Entretenimento Anavilhanas exalta a diversidade dos povos e a pluralidade amazônica no Eco-Festival do Peixe-Boi
Novo Airão (AM) – Com o tema “Amazônias, gentes-florestas”, defendendo a pluralidade de povos, crenças e a diversidade da Amazônia, o peixe-boi Anavilhanas, das cores verde e branco, abriu neste sábado (31) a noite de disputas oficiais do XXVII Eco-Festival do Peixe-Boi, na Lagoa do Peixe-Boi em Novo Airão (município distante 200 quilômetros de Manaus).

O primeiro ato do espetáculo verde e branco teve início com a fala de Heitor Passos de Queiroz, filho do eterno apresentador Afonso Junior. Acompanhado de sua tia Nanny Queiroz, ex-porta-estandarte do Anavilhanas, ele entoou uma mensagem sobre a herança airãoense para as futuras gerações. Ao lado da Batucada Soberana, o cantor Erickson Mendonça “estremeceu o lugar” com a Galera Maravilhana.
Na primeira cena alegórica da noite, a agremiação apresentou “O Segredo da Noite”, trazendo à memória dos povos originários acerca do mito da cobra Boiúna, que protegia as florestas, rios e lagos da Amazônia. A grande serpente trouxe para a arena a Porta-Estandarte Náide Freire, que transmutada em cobra recebeu o pavilhão sagrado dos povos indígenas para sua evolução.
Concorrendo ao item Ala Temática, Fauna e Flora e Coreografia, o momento coreográfico foi protagonizado pelas crianças e adolescentes do Anavilhanas, acompanhadas da “Fauninha” e das “Borboletinhas”. Nas indumentárias do artista Aldo Cunegundes e com a participação do peixe-boi Anavilhanas, as crianças airãoenses dançaram representando a diversidade da fauna e flora amazônica.

Encerrando o primeiro ato, o cantor Erickson Mendonça concorreu ao item Canção Letra e Música Inédita com a canção-tema “Amazônias, gentes-florestas”, do poeta das Ilhas Gerson Pacheco.
Dando início ao segundo ato do espetáculo verde e branco, intitulado “Amazônia das Encantarias”, a agremiação verde e branca trouxe à Lagoa a pluralidade da Amazônia indígena-cabocla. Para representar a temática, foi apresentada a “Lenda do Peixe-Boi”, mito que deu origem à festividade airãoense, emocionando o público com a mensagem sobre a consciência ecológica, proteção às espécies amazônicas ameaçadas de extinção e o perigo da ação humana sobre a natureza.
No primeiro momento alegórico do segundo ato, “Kayara” o terror dos rios ganhou vida na arena. Dos encantamentos da Yara, mãe das águas, surgiu para sua evolução a estreante Geyse Andrade Baré, Deusa da Canção do Anavilhanas e a primeira mulher indígena a ocupar um posto de item oficial na história do Eco-Festival.
O terceiro e último ato do espetáculo do Anavilhanas recebeu o título de “Gentes-florestas e credos”. Apresentando a temática, Antônio Paulo destacou que a Amazônia é luta, pluralidades, batuques, crenças, e, principalmente, herança negra dos filhos e filhas do Quilombo do Tambor, uma comunidade quilombola presente no Parque Nacional do Jaú, em Novo Airão. Neste ato, a Batucada Sobena concorreu sob a liderança Mestre Márcio Cardoso.
O terceiro ato teve a participação de Pai André, puxando um ponto para Oyá, a senhora dos ventos, das tempestades, dos raios, do fogo e do movimento. Incorporada em búfala e em borboleta, Iansã trouxe a Garota Encanto da Batucada, Danielle Santos, para sua evolução na Lagoa.
Concorrendo ao item Mensagem Ecológica, o Anavilhanas defendeu Urihi. A concepção de que a terra-floresta é ameaçada pela ganância do capital desenfreado, que busca consumir tudo. Mas Urihi lembra-nos que quem devora a terra, devora também a si mesmo. Durante este momento, Hayowari Theri, pregou a mensagem contra as queimadas na Amazônia. No centro da arena, o Pajé canta floresta e o renascimento e de uma Pétala de flor, a Mãe Natureza Adriny Marques simboliza o renascimento da floresta em pluralidades.

O último momento alegórico da noite, trouxe para a arena o “Espírito Guardião” da floresta: o Bicho Folharal. De suas entranhas, surgiu o Deus Mauá Bruno Guedes, que veio para sua última apresentação na Lagoa do Peixe Boi. Após quinze anos defendendo o item, ele se despediu lembrando, em sua evolução, que antes de entrar na floresta, pedir licença ao grande guardião
Como último momento cênico-coreográfico, a Ala Temática concorreu exaltando a temática da pluralidade, defendida pelo Anavilhanas e apresentada na arena.
Durante a apoteose final, a agremiação trouxe à Lagoa todas as pessoas e credos que formam o Anavilhanas. Credos, crenças e fé foram exaltadas na arena e reverberando a mensagem de que a Amazônia não é escrita no singular, mas “Amazônias”.
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