Cruzeiro: Joãozinho e Byanca Brasil estão unidos por duas noites eternas e estreladas
Olho para o céu e vejo que cinco estrelas no meio da imensidão celeste cintilam com mais força e beleza. São 23h27 de sábado, 31 de outubro de 2026, mas não um sábado qualquer. O time feminino do Cruzeiro acaba de ser campeão da Copa Libertadores.
Não à toa são chamadas Cabulosas: quando perdiam por 3 a 0 para o favorito e hexacampeão Corinthians, correram mais que a velocidade da luz para empatar a peleja em 4 a 4, levar a decisão para os pênaltis e aí, na tensão das cobranças definitivas, vencer por 5 a 4 e levantar a taça inédita. A América explodiu esplêndida e celeste em um grito de gol: o Cruzeiro foi campeão da Copa Libertadores feminina pela primeira vez.
Esse mesmo grito foi ouvido por todo o continente na noite de 30 de julho de 1976. Há 50 anos, o time masculino, repleto de craques como Nelinho, Piazza, Zé Carlos, Palhinha e Joãozinho, pintou a América de Azul e branco. Lá em 1976, após vitória da Raposa no primeiro jogo, no Mineirão, e derrota em Buenos Aires, foi preciso a terceira partida para determinar quem ficaria com a taça.
Em Santiago, capital chilena assombrada pela ditadura de Augusto Pinochet, a partida seguia empatada em 2 a 2 – resultado que levaria a decisão aos pênaltis – até os 43 minutos do segundo tempo, quando o camisa 10 Joãozinho bateu a falta. Nelinho, o exímio cobrador, só viu o companheiro, ligeiro, partir para a bola. A pelota entrou, heroica e malandra, no canto direito do goleiro Landaburu. A América explodiu esplêndida e celeste em um grito de gol: o Cruzeiro era campeão da Copa Libertadores masculina pela primeira vez.
Os primeiros títulos do Cruzeiro na Copa Libertadores no futebol masculino e feminino são separados por 50 anos e foram conquistados de maneira dramática, marcados por luta, garra, gols, superação, lágrimas e sorrisos. Em 1976, Palhinha foi o artilheiro do torneio; e em 2026, coube à camisa 10, Byanca Brasil, ser a goleadora da competição. E por falar em camisa 10, ela era de Joãozinho, o Bailarino da Toca, autor do gol do título.
Em ambas as conquistas, não faltaram heróis e heroínas – e pode incluir aí nesse exército azul os milhões de torcedores que habitam essa Terra redonda feito uma bola de futebol e azulzinha como a camisa do Cruzeiro. Esses torcedores que aqui estão e também os que já se foram e bricam nos campos eternos, entraram em campo para dar carrinho e afastar o perigo no último lance do jogo. Não ouse duvidar.
Porque as noites de 30 de julho de 1976 e de 31 de outubro de 2016 serão sempre azuis e brancas e de todos nós, cruzeirenses, que agora olhamos para a América e a vemos assim, estrelada e bonita como nunca. Entre uma conquista e outra, há 50 anos de distância. O tempo, “compositor de destinos, tambor de todos os ritmos”, como cantou o poeta, é realmente maravilhoso: encarregou-se de unir esses dois títulos para toda a eternidade.
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