HOMENAGEM Dia de Finados: fé e saudade marcam celebração em BH
Na entrada do Cemitério da Paz, no bairro Caiçara, na região Noroeste de Belo Horizonte, o movimento era marcado pela procura por flores para homenagear quem já partiu. Entre as pessoas que chegavam ao local, um grupo cantava louvores e placas com a mensagem “Jesus te ama” reforçavam o clima de fé que acompanhou a celebração do Dia de Finados, nesta segunda-feira (2/11). Durante a missa, presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom José Otacio Oliveira Guedes, a reflexão sobre a morte de Lázaro, narrada no Evangelho, trouxe uma mensagem sobre o luto, a esperança e a importância de permitir que a dor siga seu caminho.
Ao falar sobre a passagem bíblica, em que Jesus pede que Lázaro seja desatado e deixado ir, o bispo relacionou a mensagem à experiência de quem enfrenta a perda de alguém querido. “Talvez o que nós esperaríamos na sequência do texto fosse um encontro, um abraço. Mas Jesus diz: ‘Desatai-o e deixai-o ir’. Eu gostaria que essa palavra também tocasse o seu coração, nesse itinerário de luto e de dor: deixai-o ir”, afirmou.
Para dom José Otacio, a lembrança de quem morreu também precisa ser acompanhada da possibilidade de seguir em frente e cumprir a própria missão. “Há uma missão na vida, algumas mais, outras menos, mas todos nós temos uma missão. Se nós ficarmos carregando não memórias agradecidas, mas memórias pesarosas, queixosas, por vezes até com revolta, isso pesa sobre nós, e eu e você não vamos cumprir a nossa missão. Aquilo que toca a você e a mim é: deixai-o ir, para que você possa cumprir também a sua missão”, disse.
Fé como conforto diante da saudade
A assistente financeira Ivanilda Fonseca, de 59 anos, foi à celebração acompanhada da filha, Daniella Fonseca, de 34. Ela conta que tem familiares sepultados no Cemitério da Paz, entre eles o pai, dois irmãos e uma sobrinha. Para ela, participar da missa é uma maneira de homenagear essas pessoas e encontrar conforto na fé. “A fé traz esse aconchego, traz esse conforto. Eu faço questão de vir mais cedo, principalmente para assistir à missa. Eu sei que eles estão aqui comigo. Na verdade, eles estão o tempo todo, mas, espiritualmente, estão em toda parte”, contou.
Ivanilda também vê o Dia de Finados como uma oportunidade de lembrar não apenas os próprios familiares, mas todas as pessoas que deixaram saudade. “Eu vim para homenageá-los, e não só eles, mas todos os outros que estão aqui e as famílias que têm o mesmo sentimento que eu. Acho que a missa e essa homenagem são o mínimo que a gente pode oferecer a eles, para que jamais sejam esquecidos”, afirmou.
A auxiliar administrativo Maria Goretti também encontra na fé uma forma de lidar com a morte e manter a esperança. Para ela, a crença na vida após a morte ajuda a enfrentar a ausência de quem partiu. “A fé traz essa força porque a gente acredita que não acaba aqui, sabe? A morte não é o sinal de que tudo terminou. Existe algo especial que Deus está preparando para nós. Tem até uma frase de uma música que diz que ninguém sabe explicar o que Deus tem preparado para aqueles que, em vida, O amaram. Então, é essa fé que nos dá força, porque acreditamos que algo especial existe além da morte”, disse.
Além da oração, Maria Goretti procura manter a memória dos familiares presente nas conversas e nas lembranças do cotidiano. “Eu, particularmente, sempre rezo. Como católica, mando celebrar missas, lembro das coisas, falo sobre elas. Lembro: ‘Fulano fazia isso, fulano gostava daquilo’. Essas lembranças, eu acho que também mantêm a pessoa viva”, destacou.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
