário.
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