Novembro de 2026 terá chuvas de meteoros, alinhamento planetário e conjunções celestes
Mês terá chuva de meteoros, aproximação entre planetas e encontros da Lua com estrelas; professor explica onde e como observar os fenômenos no Ceará
Notícia
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Publicado às 18:00, 31/10/2026
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Resumo
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Novembro de 2026 trará chuvas de meteoros, alinhamentos de planetas e aproximações da Lua.
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Eventos como as Táuridas do Sul (5/11) e do Norte (11-12/11) e Leónidas (17-18/11) ocorrerão.
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Um alinhamento de Mercúrio, Vênus, Marte e Júpiter está previsto para 14 de novembro.
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A Lua se aproximará de Régulo (3/11), do Aglomerado do Préspio (29/11) e de Júpiter, Régulo e Marte (30/11).
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A localização do Ceará próxima ao Equador favorece a visão de astros dos dois hemisférios, mas a poluição luminosa de Fortaleza pode prejudicar.
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Para melhor observação, recomenda-se buscar locais escuros e afastados da iluminação urbana.
Alguns eventos poderão ser acompanhados a olho nu, desde que as condições meteorológicas e a escuridão do local favoreçam a observação.
No Ceará, a localização próxima à Linha do Equador amplia as possibilidades de contemplar astros dos dois hemisférios celestes.
Por outro lado, a iluminação artificial de Fortaleza representa um obstáculo para quem deseja observar fenômenos mais discretos. Para explicar os destaques do mês e dar orientações ao público, O POVO conversou com Romário Fernandes, professor de astronomia.
Confira o calendário e saiba como aproveitar os eventos.
O que observar no céu em novembro?
- 2 de novembro: Lua próxima de Marte, com separação aparente indicada de 0°57', na constelação de Leão.
- 3 de novembro: Lua próxima da estrela Régulo, na constelação de Leão; haverá ocultação lunar visível em partes do Brasil e de outros países da América do Sul.
- 5 de novembro: destaque de atividade das Táuridas do Sul.
- 11 e 12 de novembro: pico das Táuridas do Norte, com previsão de até cinco meteoros por hora em condições ideais.
- 14 de novembro: alinhamento de Mercúrio, Vênus, Marte e Júpiter.
- 15 e 16 de novembro: aproximação entre Júpiter e Marte, observável principalmente na madrugada, segundo Romário Fernandes.
- 17 e 18 de novembro: pico da chuva de meteoros Leônidas; a observação é favorecida em locais afastados da poluição luminosa.
- 29 de novembro: Lua próxima do Aglomerado do Presépio, na constelação de Câncer.
- 30 de novembro: Lua próxima de Júpiter, Régulo e Marte, na constelação de Leão.
Chuva de meteoros abre os destaques de novembro
As chuvas de meteoros estão entre os fenômenos previstos para novembro. No início do mês, o calendário aponta atividade das Táuridas do Sul, com destaque em 5 de novembro.
Já as Táuridas do Norte devem atingir o pico entre os dias 11 e 12.
As duas chuvas têm radiantes próximos, mas em posições diferentes na constelação de Touro. As Táuridas do Sul aparecem a oeste e um pouco ao sul de Aldebaran, enquanto o radiante das Táuridas do Norte fica a noroeste da estrela. A previsão para as Táuridas do Norte é de até cinco meteoros por hora, em condições ideais.
O período será favorável à observação porque a Lua estará pouco iluminada, com cerca de 10% de iluminação indicada para o pico das Táuridas do Norte. A recomendação é procurar um local escuro e observar depois da meia-noite, quando o radiante estiver mais alto no céu.
Leônidas terão pico na madrugada de 17 para 18 de novembro
Outro destaque do mês será a chuva de meteoros Leônidas, também chamada de Leonídeas. O pico está previsto para a madrugada de 17 para 18 de novembro, quando os meteoros poderão ser vistos na direção da constelação de Leão.
