R$ 46 mil por mês: as pensões pagas a filhas solteiras pelo Senado

Cúpula do Senado Federal. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Dezesseis filhas solteiras de servidores do Senado teriam renda acima do teto remuneratório constitucional de R$ 46.366,19, mas sofrem o abate-teto. Assim, suas rendas correspondem ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e dos próprios senadores.
A renda de Márcia Mendes Viana é de R$ 62.429,26. Além da remuneração de R$ 41.441, ela recebe R$ 20.988 em “vantagens”, mas sofre um abate-teto de R$ 27 mil. Márcia recebe pensão de Evandro Mendes Viana desde janeiro de 1988 — são 38 anos —, acumulando cerca de R$ 16 milhões em pensões.
Verônica Macedo Albuquerque ganharia R$ 56 mil — R$ 41 mil de remuneração, mais R$ 14.643 em vantagens —, mas sofre um abate-teto de R$ 16 mil. Ela recebe pensão de Antônio Cavalcanti Albuquerque desde março de 1978. São 48 anos, somando cerca de R$ 22 milhões.
Abel Ferraz de Macedo deixou uma pensão de R$ 54.774 para Daiane Macedo — R$ 50.556 de remuneração, mais R$ 4.218 em vantagens —, mas ela sofre um abate-teto de R$ 8 mil. É pensionista desde janeiro de 1985, acumulando aproximadamente R$ 22 milhões.
Quantas são as pensionistas
No total, são 132 filhas solteiras pensionistas do Senado Federal. Maria Raposo Albuquerque recebe R$ 44.706 de pensão deixada por Adherbal Albuquerque, após um abate-teto de R$ 8.117, desde abril de 1978.
Júlia Chermont teria uma pensão de R$ 54 mil. Com um abate-teto de R$ 15 mil, a remuneração ficou em R$ 39 mil. Com 43 anos como pensionista, os ganhos de Chermont totalizam R$ 20 milhões.
As despesas mensais com as pensões somam R$ 3 milhões. Por ano, são R$ 36 milhões.
As pensionistas mais antigas
Considerando os pagamentos mais antigos, Regina Lúcia Dutra, filha de Theotonio Dutra, recebe pensão desde dezembro de 1953, no valor atual de R$ 42.461, sem abate de teto. São 73 anos, somando R$ 37 milhões.
Maria Rosa Alves da Silva recebe pensão de Oscar Alves da Silva desde 1956. São 70 anos. Ela divide a pensão com Regina Célia Alves da Silva — cada uma recebe R$ 14.565 mensais, contabilizando R$ 24 milhões.
Milton Farias de Souza deixou uma pensão de R$ 42.599 para duas pensionistas a partir de junho de 1964. Cada uma recebe R$ 21.299.
Luiz Lourenço deixou uma pensão única de R$ 42.186 para Genilda Lourenço em fevereiro de 1967.
Walter Fonseca deixou uma pensão de R$ 43.150 para três dependentes a partir de abril de 1973. Cada um recebe R$ 14.383.
Acrísio Ferreira deixou uma pensão de R$ 42.599 para Ana Lúcia Ferreira a partir de janeiro de 1975.
Deusdedith de Araújo deixou uma pensão de R$ 45.643 — quase o teto remuneratório — para Zenilda da Silva, a partir de maio de 1976.

Lúcio Vaz
Lúcio Vaz é jornalista. Cobre política em Brasília há 40 anos, revelando a corrupção nos três poderes. Com passagens por O Globo, Folha de S. Paulo e Correio Braziliense. Ganhou os prêmios Embratel e Latinoamericano de Jornalismo Investigativo ao descobrir a Máfia dos Sanguessugas. É autor dos livros "A Ética da Malandragem - no submundo do Congresso" e "Sanguessugas do Brasil". **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.
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