Gazeta do Povo
01/11/2026 18:00

Pela mentira ou pela força, legado da esquerda é caracterizar oposição como traidores

Todo eleitor da oposição – todos os que votaram contra a perpetuação da esquerda no poder – provavelmente tem um parente, ou vizinho ou colega de trabalho, que foi convencido de que eleitores de direita são extremistas. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

Para a esquerda, a luta pelo poder não acaba quando os resultados da eleição são anunciados.

Após a eleição mais acirrada e confusa da história – um marco que, provavelmente, será superado pela próxima eleição – a marcha da insensatez segue acelerada.

A mídia está repleta de especulações tão absurdas sobre a viagem de Flávio Bolsonaro que são quase ofensivas. São palpites, sem base na realidade, apresentados como análises sofisticadas.

“Analistas” e jornalistas esqueceram o que aconteceu nos últimos tempos - o derretimento do devido processo legal, os atos populistas e ilegais do governo no período eleitoral, a campanha de mentiras e a decisão de um juiz (que deveria estar impedido) ampliando o horário de votação. Mas artigos publicados ontem, por dois dos maiores jornais americanos – The Wall Street Journal e The Washington Post – e pelo jornal alemão Welt lembraram tudo isso.

Sete minutos após o anúncio do resultado das eleições, a polícia política entrou em campo para confiscar o passaporte do perdedor. Quem considera isso democracia está cego pelo fanatismo.

Há intelectuais, artistas e jornalistas aplaudindo e fazendo julgamentos morais absolutos que ignoram o Estado de Direito e o devido processo legal. No Brasil de hoje, a punição antecede a investigação e o julgamento – mas só para a oposição e os dissidentes. A compreensão e a leniência são infinitas para o lado esquerdo. Para o direito, sobra a repressão.

A campanha da esquerda não foi apenas para vencer eleições, mas para caracterizar seus adversários como traidores que devem ser eliminados. A retórica continua sendo repetida

Mais uma vez, há quem enxergue justiça na perseguição porque já decidiu que o perseguido precisa ser culpado. A tentativa de manter a liberdade serve como evidência de crime.

“Se fugiu, é porque é culpado” – esse é o julgamento de intelectuais, analistas e jornalistas (vou economizar as aspas, mas elas sempre estão presentes nesses termos). Essa afirmação é parecida com o que a ativista de esquerda Ângela Davis, suposta defensora americana dos direitos civis, disse quando dissidentes soviéticos pediram sua ajuda para libertar presos políticos da União Soviética. Resumindo o cinismo e a falsidade criminosa da esquerda, ela disse: “Se foram presos, é porque têm culpa”.

Parece incrível – mas é isso que alguns jornalistas e analistas estão escrevendo.

A campanha da esquerda não foi apenas para vencer a eleição, mas para caracterizar seus adversários como traidores que devem ser eliminados. A retórica continua sendo repetida. E a tragédia é que essas ideias foram absorvidas por milhões de pessoas.

Todo eleitor da oposição – todos os que votaram contra a perpetuação da esquerda no poder – provavelmente tem um parente, ou vizinho ou colega de trabalho, que foi convencido de que eleitores de direita são extremistas perigosos que, se for preciso, devem ser monitorados, presos ou coisa pior.

Esse é o legado da esquerda.

Quando a vitória do PT na eleição foi anunciada, moradores do meu prédio e de edifícios vizinhos foram berrar nas janelas – mas não para dar vivas ao socialismo ou saudar a “justiça social” – eles foram gritar pedindo a prisão dos milicianos e golpistas.

O germe do ódio, inoculado desde a infância por professores ativistas (da creche ao pós-doutorado), inflamado pela mídia e levado ao paroxismo pelo líder da esquerda e seu “general” – que aplicou a mentira em escala industrial – corrói agora o tecido social e transforma colegas de trabalho, vizinhos e parentes em dedos-duros do regime.

Por isso, em muitas casas, nesse Natal não haverá famílias reunidas. De vermelho, nesses lares, só o papai Noel.

Roberto Motta

Roberto Motta

Roberto Motta é pesquisador da área de segurança pública. É autor de 4 livros: “Ou Ficar A Pátria Livre”, “Jogando Para Ganhar: Teoria E Prática da Guerra Política”, “Os Inocentes do Leblon” e "A Construção da Maldade: Como Ocorreu a Destruição da Segurança Pública Brasileira". É graduado em engenharia e mestrado em gestão. Foi um dos fundadores do Partido Novo e é comentarista na Jovem Pan News. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

📄 Contenido indexado automáticamente. No es de autoría de altabusqueda.com; los derechos pertenecen a su fuente: Gazeta do Povo.
Ver nota original ↗
🤖 Profundizá esta noticia con OIMA (IA)

¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?

Respuestas de OIMA · IA, sobre esta noticia · Abrir OIMA Chat ↗
💬 0

Comentarios

También te puede interesar

Ucrânia combate em gasodutos subterrâneos e captura tropas da Rússia
Gazeta do Povo
Com drones próximos à linha de frente em zonas de alto risco, tropas passam a usar tubulações de gás para des…
Estudo de Stanford revela que o cérebro humano tem origens celulares distintas
Gazeta do Povo
Pesquisa de Stanford descobre que o cérebro humano surge de duas linhagens celulares distintas. Entenda o imp…
Dívida pública não é fantasma exclusivo do Brasil
Gazeta do Povo
A relação entre a dívida pública total dos países e o PIB mundial já acendeu o sinal vermelho entre especiali…
R$ 46 mil por mês: as pensões pagas a filhas solteiras pelo Senado
Gazeta do Povo
Lúcio Vaz diz que o Senado paga R$ 3 milhões por mês em pensões a 132 filhas solteiras, algumas há mais de 70…
The Economist afirma que mercado tem razões para estar consternado com eleição de Lula
Gazeta do Povo
Segundo a The Economist, há razões para a "consternação" e queda do mercado financeiro com a vitória de Lula.…
Flávio Dino consolida estilo de atuação baseado em decisões monocráticas no STF
Gazeta do Povo
Flávio Dino consolida poder no STF com decisões monocráticas e ativismo judicial, assemelhando-se ao estilo d…