A estimativa indicada no calendário é de aproximadamente 15 meteoros por hora em condições ideais. A chuva permanece ativa entre 6 e 30 de novembro, mas a melhor oportunidade de observação será durante o período de maior atividade.
Romário Fernandes pondera, porém, que as Leônidas não estão entre as chuvas mais expressivas do ano em quantidade de meteoros. Para o professor, vale a pena acompanhar o fenômeno, principalmente para quem estiver em um lugar afastado da iluminação urbana e puder dedicar algum tempo à observação.
Como a atividade máxima ocorre durante a semana, entre terça e quarta-feira, a experiência pode ser mais acessível a quem mora em regiões com pouca poluição luminosa. Não é necessário usar telescópio ou binóculo: basta olhar para o céu, preferencialmente em direção ao horizonte leste, onde a constelação de Leão aparece após a meia-noite.
Alinhamento de quatro planetas será destaque em novembro
Por volta de 14 de novembro, Mercúrio, Vênus, Marte e Júpiter devem aparecer reunidos em uma mesma região do céu.
O fenômeno é conhecido como alinhamento planetário e poderá ser acompanhado nos dois hemisférios, embora a posição dos astros em relação ao horizonte varie conforme a localização do observador.
Para quem estiver no Hemisfério Sul, a orientação indicada é procurar os planetas no céu nordeste. Mercúrio e Vênus estarão mais baixos, próximos ao horizonte, enquanto Marte e Júpiter aparecerão mais altos.
O professor Romário Fernandes também destaca uma aproximação entre Júpiter e Marte nos dias 15 e 16 de novembro.
Júpiter e Marte vão estar razoavelmente próximos e vai dar para ver bem mais na madrugada. É sempre muito bonito de ver: Júpiter com aquele brilho mais branco-amarelado e Marte com um brilho avermelhado. É uma conjunção legal de observar.
Romário Fernandes
Professor de astronomia
A diferença de tonalidade ajuda a identificá-los: Júpiter apresenta brilho branco-amarelado, enquanto Marte tem aparência avermelhada.
A aproximação é um dos eventos que merecem atenção no mês, especialmente para quem deseja reconhecer planetas a olho nu. Apesar de parecerem próximos quando vistos da Terra, os astros continuam separados por grandes distâncias no espaço.
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Lua passará perto de estrelas e planetas
Além das chuvas de meteoros e dos alinhamentos planetários, novembro terá encontros aparentes entre a Lua e outros objetos celestes. Essas aproximações, chamadas de conjunções, podem ser observadas a olho nu ou com auxílio de binóculos, dependendo do brilho e das condições do céu.
Em 3 de novembro, a Lua, com aproximadamente 33% de iluminação, passará perto da estrela Régulo, na constelação de Leão. O fenômeno também terá uma ocultação lunar da estrela visível em partes do Brasil, da Argentina, do Peru e da Bolívia.
No dia 29, a Lua, com cerca de 74% de iluminação, ficará próxima do Aglomerado do Presépio, na constelação de Câncer. A observação poderá ser feita a olho nu ou com binóculos, embora a luminosidade lunar possa dificultar a visualização de estrelas mais fracas do aglomerado.
Já em 30 de novembro, a Lua passará pela região de Júpiter, Régulo e Marte, todos na constelação de Leão. Os planetas e a estrela poderão ser identificados a olho nu, conforme as condições de visibilidade.
Por que Fortaleza favorece a observação do céu?
A posição geográfica de Fortaleza é uma vantagem para a observação astronômica. A capital cearense está a aproximadamente 3,5 graus ao sul da Linha do Equador, o que permite acompanhar uma grande parte dos dois hemisférios celestes.
Romário Fernandes explica que essa localização possibilita observar todo o hemisfério celeste sul e uma parcela significativa do norte. Com isso, fenômenos associados às duas regiões podem ser vistos a partir do Ceará, incluindo chuvas de meteoros características de cada hemisfério.
