"Mais de 90% dos acidentes envolvem médicos não especialistas
Mais de 90% dos acidentes relacionados à lipoaspiração no Brasil envolveriam profissionais sem especialização em cirurgia plástica, segundo o cirurgião Fábio Massaru Kuroyanagi, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional Mato Grosso.

A segurança começa pela escolha do cirurgião plástico e pela busca de um profissional devidamente habilitado
O alerta ocorre após a morte da jovem Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha, em decorrência de complicações após uma cirurgia de lipoescultura e colocação de próteses mamárias, em Cuiabá.
O procedimento foi realizado pelo médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, que admitiu não possuir Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Cirurgia Plástica.
Em entrevista ao MidiaNews, Kuroyanagi afirmou que a lipoaspiração está entre os procedimentos estéticos com maior ocorrência de complicações e destacou a importância de escolher profissionais qualificados.
"A segurança começa pela escolha do cirurgião plástico e pela busca de um profissional devidamente habilitado", afirmou.
O especialista também abordou os riscos das cirurgias estéticas, as principais tendências do setor e os cuidados necessários antes e depois dos procedimentos.
Confira os principais trechos da entrevista:
MidiaNews - Gostaria que o senhor fizesse uma avaliação do cenário da cirurgia plástica em Mato Grosso. Quais são os procedimentos mais procurados e qual é o perfil dos pacientes?

Ultimamente, temos observado um aumento na procura por resultados mais naturais
Fábio Kuroyanagi - Acredito que o perfil de Mato Grosso seja muito parecido com o cenário nacional. Os procedimentos mais procurados são a colocação de próteses de silicone, a lipoaspiração, a abdominoplastia e as cirurgias da face, como a blefaroplastia, que é a cirurgia das pálpebras, e a ritidoplastia [conhecida como lifting facial].
MidiaNews - O Brasil é um dos países que mais realizam cirurgias plásticas no mundo. Acredita que as redes sociais influenciam essa procura ou existem outros fatores que contribuem para esse cenário?
Fábio Kuroyanagi - Sim. O Brasil é o segundo país do mundo em número de cirurgias plásticas, atrás apenas dos Estados Unidos. Já fomos o primeiro, mas os Estados Unidos voltaram a ocupar essa posição.
Atualmente, os pacientes chegam muito mais informados ao consultório, graças às mídias sociais. Por isso, é importante verificar as informações, porque nem tudo o que circula nas redes sociais tem fundamento técnico ou está correto.
MidiaNews - Quais outros fatores também influenciam os padrões estéticos e estimulam a procura por cirurgias plásticas?
Victor Ostetti/MidiaNews

Fábio Massaru Kuroyanagi alerta para a importância dos cuidados e da prevenção antes de uma cirurgia plástica
Fábio Kuroyanagi - Existe essa influência. Nas redes sociais, surgem algumas tendências, assim como há um público com preferências mais tradicionais. Algumas pessoas procuram acompanhar essas tendências, enquanto outras preferem resultados mais tradicionais e naturais.
MidiaNews - Como o cirurgião pode equilibrar essas expectativas, considerando que as tendências estéticas mudam e que os resultados dependem das características de cada paciente?
Fábio Kuroyanagi - Cada cirurgião plástico tem seu próprio perfil. Ultimamente, temos observado um aumento na procura por resultados mais naturais.
Cada profissional tem, por assim dizer, sua assinatura. Por isso, é importante verificar qual é o pensamento do cirurgião plástico.
Como existem diferenças entre os profissionais, a paciente precisa ajustar suas expectativas. E, claro, o cirurgião, que lida com isso diariamente, também deve avaliar o que a paciente espera do procedimento.
MidiaNews - No cenário mato-grossense, existe alguma diferença entre os procedimentos mais procurados em Cuiabá e no interior do Estado?
Fábio Kuroyanagi - Acredito que não. Não existe um dado oficial, mas, em conversas com colegas, percebemos um alinhamento entre os perfis. Não identificamos uma diferença significativa entre as pessoas do interior e as da Capital.

