APOSTAS ‘Exército do Lula’ se mobiliza e fala em ir às ruas contra bets
BRASÍLIA – Militantes de esquerda estão se mobilizando nas redes sociais contra a volta das bets no Brasil. O movimento ganhou força após o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux convocar uma audiência sobre os impactos da medida provisória (MP) que proíbe o funcionamento de empresas de apostas online.
Empresários do setor de apostas estão contando com uma decisão do Fux, relator da ação que pede a suspensão da MP. As duas principais associações das empresas de bets protocolaram, em 24 de outubro, um pedido para que o ministro determinasse, em caráter liminar, a suspensão da MP do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Fux marcou a audiência para terça-feira (3/11) em função da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8.027, movida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contra a MP publicada por Lula em 25 de setembro. Ela proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa (as bets) em todo o país.
Beneficiários das bets eram maioria para debate no STF
A princípio, Fux, relator da ADI, convocou 26 participantes para a audiência: clubes de futebol, associações do setor de apostas, confederações empresariais, emissoras de rádio e TV e órgãos do governo federal. Clubes de futebol, que tinham contratos milionários para exibir marcas de bets em seus uniformes, eram maioria.
Na lista, não havia nenhuma entidade de saúde pública, de defesa do consumidor ou de proteção de crianças e adolescentes. Foi isso, além da iniciativa por si só, que inflamou as redes sociais no fim de semana. Internautas começaram a compartilhar textos e banners contra a volta das apostas esportivas de forma regular.
Muitos convocavam os integrantes do “Exército do Lula”, o canal de mensagens criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) que se transformou em um dos fenômenos da campanha de Lula. A ferramenta reuniu mais de 10 milhões de pessoas nas três semanas anteriores ao segundo turno, vencido pelo petista.
Felipe Neto promete usar sua força nas redes sociais
Influenciadores digitais também entraram na campanha contra a derrubada da MP assinada por Lula. “É literalmente apenas isso que pode salvar o país da volta das bets e cassinos online”, escreveu Felipe Neto em post no X, domingo (1º/11), comentando a convocação de “o povo nas ruas” contra a legalização das bets. Ele tem 16 milhões de seguidores só nesta rede.
Felipe Neto fez questão de lembrar que fez publicidade de casa de apostas, mas se arrependeu e rescindiu o contrato. “Em 2022, cometi o maior erro da minha vida ao divulgar este lixo. 10 meses dps, cancelei o contrato, faltando quase 3 anos ainda. NÃO FIQUEI COM O DINHEIRO!!! Tudo foi doado. Prometo usar minhas redes com toda a força pra ajudar a impedir a volta desse câncer social”, escreveu.
A mobilização também envolve políticos de esquerda, como o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), que também se pronunciou pelo X: “Lula acabou com as bets, e já tem mais dinheiro circulando na economia. Mas para garantir isso, precisamos que o Congresso vote confirmando a MP de Lula. Não vamos deixar o lobby das bets ganhar essa.”
Ele lembrou que o Congresso Nacional precisa validar a MP. “Já vimos o resultado positivo do seu fim: com menos apostas, as famílias voltaram a comprar mais comida. Pressione o Congresso Nacional e vamos votar o quanto antes pelo fim das bets no Brasil!”, escreveu o parlamentar.
Uma MP tem efeito imediato, mas precisa passar pelo crivo do Congresso em até 120 dias. Caso contrário, perde a validade. Considerando os prazos máximos, a caducidade da MP das bets poderia ser empurrada até março de 2027. Representantes do setor apostam que a nova composição da Câmara e do Senado, mais à direita, poderá derrubar a MP de Lula.
Os donos de bets também apostavam em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para derrubar a MP de Lula. Durante a campanha, Flávio disse que era contra a proibição das bets. Flávio venceu Lula no primeiro turno por mais de 2 milhões de votos. Mas, em virada histórica, o petista foi reeleito no segundo turno com mais de 4 milhões de votos a mais que o rival.
Fux ampliou participação da sociedade em debate
Na quinta-feira (29/10), 39 organizações da sociedade civil enviaram a Fux um pedido para que a composição da audiência seja ampliada. Desde então, Fux também convocou o Comitê Paralímpico do Brasil (COB), a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf).
O COB seria destinatário de parte da arrecadação das bets, conforme previsto em lei federal. Já a Abras divulgou na semana passada que, nas duas semanas seguintes à publicação da MP proibindo as bets, as vendas dos supermercados subiram 6,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Com a ampliação, 34 entidades, órgãos e associações participarão do debate na Segunda Turma do STF, onde tramita a ADI que tem Fux como relator. Antes eram 26.
A nova lista inclui ainda representantes dos ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública, atendendo a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que defende a manutenção da MP das bets e pediu a rejeição das ações apresentadas ao STF.
Fux marcou a audiência para após o segundo turno eleitoral a fim de evitar acusações de interferência no processo eleitoral.
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