Gazeta do Povo
01/11/2026 23:12

Soldados da Ucrânia avançam por tubos de gás subterrâneos para cercar russos

Tropas ucranianas dizeram mais de 30 prisioneiros russos em operação em dutos de gás subterrâneos. (Foto: Reprodução 2º Corpo da Guarda Nacional (Khartiia))

As forças armadas da Ucrânia concluíram na última semana uma operação estratégica subterrânea na região de Kupiansk, no leste do país. Utilizando gasodutos desativados enterrados a quatro metros de profundidade, as tropas avançaram 15 quilômetros para surpreender o inimigo. A ação resultou na prisão de 30 soldados russos e na eliminação de outros 100 que usavam a rede para infiltração.

Como as tubulações de gás foram transformadas em um campo de batalha?

Em um cenário dominado por drones que vigiam cada movimento na superfície, qualquer deslocamento a céu aberto tornou-se extremamente arriscado. Para evitar ataques aéreos, os militares adaptaram estruturas civis desativadas como corredores logísticos. Esses canos de aço têm cerca de 1,2 metro de diâmetro e 1,5 centímetro de espessura, protegidos por uma densa camada de terra. Embora os soldados não consigam ficar em pé e precisem se mover curvados ou em pequenos veículos elétricos, o ambiente oferece o abrigo necessário contra a vigilância tecnológica constante das tropas ucranianas e russas.

Qual foi a estratégia utilizada pela Ucrânia na chamada Operação Veles?

A operação foi planejada após os ucranianos identificarem que os russos usavam a malha subterrânea para cruzar barreiras naturais, como o rio Oskil, sem exposição. Para retomar o controle, a unidade militar Khartiia estudou mapas antigos e consultou engenheiros civis. Durante a incursão, os combatentes enfrentaram os russos com metralhadoras e granadas dentro dos tubos. Quando o avanço travava, os ucranianos cortavam as paredes de aço, cavavam túneis paralelos na terra e reentravam na tubulação metros adiante, conseguindo flanquear e capturar as posições de defesa da Rússia no subsolo.

Por que destruir essas estruturas subterrâneas não é uma opção viável?

A destruição total da rede por meio de explosivos se mostrou praticamente impossível devido à alta resistência das tubulações. O aço reforçado das paredes, somado à pressão da espessa camada de solo acima, torna as explosões superficiais ineficazes contra a integridade do sistema. Diante dessa limitação técnica, a tática adotada passou a ser o entupimento e o bloqueio físico das passagens. Enquanto a Ucrânia tenta selar trechos para impedir novas infiltrações, as tropas russas tentam contra-atacar perfurando externamente as paredes dos tubos para desobstruir rotas e retomar passagens.

Essa tática de guerra subterrânea pode ser ampliada nos próximos meses?

O sucesso da incursão em Kupiansk motivou o comando ucraniano a avaliar a construção de uma rede de túneis planejada para conectar postos de observação, depósitos de suprimentos e unidades de apoio. Atualmente, parte da logística e da produção militar ucraniana já foi transferida para locais protegidos abaixo da superfície. Especialistas apontam que a experiência com os gasodutos industriais pode deixar de ser apenas um uso oportunista de infraestrutura abandonada para se tornar uma doutrina de defesa consolidada, visando manter o abastecimento e o fluxo de tropas a salvo dos drones.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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