Toda cirurgia plástica é uma cirurgia e, portanto, apresenta riscos
Particularmente, recebo muitas pacientes do interior, assim como existem pessoas que saem da Capital para realizar procedimentos no interior. As procuras são bastante alinhadas ao cenário nacional. No Brasil, de modo geral, não acredito que exista uma diferença muito grande.
Podemos ampliar essa análise para outros países e considerar questões climáticas e culturais. Em países tropicais, regiões mais quentes e locais com praias, por exemplo, pode haver uma procura maior por procedimentos de contorno corporal, devido à exposição do corpo e ao uso de biquínis.
No Brasil, há uma procura significativa por contorno corporal. Nos Estados Unidos, em regiões mais frias, onde as pessoas costumam cobrir mais o corpo, existe uma tendência de maior procura por cirurgias da face e rinoplastias. Como o Brasil é predominantemente tropical, acredito que esse contexto também influencie a demanda.
MidiaNews - Quais são os principais riscos envolvidos na realização de uma cirurgia plástica?
Fábio Kuroyanagi - Toda cirurgia plástica é uma cirurgia e, portanto, apresenta riscos. Entre as possíveis complicações estão hematomas, seromas, infecções, deiscências, trombose, embolia e complicações anestésicas.
Como em qualquer procedimento cirúrgico, precisamos buscar maneiras de minimizar esses riscos.
MidiaNews - Como?
Fábio Kuroyanagi - Primeiro, é recomendável realizar todos os exames pré-operatórios. Existe uma lista de exames, com pequenas diferenças conforme a avaliação de cada cirurgião, que pode solicitar um ou outro exame adicional.
Victor Ostetti/MidiaNews

Fábio Massaru Kuroyanagi: o preço não pode ser o fator determinante para realizar uma cirurgia plástica
Também é realizada uma consulta pré-anestésica. O anestesista faz parte da equipe e precisa avaliar o paciente antes da cirurgia.
Há ainda a avaliação cardiológica, conhecida como avaliação de risco cirúrgico, na qual o cardiologista examina o paciente e verifica suas condições para realizar o procedimento.
Além disso, é fundamental escolher bem o cirurgião. A preparação para uma cirurgia começa muito antes do procedimento, ainda na consulta e na escolha do profissional. Esse é um aspecto muito importante.
MidiaNews - Durante a escolha do cirurgião, a que as pessoas devem prestar mais atenção?
Fábio Kuroyanagi - O profissional mais capacitado para realizar esse tipo de procedimento é aquele que passou pela formação específica em cirurgia plástica.
Primeiro, é necessário concluir a formação em medicina e obter o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM). Depois que vira médico, faz a residência ou especialização em cirurgia geral. Depois do cirurgião geral, faz a residência em cirurgia plástica.
Portanto, são pelo menos 12 anos de formação, atualmente, até se tornar cirurgião plástico.
Depois da formação em cirurgia plástica, o profissional realiza uma prova de título de especialista. Quando é aprovado, pode solicitar o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) no CRM, que comprova sua qualificação para se apresentar como especialista em cirurgia plástica. Acredito que esse seja um caminho muito importante.
MidiaNews - Como analisa a atuação de profissionais que não têm esse registro, mas realizam cirurgias plásticas?
Fábio Kuroyanagi - Existe uma legislação no Brasil em que um médico pode realizar atos médicos em diferentes áreas. Então, um médico não é impedido de realizar uma cirurgia plástica por não possuir o RQE.

