AC24horas
02/11/2026 07:00

O badalado turismo do além

O Dia de Finados promete ser o evento mais agitado de Rio Branco, provando que, no fim das contas, o mercado que mais cresce é o da saudade. A Prefeitura espera cerca de 40 mil visitantes rodando pelos cemitérios da capital. Só o centenário São João Batista – que em 2026 sopra 117 velinhas e já abriga uma verdadeira metrópole subterrânea de até 100 mil sepulturas – deve receber umas 35 mil almas (vivas, no caso) entre 6h e 18h. A capital conta com cinco cemitérios oficiais, incluindo o São Francisco, o Jardim da Saudade e o Morada da Paz (o único “gourmet”, vulgo particular). Tem também a Cruz Milagrosa, na Transacreana, onde desde 1940 a turma faz fila para pedir milagres no túmulo do seringueiro Artur. Curiosamente, se você sair da capital, o Estado não faz a menor ideia de quantos cemitérios existem nos outros 21 municípios. Pelo visto, o censo do além parou nas fronteiras de Rio Branco.

Novembro Azul

O câncer de próstata matou cerca de 18,5 mil homens no Brasil em 2025. O dado reforça a importância da campanha Novembro Azul, que busca conscientizar a população masculina para os riscos desse tipo de tumor, o qual afeta a glândula responsável por produzir o líquido do sêmen que nutre e protege os espermatozoides. No Acre, o governo prepara uma série de atividades referentes à campanha e se faz necessária a presença dos homens nos pontos de ações.

Que fim levou?

Alguém aí lembra da Indústria de Leite de Soja inaugurada em Rio Branco pelo ex-prefeito Tião Bocalom? Desde esse fatídico dia, pouco ou quase nada se fala nesse empreendimento que prometeu reforçar a segurança alimentar nas escolas do município. A indústria de leite de soja foi inaugurada com poder de produzir até 4 mil litros por dia, em sabores como morango, chocolate, banana e doce de leite, ampliando a oferta de alimentos nutritivos na rede pública. Ocorre que vez por outra, passando pela Ceasa, o escriba dá de cara com o projeto de portas fechadas e nas escolas, nunca mais foi propagada a presença do produto. Fica a dica para mais divulgações.

Emendas na mira

A declaração da governadora eleita Mailza Assis sobre uma eventual “readequação financeira” no orçamento destinado aos demais poderes estaduais pode não ser ainda uma decisão sacramentada. Contudo, o simples sussurro da ideia já foi suficiente para acionar todos os alarmes na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Nos corredores, comenta-se que a expressiva maioria dos deputados não acolheu a sugestão de aperto de cintos com o entusiasmo cívico que se poderia esperar. A promessa de resistência irrestrita a qualquer redução nas emendas parlamentares — esse valioso instrumento de cidadania tão fortalecido na gestão do ex-governador Gladson Cameli — garante que o diálogo entre Executivo e Legislativo, nos próximos meses, será um verdadeiro e animado espetáculo de diplomacia.

Para Bittar, o “Coice!”

O excelentíssimo senador Marcio Bittar talvez devesse providenciar um abrigo seco para o seu cavalo, pois a montaria, ao que tudo indica, não seguirá a rota nem o cronograma desejado por Sua Excelência. Afinal, o animal já possui uma tutora legal. O afetuoso alerta emana dos bastidores mais íntimos — da própria “cozinha”, por assim dizer — do palácio da governadora. Se o senador está confundindo a elogiável serenidade da senhora Mailza com letargia ou submissão patriarcal, convém que desperte desse devaneio o quanto antes.

Reflexões Palacianas

A impressão que transborda pelos corredores do Gabinete Civil é uma só: a aura de “líder temível” que o senador tanto se esforça para projetar não vem surtindo o efeito intimidatório almejado. Internamente, o rugido de autoridade parece estar sendo recebido com a mesma gravidade de um miado afetuoso.

Como será?

Se promessa de palanque fosse adubo, o Acre já seria a maior potência agrícola da Via Láctea. A agricultura bombou em todos os discursos da campanha, mas o que a governadora Mailza vai tirar da cartola de inovador para o setor ainda é um mistério insondável. Independentemente de quem vá se sentar na cadeira para mandar plantar, a turma precisa, no mínimo, descobrir onde fica a roça e onde se quer chegar com ela.

Parem!

Aos assessores dos nossos iluminados parlamentares acreanos: que tal começarem a justificar o contracheque e avisarem aos chefes que a governadora Mailza Assis não funciona à base do grito? Tentar empurrar na marra é como querer fazer café com água fria — não sai e ainda amarga a relação. A tática da pressão só serve para desgastar o próprio deputado. Fica a dica de ouro: mudem o disco, porque esse já arranhou.

