Afeganistão cobra responsabilidade dos EUA em plano de deportação
O Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão pediu nesta segunda-feira (2) que os Estados Unidos ajam com responsabilidade ao deportar imigrantes afegãos de volta ao país. O governo afegão acrescentou que Cabul está preparada para manter um diálogo construtivo com Washington sobre o assunto.
Em comunicado divulgado no X, o Afeganistão afirmou que “expressa profunda preocupação com as notícias de que os Estados Unidos pretendem transferir alguns refugiados afegãos para o Paquistão, que ainda não conseguiram obter documentos de residência legal naquele país”.
“Os países terceiros não devem negociar o destino dos cidadãos de outro país em troca de benefícios temporários e limitados ou por outras considerações, nem prejudicar, em suas decisões e medidas, a dignidade humana, os direitos e os princípios jurídicos e humanitários reconhecidos”, acrescentou o comunicado.
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O governo afegão também afirmou que “está comprometido com qualquer interação e cooperação construtiva para garantir o retorno digno, seguro e voluntário de seus cidadãos” e considera sua responsabilidade assegurar os direitos e a proteção deles.
A manifestação ocorre após o governo do presidente americano, Donald Trump, anunciar planos de deportar mais de 150 afegãos. Entre eles estão familiares de pessoas que ajudaram as Forças Armadas dos Estados Unidos antes da volta do Talibã ao poder, informou o The New York Times no sábado (31).
Segundo o jornal, os EUA planejam levar os imigrantes afegãos de avião da Louisiana para o Paquistão, de onde devem ser expulsos através da fronteira para o Afeganistão.
Desde fevereiro deste ano, Afeganistão e Paquistão vivem um conflito marcado pelos combates mais intensos entre os dois países em anos.
Islamabad acusa Cabul de abrigar militantes responsáveis por ataques transfronteiriços. O governo do Talibã, por sua vez, nega acolher insurgentes contrários ao Paquistão e afirma que a atuação desses grupos é um problema interno paquistanês.
Na última quarta-feira (28), uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas após forças do Talibã afegão abrirem fogo contra residências civis e um mercado na região do Waziristão, no Paquistão, perto da fronteira entre os dois países. A informação foi divulgada por uma autoridade administrativa paquistanesa de alto escalão.
A violência ocorre poucos dias depois de o grupo afirmar que os problemas com o Paquistão poderiam ser resolvidos por meio da diplomacia.
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