O professor ressalta, no entanto, que a posição geográfica favorável não elimina as dificuldades de observar o céu em uma cidade grande. A iluminação artificial, os prédios, a presença de nuvens em determinadas épocas e até o vento podem prejudicar a experiência.
O vento, por exemplo, interfere especialmente na observação com equipamentos montados em tripés. Como pode movimentar telescópios e outros instrumentos, dificulta a estabilidade necessária para acompanhar objetos com maior precisão.
Onde observar os fenômenos astronômicos no Ceará?
Para quem está em Fortaleza, a recomendação é procurar áreas afastadas do Centro e dos pontos com maior concentração de luz artificial. Embora a faixa litorânea possa parecer uma opção interessante, a iluminação da orla e de locais como a Beira-Mar reduz a visibilidade de objetos menos brilhantes.
De acordo com Romário Fernandes, um deslocamento de aproximadamente 50 a 100 quilômetros já pode proporcionar uma melhora significativa na observação. Para quem pretende encontrar um céu ainda mais escuro, o professor cita a região entre Canindé e Santa Quitéria como uma alternativa.
A área tem condições favoráveis por apresentar menor interferência da iluminação urbana e clima mais seco, com menos nuvens em comparação a outros locais. O afastamento dos grandes centros permite observar os astros com mais contraste e perceber detalhes que passam despercebidos nas cidades.
Como começar a observar o céu sem telescópio?
Quem deseja acompanhar o calendário astronômico não precisa começar comprando equipamentos caros. A orientação do professor Romário Fernandes é iniciar o aprendizado identificando a olho nu os objetos mais brilhantes e as principais constelações.
- Reconhecimento a olho nu
- Planetas de destaque: Comece observando Vênus, Júpiter e Marte.
- Constelações fundamentais: Identifique o Cruzeiro do Sul, Órion e Escorpião, fáceis de visualizar até mesmo no céu de Fortaleza.
- Pontos de referência: A partir de Órion e do Cruzeiro do Sul, aprenda a localizar constelações vizinhas, como Cão Maior, Touro e Centauro.
- Apoio de aplicativos digitais
- Utilize ferramentas de mapeamento estelar no celular para simular o céu em tempo real e ajudar na identificação dos astros.
- Recomendações do especialista: Stellarium, SkyMaps e Sky Tonight.
- Evolução para binóculos
- Modelos indicados: Opte por especificações como 7x50 ou 10x50 (que aumentam a imagem de 7 a 10 vezes e possuem lentes de 50 mm).
- Dica de estabilidade: Dê preferência ao uso de um bom tripé, pois segurar o equipamento apenas com as mãos dificulta a visualização e causa tremores.
- Cuidados antes de comprar um telescópio
- Evite modelos muito baratos: Instrumentos na faixa de R$ 500 a R$ 600 costumam ter baixa qualidade óptica e estruturas frágeis.
- Investimento recomendado: No Brasil, equipamentos de boa qualidade costumam custar a partir de R$ 1.500 a R$ 2.000.
- Logística prática: Avalie a facilidade de transporte, montagem e desmontagem antes de realizar o investimento.
Quando será o próximo eclipse visível em Fortaleza?
Quem aguarda um eclipse também tem datas para acompanhar nos próximos anos. Segundo Romário Fernandes, o próximo fenômeno com visibilidade em Fortaleza está previsto para 6 de fevereiro de 2027.
Será um eclipse solar anular, mas, na capital cearense e na maior parte do Brasil, a observação será de um eclipse parcial.
Em 2 de agosto de 2027, outro eclipse solar está previsto, mas não será visível em Fortaleza: a faixa de visibilidade ficará no Hemisfério Norte.
O professor também menciona eclipses lunares penumbrais previstos para fevereiro e agosto de 2027. Entretanto, explica que esse tipo de fenômeno costuma ter pouca relevância visual para o público, pois a mudança na aparência da Lua é muito discreta.
Para que o eclipse lunar seja mais perceptível, é necessário que seja parcial ou total.
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