Pela mentira ou pela força, legado da esquerda é caracterizar oposição como traidores

Todo eleitor da oposição – todos os que votaram contra a perpetuação da esquerda no poder – provavelmente tem um parente, ou vizinho ou colega de trabalho, que foi convencido de que eleitores de direita são extremistas. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)
Para a esquerda, a luta pelo poder não acaba quando os resultados da eleição são anunciados.
Após a eleição mais acirrada e confusa da história – um marco que, provavelmente, será superado pela próxima eleição – a marcha da insensatez segue acelerada.
A mídia está repleta de especulações tão absurdas sobre a viagem de Flávio Bolsonaro que são quase ofensivas. São palpites, sem base na realidade, apresentados como análises sofisticadas.
“Analistas” e jornalistas esqueceram o que aconteceu nos últimos tempos - o derretimento do devido processo legal, os atos populistas e ilegais do governo no período eleitoral, a campanha de mentiras e a decisão de um juiz (que deveria estar impedido) ampliando o horário de votação. Mas artigos publicados ontem, por dois dos maiores jornais americanos – The Wall Street Journal e The Washington Post – e pelo jornal alemão Welt lembraram tudo isso.
Sete minutos após o anúncio do resultado das eleições, a polícia política entrou em campo para confiscar o passaporte do perdedor. Quem considera isso democracia está cego pelo fanatismo.
Há intelectuais, artistas e jornalistas aplaudindo e fazendo julgamentos morais absolutos que ignoram o Estado de Direito e o devido processo legal. No Brasil de hoje, a punição antecede a investigação e o julgamento – mas só para a oposição e os dissidentes. A compreensão e a leniência são infinitas para o lado esquerdo. Para o direito, sobra a repressão.
A campanha da esquerda não foi apenas para vencer eleições, mas para caracterizar seus adversários como traidores que devem ser eliminados. A retórica continua sendo repetida
Mais uma vez, há quem enxergue justiça na perseguição porque já decidiu que o perseguido precisa ser culpado. A tentativa de manter a liberdade serve como evidência de crime.
“Se fugiu, é porque é culpado” – esse é o julgamento de intelectuais, analistas e jornalistas (vou economizar as aspas, mas elas sempre estão presentes nesses termos). Essa afirmação é parecida com o que a ativista de esquerda Ângela Davis, suposta defensora americana dos direitos civis, disse quando dissidentes soviéticos pediram sua ajuda para libertar presos políticos da União Soviética. Resumindo o cinismo e a falsidade criminosa da esquerda, ela disse: “Se foram presos, é porque têm culpa”.
Parece incrível – mas é isso que alguns jornalistas e analistas estão escrevendo.
A campanha da esquerda não foi apenas para vencer a eleição, mas para caracterizar seus adversários como traidores que devem ser eliminados. A retórica continua sendo repetida. E a tragédia é que essas ideias foram absorvidas por milhões de pessoas.
Todo eleitor da oposição – todos os que votaram contra a perpetuação da esquerda no poder – provavelmente tem um parente, ou vizinho ou colega de trabalho, que foi convencido de que eleitores de direita são extremistas perigosos que, se for preciso, devem ser monitorados, presos ou coisa pior.
Esse é o legado da esquerda.
Quando a vitória do PT na eleição foi anunciada, moradores do meu prédio e de edifícios vizinhos foram berrar nas janelas – mas não para dar vivas ao socialismo ou saudar a “justiça social” – eles foram gritar pedindo a prisão dos milicianos e golpistas.
O germe do ódio, inoculado desde a infância por professores ativistas (da creche ao pós-doutorado), inflamado pela mídia e levado ao paroxismo pelo líder da esquerda e seu “general” – que aplicou a mentira em escala industrial – corrói agora o tecido social e transforma colegas de trabalho, vizinhos e parentes em dedos-duros do regime.
Por isso, em muitas casas, nesse Natal não haverá famílias reunidas. De vermelho, nesses lares, só o papai Noel.

Roberto Motta
Roberto Motta é pesquisador da área de segurança pública. É autor de 4 livros: “Ou Ficar A Pátria Livre”, “Jogando Para Ganhar: Teoria E Prática da Guerra Política”, “Os Inocentes do Leblon” e "A Construção da Maldade: Como Ocorreu a Destruição da Segurança Pública Brasileira". É graduado em engenharia e mestrado em gestão. Foi um dos fundadores do Partido Novo e é comentarista na Jovem Pan News. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