Verdade

Verdades inconvenientes precisam vir à luz. Lembra do anel viário de Brasileia? Pois é. A obra federal, que estava sendo tocada pelas mãos do Governo do Estado, teve que ser resgatada às pressas pelo DNIT. Foram tantas as “traquinagens” (para não usar um termo impublicável) por lá, que Brasília tomou as rédeas de volta. Se isso não serve de outdoor para provar que uma babá — digo, uma coordenação regional das ações federais — não é de todo injustificada, nada mais serve. Que comecem os jogos!

A Floresta Que Brasília Não Viu

O Serviço Florestal Brasileiro resolveu bancar o detetive botânico na Amazônia: contou 335 mil árvores, recolheu 31 mil amostras e entrevistou 8,5 mil pessoas em seis estados. No entanto, na hora de olhar para o Acre, a matemática federal sofreu um apagão. O estado foi solenemente ignorado na lista VIP de concessões florestais da União e engolido nos números genéricos do patrimônio de 322,4 milhões de hectares de florestas públicas do país. Resumo da ópera verde: temos árvore para dar e vender, mas Brasília não sabe exatamente onde elas estão, nem faz questão de nos colocar no mapa oficial do manejo sustentável. Pelo menos as formigas sabem o endereço.

Joabe quer fazer o sucessor

O atual presidente da Câmara Municipal de Rio Branco, Joabe Lira, articula-se com admirável destreza nos bastidores para eleger a próxima liderança da Casa. Para essa nobre missão, o edil fia-se no prestígio amealhado ao longo de seus dois anos de profícua gestão à frente da Mesa Diretora, além de contar com a sempre fraterna solidariedade dos parlamentares alinhados ao prefeito Alysson Bestene.

A Roleta-Russa da Saúde

Adoecer no Acre é um esporte radical que exige geolocalização privilegiada. O Atlas da Demografia Médica esfregou na nossa cara que 75,5% dos médicos do estado (1.164 jalecos) não abrem mão do conforto de Rio Branco, deixando os outros 21 municípios disputando a tapa os 378 profissionais restantes. Em Porto Acre, a estatística é tão mística que há apenas 0,45 vínculo médico por mil habitantes — ou seja, se você passar mal, será atendido pela metade de um doutor. Para coroar a ironia, dos 1.542 médicos acreanos, mais de 60% sequer têm o carimbo oficial de especialista no conselho. Diante desse cenário, se a doença apertar no interior, talvez seja mais garantido pular o posto de saúde e ir direto pedir uma receita para o seringueiro Artur na Transacreana.

O Doce Desafio da Escala

No Acre, a cadeia produtiva do mel preserva uma admirável — e, diriam alguns, obrigatória — essência artesanal. Os números atestam essa realidade de forma peculiar: a modesta produção (que o texto original, num lapso de entusiasmo açucarado, apontou como 8,6 mil toneladas, mas que a prudência matemática sugere ser apenas 8,6 toneladas) é fruto do suor de pouco mais de duzentos dedicados apicultores. Trata-se de um cenário incipiente, sem dúvida, porém dotado de inegável capilaridade social. Ele gera uma renda alternativa que jamais seria desdenhada pelos nobres trabalhadores da agricultura familiar.

Questão de Volume

O mel é apenas mais um produto a evidenciar a sutil diferença entre o que se entende por “produção em escala” e o perfil agropecuário adotado por estas paragens. Para fins de uma comparação meramente fraternal, o vizinho estado de Rondônia colhe mais de 240 toneladas anuais da iguaria.

Certo, Errado e Outros Dilemas

Longe de nós, defensores da paz federativa, insinuar que um modelo está irremediavelmente equivocado e o outro, absolutamente correto. Esta modesta coluna limita-se a expor os algarismos. Cabe ao distinto leitor, em sua infinita sabedoria, extrair o néctar de suas próprias conclusões.

Luz no fim do túnel

Parece que a Celeo Redes Brasil resolveu fazer uma pechincha digna de feira livre e arrematou o Lote 8 do leilão da Aneel oferecendo um generoso desconto de 48,02%. Com isso, a empresa vai receber “apenas” R$ 66,66 milhões por ano (uma bagatela de R$ 61,5 milhões a menos que o teto). A promessa agora é injetar R$ 753,2 milhões para garantir que o Acre e Rondônia não fiquem no escuro por conta dos humores das mudanças climáticas. O projeto promete gerar mais de dois mil empregos e instalar uns tais “compensadores síncronos” lá por Porto Velho em até 42 meses. Resta saber se o serviço entregue não virá com os mesmos 48% de desconto na qualidade.

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