CotidianoUnesco registra 189 jornalistas assassinados no mundo em dois anos; Palestina concentra maior número de mortes Levantamento aponta que 127 profissionais foram mortos em países em zonas de conflito. No Brasil, um jornalista foi assassinado em 2025, no Pará.
Um total de 189 jornalistas foi assassinado em diferentes países durante 2024 e 2025, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (2) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O número representa o maior registro de mortes em um biênio na última década e evidencia os riscos enfrentados por profissionais de imprensa, principalmente em regiões marcadas por conflitos armados.
Do total, 127 assassinatos ocorreram em países que vivem situações de conflito, o equivalente a 67% dos casos. O número representa um aumento de 24% em comparação com o período de 2022 e 2023.
A Palestina lidera o levantamento, com 62 jornalistas mortos, aproximadamente um terço de todas as vítimas registradas no mundo. O território enfrenta ataques de forças israelenses desde 2023. Outras mortes ocorreram em diferentes regiões afetadas por guerras e confrontos armados.
Entre os casos registrados em zonas de conflito, 50 jornalistas morreram em ataques com drones. Pelo menos 36 foram mortos em ataques contra escritórios de veículos de comunicação ou instalações que abrigavam profissionais da imprensa. Em uma dessas ocorrências, nove jornalistas morreram no mesmo ataque.
A Unesco também identificou pelo menos 15 situações em que profissionais teriam sido alvejados mesmo utilizando coletes com a identificação de imprensa ou trabalhando em veículos claramente identificados.
Fora das zonas de conflito, foram registrados 62 assassinatos, o menor número em 18 anos. Entre as vítimas, 17 foram mortas em escritórios, 33 em veículos e 20 dentro de suas próprias casas, em alguns casos junto com familiares. Também houve mortes durante manifestações e ataques terroristas.
O levantamento aponta que 104 jornalistas foram assassinados enquanto cobriam conflitos armados. Outros 38 morreram durante a cobertura de assuntos políticos e 22 enquanto investigavam ou noticiavam atividades criminosas, além de casos relacionados à corrupção.
Para a Unesco, os dados demonstram que a cobertura de determinados assuntos também pode representar riscos elevados aos profissionais, mesmo fora de cenários de guerra.
Brasil
No Brasil, o relatório registrou um assassinato de jornalista durante o biênio. A vítima foi Luís Augusto Carneiro da Costa, conhecido como Luisinho Costa, morto em maio de 2025, dentro do estúdio da Rádio Guarany, em Abaetetuba, no nordeste do Pará.
Segundo a Polícia Civil do Pará, o inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça, com quatro pessoas indiciadas.
Impunidade
Além das mortes, o relatório chama atenção para a falta de responsabilização dos autores dos crimes. Desde 2006, 1.641 jornalistas foram assassinados no mundo, mas apenas 223 casos foram solucionados pelo sistema judiciário, o equivalente a 14% do total.
Outros 1.013 assassinatos permanecem sem solução, enquanto em 321 situações a Unesco não recebeu informações das autoridades responsáveis. Com isso, o índice de impunidade chegou a 86%, um ponto percentual acima do registrado em 2024. É a primeira alta desde 2012.
O documento também destaca outras formas de violência contra jornalistas, como sequestros, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias, ameaças pela internet e restrições à circulação dos profissionais.
No Brasil, uma das medidas mencionadas pela organização é o Protocolo Nacional para a Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, lançado em abril de 2026 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A iniciativa estabelece orientações para a investigação de crimes contra profissionais da imprensa.
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