São pelo menos 12 anos de formação, atualmente, até se tornar cirurgião plástico
No entanto, ele não pode se anunciar como especialista sem ter a qualificação correspondente, pois isso infringe o Código de Ética Médica. Essa é uma particularidade da legislação brasileira.
MidiaNews - Então, realizar a cirurgia sem o RQE não é ilegal, mas anunciar-se como especialista sem ter essa qualificação pode configurar uma infração?
Fábio Kuroyanagi - Não é ilegal, mas fere o Código de Ética Médica.
MidiaNews - O senhor mencionou a importância dos exames pré-operatórios. Como alterações nesses exames podem afetar a realização da cirurgia e quais cuidados devem ser tomados em relação à estrutura hospitalar?
Fábio Kuroyanagi - Se algum exame estiver alterado, a cirurgia deve ser realizada nas condições mais adequadas possíveis. Se o paciente apresentar anemia, por exemplo, ela pode precisar ser corrigida antes do procedimento.
Pode haver necessidade de adiar a cirurgia, caso exista alguma condição que comprometa a segurança, como uma infecção urinária ou uma virose. Por isso, os exames pré-operatórios são tão importantes.
Em relação à estrutura hospitalar, para a realização de procedimentos de médio e grande porte, é fundamental contar com um centro cirúrgico adequado e uma equipe habilitada para realizar esse tipo de cirurgia.
MidiaNews - A equipe envolvida em uma cirurgia plástica é extensa e reúne diferentes profissionais.
Fábio Kuroyanagi - Sim. No mínimo, é necessário um cirurgião plástico. Normalmente, há também um cirurgião assistente, que geralmente é outro cirurgião plástico.
Além deles, temos o anestesista, a instrumentadora cirúrgica e um profissional responsável pela circulação da sala cirúrgica.
Portanto, são pelo menos cinco profissionais de saúde, sendo três médicos. Algumas equipes contam com dois profissionais na circulação da sala, mais de um assistente ou outros integrantes. Essa é a composição mínima que costumo considerar para a realização de uma cirurgia.
MidiaNews - Quais requisitos de infraestrutura são indispensáveis, independentemente de o procedimento ser mais simples ou mais complexo?
Fábio Kuroyanagi - A Vigilância Sanitária é responsável por avaliar e autorizar o funcionamento das instituições de saúde para determinados procedimentos. De acordo com a complexidade, o hospital recebe ou não autorização para realizar determinados tipos de cirurgia. Essa avaliação cabe à Vigilância Sanitária.
MidiaNews - Em quais situações uma cirurgia pode ser adiada ou contraindicada pelo profissional?
Victor Ostetti/MidiaNews

Fábio Massaru Kuroyanagi: a fiscalização e a atuação sobre não possuir registro de especialidade cabem ao CRM
Fábio Kuroyanagi - Isso pode acontecer quando algum exame apresenta alterações ou quando o paciente tem alguma comorbidade que não está controlada.
Uma pessoa com hipertensão, por exemplo, pode estar com a pressão arterial descontrolada. O mesmo vale para um paciente com diabetes sem controle adequado. O excesso de peso também é um fator importante a ser considerado.
Essas são situações relativamente comuns em que uma cirurgia pode ser adiada. Eventualmente, uma doença rara identificada durante os exames de rotina também pode levar ao adiamento ou exigir um planejamento mais cuidadoso.
MidiaNews - A cirurgia plástica também envolve custos elevados e algumas pessoas procuram procedimentos mais baratos, que podem representar riscos maiores. O que é indispensável considerar ao escolher um profissional, especialmente em relação ao preço?
Fábio Kuroyanagi - O preço não pode ser o fator determinante para realizar uma cirurgia plástica. Também não se deve ter pressa em tomar essa decisão de forma impulsiva, movida pela emoção.
É preciso avaliar o profissional que realizará o procedimento, verificar se ele é especialista, conhecer os hospitais em que opera e entender como será o acompanhamento pós-operatório.
Muitas pessoas se esquecem de que o tratamento não termina com a cirurgia. O cirurgião também precisa acompanhar o paciente depois do procedimento. Todos esses aspectos devem ser considerados na hora de escolher o profissional e decidir pela cirurgia.
MidiaNews - O acompanhamento pós-operatório é um ponto importante, principalmente porque algumas pessoas viajam para outros países em busca de cirurgias mais baratas. Quais complicações podem ocorrer nesses casos?
Fábio Kuroyanagi - As complicações de uma cirurgia plástica não acontecem apenas imediatamente após o procedimento. Algumas podem surgir dias depois, quando a paciente já não está no mesmo país que o cirurgião.
Nessas situações, a paciente pode ficar sem o acompanhamento do profissional que realizou a cirurgia. É difícil encontrar outro cirurgião disposto a assumir o acompanhamento pós-operatório de um colega, porque isso envolve uma grande responsabilidade e, muitas vezes, o novo profissional não conhece todos os detalhes de como a cirurgia foi realizada.
Por isso, é muito importante planejar o acompanhamento pós-operatório. Esse aspecto precisa ser considerado quando alguém decide realizar uma cirurgia longe de casa.
MidiaNews - Quais são as complicações mais comuns no pós-operatório?
Fábio Kuroyanagi - Existem complicações mais simples, como o seroma, que é o acúmulo de líquido, e o hematoma, que é o acúmulo de sangue. Também podem ocorrer infecções e deiscências, quando os pontos ou as bordas da ferida cirúrgica se abrem.
Essas complicações nem sempre aparecem imediatamente. A deiscência, por exemplo, pode ocorrer algumas semanas depois da cirurgia.
Também existem complicações mais graves, como trombose e embolia pulmonar. Uma viagem longa, na qual a pessoa permanece muito tempo sentada e sem movimentar as pernas, pode aumentar o risco de trombose. Isso pode acontecer, por exemplo, em um voo internacional de oito horas.
São complicações que podem surgir dias ou semanas depois da cirurgia. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental.
MidiaNews - Qual é o tempo médio necessário para a cicatrização de uma cirurgia plástica?
Fábio Kuroyanagi - A fase mais importante da cicatrização inicial ocorre entre o primeiro e o segundo mês, aproximadamente entre 30 e 60 dias.
Didaticamente, podemos dividir a cicatrização em algumas fases. O período em que a cicatriz ganha resistência é de aproximadamente 30 a 60 dias. Por isso, essa etapa exige um acompanhamento mais próximo por parte do cirurgião.
MidiaNews - Como o senhor avalia a fiscalização dos procedimentos estéticos realizados em Mato Grosso?
Fábio Kuroyanagi - A fiscalização deve ser realizada pelos órgãos competentes. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica não tem função fiscalizadora.
Nosso papel está mais relacionado à atuação entre os associados, à educação continuada, à organização de eventos científicos e à orientação e ao esclarecimento da população.
MidiaNews - Em relação à publicidade irregular, quando profissionais se apresentam como especialistas sem ter a qualificação necessária, como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica analisa essa situação? A entidade tem atuado nesse sentido?

