O que está em jogo nas eleições da Assembleia do Ceará e da Câmara Municipal de Fortaleza
| DEPUTADOS E VEREADORES | Eleições definirão as novas mesas diretoras dos legislativos do Estado e da Capital. Ambos os presidentes têm planos de reeleição, mas cenários são distintos
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Publicado às 07:56, 02/11/2026
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Passadas as eleições que definiram deputados estaduais, federais, governadores, senadores e presidente do Brasil, o Ceará se prepara para a escolha da nova composição das mesas diretoras das casas legislativas.
Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) e Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) irão decidir entre a renovação ou a manutenção dos atuais presidentes. No Legislativo municipal, a definição ocorrerá até o fim do ano. Na esfera estadual, será na posse dos eleitos em 2026, em fevereiro. As eleições ganham novos contornos e contextos em função do resultado das urnas em outubro passado.
Romeu favorito na Alece
Tradicionalmente, é eleito presidente do partido de maior bancada, embora a regra seja flexibilizada em função de acordos políticos. O costume favorece a continuidade do PSB, com 13 deputados estaduais eleitos. O mais votado da sigla foi o atual presidente, Romeu Aldigueri, que saiu fortalecido do pleito.
Além de votação expressiva e participação de destaque na campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), a esposa de Romeu, Tainah Marinho (PSB), foi a deputada federal mais votada do Nordeste.
Aldigueri havia anunciado a intenção de concorrer a deputado federal, mas pouco tempo após as convenções partidárias, optou por disputar novamente uma vaga para estadual, em diálogo com líderes do governismo, dando mais credenciamento para continuar presidente.
Com a nova configuração da Alece, cresceram especulações de que Domingos Filho (PSD), ex-vice-governador e ex-presidente da Casa, poderia ser candidato a presidir novamente o Legislativo. O próprio, porém, descartou a possibilidade e acenou para apoio a Romeu.
"Nosso partido tem zero problema de votar no Romeu. Falei pro governador muito claramente que não tenho pretensão de ser presidente da Assembleia, não tem razão, voto no seu candidato (...) Todos os caminhos levam para uma reeleição do presidente Romeu e naturalmente contando com o apoio do nosso partido", disse.
Há dois anos, a escolha do presidente da Alece chegou a causar um breve rompimento entre o senador Cid Gomes (PSB) e o governo de Elmano. Após as eleições municipais, Elmano deu apoio a Fernando Santana (PT) para comandar o parlamento. Na época, o PT não era a maior bancada e acabara de eleger prefeito de Fortaleza. A maior representação era do então partido de Cid, o PDT, e o senador já havia se incomodado por a candidatura governista à Prefeitura ser pedetista.
O senador, já crítico da concentração de cargos importantes nas mãos do PT no Ceará, decidiu então romper com o governismo. Após tratativas, Fernando desistiu de ser candidato e então Romeu, do partido de Cid, próximo a Camilo e na época líder do governo Elmano, foi escolhido para comandar a Casa.
Em 2026, Aldigueri tem dialogado e já recebeu apoio de vários deputados. Ele já sinaliza composição da mesa com participação do próprio PSD. A vice-governadora e deputada estadual eleita, Jade Romero (PT), é cotada para estar na nova composição.
Como Gabriella Aguiar (PSD), atual vice-prefeita de Fortaleza e filha de Domingos, foi eleita vice-governadora do Ceará, o posto de vice da capital cearense ficará vago. E, na linha de sucessão do prefeito Evandro Leitão (PT), o número um passará a ser o presidente da Câmara. Será responsável por assumir em caso de viagem do prefeito ou afastamento por outra razão.
Como a vaga de vice de Evandro é ocupada pelo PSD, com a vice-governadora eleita, o partido não quer perder o espaço e tem dois vereadores cotados para comandar o parlamento. Ambos são próximos ao prefeito: Bruno Mesquita, líder do prefeito na Câmara, e Eudes Bringel, chefe de gabinete do Evandro. Leo Couto (PSB), atual presidente da CMFor, é também forte para ficar no posto.
A eleição será antes da escolha na Assembleia, em 1° de dezembro. As movimentações ainda não se aceleraram nem houve reuniões com Evandro. As principais articulações ocorrerão nas próximas semanas.
Na eleição do início do mandato, Couto não era a opção inicial do prefeito, mais próximo de Bruno e Eudes. Porém, em acordo com Cid para que o posto ficasse com o PSB, houve entendimento para dar a vice ao Leo, mas sem compromisso com reeleição. O PSD ocupava a vice, posição que ficará vaga em janeiro.
Além de se tornar substituto imediato do prefeito, o presidente da Câmara no próximo biênio terá o papel fundamental para a reeleição de Evandro em 2028, sendo responsável por comandar a tramitação dos projetos de interesse da administração da metade para o fim do mandato e também coordenar as articulações do prefeito. Terá papel estratégico ainda para a eleição dos vereadores.
Com a presidência da Assembleia encaminhada para o PSB, quase certamente com Romeu, e com o PSD "perdendo" o posto na vice-prefeitura, há desejo maior do partido em comandar a Câmara Municipal, cuja relevância será maior.
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