Escala 7×0

Antes da Lei Áurea, a escala de trabalho dos escravos não lhes concedia um só dia de folga.
Verdade seja dita: o Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão, e isto se deu quando, no dia 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, embora diversas outras leis já houvessem sido aprovadas, entre elas: a Lei Feijó, em 1831; a Lei Eusébio de Queirós, em 1850; a Lei do Ventre Livre, em 1871; e a Lei dos Sexagenários, em 1885.
Claro que a aprovação da Lei Áurea tinha como seus maiores opositores os poderosos donos de terras, afinal de contas, àquele tempo, o trabalho escravo era a principal fonte de suas rendas. Dadas as suas influências junto ao imperador D. Pedro II — embora este não se declarasse contrário à escravidão —, foi preciso que sua filha, a princesa Isabel, na condição de regente do Império e dada a ausência do seu pai, que se encontrava na Europa, viesse a assinar a Lei Áurea.
Registre-se que, enquanto o movimento abolicionista ia avançando, outro movimento também ganhava força: aquele que pregava o fim do Império e o surgimento do regime republicano.
Outras questões de diversas naturezas, direta ou indiretamente, se faziam presentes nos debates políticos da época, entre elas a insatisfação dos militares com a falta de liberdade para se manifestarem politicamente após terem vencido a Guerra do Paraguai.
D. Pedro II também passou por desgastes junto à Igreja Católica devido à sua interferência nas punições aos bispos ligados à Maçonaria e, por fim, os cafeicultores paulistas, insatisfeitos com a Lei Áurea, deixaram de apoiar a monarquia.
Dali para frente, a permanência do Imperador D. Pedro II já estava seriamente ameaçada, isto é, com seus dias contados. E este dia chegou quando ninguém menos que o Marechal Deodoro da Fonseca, tido como aliado e fiel amigo do imperador, liderou o golpe que o depôs no dia 15 de novembro de 1889. Isto mesmo: o primeiro presidente da nossa República chegou ao poder através de um golpe.
À época, como uma antipropaganda ao fim da escravatura, diziam os grandes produtores e donos de terras que a economia brasileira, que já andava mal das pernas, não suportaria o fim da escravidão, tampouco teria condições de pagar salários sem a contrapartida das suas respectivas mãos de obra.
No presente, estamos discutindo o que irá resultar da escala 6×1 e da proposta de redução da jornada de trabalho, buscando uma nova ordem no relacionamento entre patrões e empregados. Quanto às novas propostas de escala, a exemplo do que ocorreu com o fim da escravidão, só espero que sejam bem-sucedidas.
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