Estamos sempre fortalecendo a formação científica para que os cirurgiões plásticos continuem evoluindo, aprendendo e se atualizando
Fábio Kuroyanagi - Essa é uma atribuição do Conselho Regional de Medicina. Quando um profissional anuncia uma especialidade sem ser especialista, a fiscalização e a atuação sobre essa conduta cabem ao CRM.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica não tem essa função fiscalizadora. Portanto, essa responsabilidade cabe principalmente ao Conselho.
MidiaNews - Atualmente, quais são as principais preocupações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em Mato Grosso, especialmente em relação aos projetos de conscientização e ao debate com outros profissionais?
Fábio Kuroyanagi - Podemos atuar dentro da nossa própria instituição. O papel da Sociedade é promover a educação continuada dos seus membros. Estamos sempre fortalecendo a formação científica para que os cirurgiões plásticos continuem evoluindo, aprendendo e se atualizando.
Também temos a função de esclarecer a população. Essas são as principais formas de atuação da entidade. Não temos atribuição para fiscalizar outras instituições ou outros profissionais.
MidiaNews - Que orientações o senhor daria à população que deseja realizar uma cirurgia plástica? O que deve ser considerado na escolha do profissional e na avaliação dos riscos e dos resultados?
Fábio Kuroyanagi - Antes de realizar uma cirurgia plástica, o primeiro passo é consultar o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Existe uma ferramenta chamada “Encontre seu cirurgião”, que permite pesquisar se o médico é membro da entidade.
O endereço é www.cirurgiaplastica.org.br. Acredito que essa seja uma etapa fundamental para iniciar a pesquisa sobre o profissional que realizará a cirurgia.
Também é importante verificar se o médico possui o RQE. A consulta ao site da Sociedade ajuda nesse processo, pois os profissionais encontrados na relação de membros devem atender aos critérios de qualificação exigidos pela entidade.
MidiaNews - Então, ter o RQE é essencial para aumentar a segurança na realização do procedimento?
Fábio Kuroyanagi - Sim. Se a prioridade é a segurança, é importante dar preferência a um profissional com a qualificação adequada.
MidiaNews - Recentemente, a jovem Lurdes Maria de Lima, de 24 anos, morreu após complicações de uma cirurgia plástica feita pelo médico Euller Gustavo Pompeu. A SBCP está a par desse caso? Houve alguma discussão interna ou alguma medida foi tomada?
Fábio Kuroyanagi - Sabemos pouco sobre esse caso, que está sob investigação. Tanto a regional quanto a entidade nacional já estão cientes da situação, mas ainda não temos muitas informações. O caso precisa ser avaliado e ainda não há nada definitivo que possamos informar.

