Bancos criam meios para bloquear lavagem de dinheiro de facções e de corrupção
A proposta é identificar operações incompatíveis com o perfil financeiro dos clientes
Instituições financeiras querem ampliar o monitoramento de transações suspeitas, cruzar dados e utilizar inteligência artificial para identificar recursos provenientes do crime organizado, corrupção e desvios de dinheiro público.
Os bancos brasileiros estão articulando novas medidas para dificultar a utilização do sistema financeiro na lavagem de dinheiro proveniente do crime organizado e de crimes contra a administração pública. Entre as estratégias estão o monitoramento mais rigoroso de movimentações suspeitas, o cruzamento de informações financeiras, o uso de inteligência artificial e o fortalecimento da cooperação com órgãos de investigação.
A proposta é identificar operações incompatíveis com o perfil financeiro dos clientes, rastrear movimentações destinadas a ocultar a origem de recursos ilícitos e detectar redes de contas utilizadas para fragmentar transferências e dissimular patrimônio.
Outra frente prevê o aperfeiçoamento dos mecanismos de comunicação entre bancos e autoridades como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Central e a Polícia Federal. A intenção é fornecer informações mais qualificadas para investigações e facilitar a identificação de estruturas financeiras utilizadas por organizações criminosas e agentes envolvidos em corrupção.
A inteligência artificial também deverá ganhar espaço na prevenção. Sistemas de análise de grandes volumes de dados poderão identificar padrões de movimentação, conexões entre contas e operações aparentemente isoladas que, analisadas em conjunto, podem revelar esquemas de lavagem de dinheiro.
As estratégias serão discutidas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nos congressos de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLDFT) e de Gestão de Riscos (GRISC), programados para 17 e 18 de novembro, em São Paulo.
Entre os participantes estão representantes do Banco Central, Coaf, Polícia Federal, Ministério Público e instituições financeiras.
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