No Brasil, percebemos que a lipoaspiração é um dos procedimentos em que mais temos observado complicações
MidiaNews - Quando casos semelhantes acontecem, como a Sociedade se mobiliza?
Fábio Kuroyanagi - Existe um trabalho de bastidores. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica mantém diálogo com o CRM e o Conselho Federal de Medicina (CFM). São discutidas questões relacionadas ao que pode ser feito, à legislação existente e às possíveis mudanças necessárias.
Vejo que, principalmente no âmbito nacional, a Sociedade tem trabalhado nos bastidores e conversado com representantes dos conselhos. Muitas questões legislativas são discutidas em Brasília.
Sei que a entidade também atua nos bastidores, mas ainda não temos nenhuma medida concreta que possamos anunciar.
MidiaNews - Nesse caso específico, a paciente realizava uma lipoaspiração. Esse tipo de cirurgia apresenta riscos elevados?
Fábio Kuroyanagi - No Brasil, percebemos que a lipoaspiração é um dos procedimentos em que mais temos observado complicações. Não vemos a mesma frequência de complicações em cirurgias isoladas de mama ou de face, por exemplo. Geralmente, há alguma associação com a lipoaspiração.
Um dado estatístico interessante é que mais de 90% dos acidentes relacionados à lipoaspiração ocorreriam com profissionais que não são cirurgiões plásticos e não possuem RQE. Esse é um dado antigo, e não sei se houve alguma atualização. Na época em que foi divulgado, era uma situação que chamava a atenção.
Toda cirurgia tem riscos. Sobre esse caso específico, não podemos afirmar o que aconteceu, porque ainda não temos informações suficientes. Mas a lipoaspiração é, de fato, um procedimento em que observamos mais complicações.
MidiaNews - Por que o senhor acredita que ocorrem tantas complicações nesse tipo de cirurgia?
Victor Ostetti/MidiaNews

Fábio Massaru Kuroyanagi: a segurança começa pela escolha do cirurgião plástico e pela busca de um profissional devidamente habilitado
Fábio Kuroyanagi - Não consigo apontar uma razão específica. É uma constatação baseada no número de complicações que observamos.
Em relação à legislação, existe uma exigência de formação em cirurgia geral para a realização de lipoaspiração. Quando essa lei foi elaborada, houve uma tentativa de estabelecer que o procedimento fosse realizado por cirurgiões plásticos especialistas, mas essa questão continua em discussão.
Esse debate também ocorre em Brasília e não depende apenas da atuação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
MidiaNews - Considerando os dados sobre complicações e a exigência de qualificação profissional, como analisa a necessidade de ampliar os critérios de segurança para a realização desse procedimento?
Fábio Kuroyanagi - A segurança começa pela escolha do cirurgião plástico e pela busca de um profissional devidamente habilitado.
No caso da lipoaspiração, existe uma legislação que exige que o médico tenha, pelo menos, formação em cirurgia geral. O ideal, na minha avaliação, seria que o procedimento fosse realizado por um cirurgião plástico.
Essa é uma pauta frequentemente discutida dentro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. A entidade também trabalha essa questão em Brasília, buscando a criação de uma nova lei ou a alteração da legislação existente para estabelecer a exigência de formação em cirurgia plástica.
Isso é muito importante, assim como a conscientização da própria população.
Ao escolher um profissional, o paciente deve dar preferência àquele que tenha a melhor qualificação possível. Optar por um cirurgião plástico que seja membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e possua RQE no CRM é outro fator importante para aumentar a segurança do procedimento.
Veja a entrevista na completa:
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