Imirante
02/11/2026 11:55

Eleições nos Estados Unidos podem afetar dólar, juros e investimentos no Brasil

<p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://www.imirante.com/mundo"><strong>MUNDO</strong></a> – As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem ter reflexos sobre o dólar, os juros e a entrada de investimentos no Brasil. A disputa pelo controle do Congresso americano determinará o espaço do presidente Donald Trump para aprovar medidas sobre impostos, gastos públicos e regulação.</p><p>Conhecida como <i>midterms</i>, a eleição renovará as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. O resultado não altera o comando da Presidência, mas pode fortalecer o governo ou ampliar o poder da oposição democrata.</p><p>Segundo analistas ouvidos pelo g1, os efeitos sobre o Brasil dependerão tanto da composição das duas Casas quanto da reação dos investidores às perspectivas para a economia americana.</p><h3>Por que a eleição pode mexer com o dólar</h3><p>Um dos principais caminhos de transmissão passa pelos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, usados como referência para investimentos em todo o mundo.</p><p>As decisões do Congresso sobre despesas e impostos influenciam as expectativas para as contas públicas americanas. Medidas que aumentem os gastos ou reduzam a arrecadação podem elevar a preocupação com o déficit e pressionar os juros desses títulos.</p><p>Com rendimentos maiores nos Estados Unidos, investidores podem retirar dinheiro de países emergentes para aplicar no mercado americano. Para o Brasil, isso pode significar menor entrada de recursos e pressão de alta sobre o dólar.</p><p>As taxas de juros futuras brasileiras também podem subir, encarecendo o financiamento de empresas e consumidores.</p><p>Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, avalia que uma vitória republicana nas duas Casas daria a Trump mais espaço para avançar com cortes de impostos, desregulamentação e políticas comerciais mais duras.</p><p>Se essas iniciativas ampliarem o déficit público, poderão pressionar a inflação e os juros americanos.</p><p><i>“Isso tende a pressionar o dólar para cima frente ao real, elevar os juros futuros brasileiros e dificultar o desempenho da bolsa — especialmente de empresas mais endividadas e de setores sensíveis ao crédito, como varejo e construção”</i>, afirma.</p><h3>Vitória democrata pode limitar agenda econômica</h3><p>Na avaliação de Praça, o avanço dos democratas poderia reduzir o espaço para novas medidas de estímulo à economia e aliviar a pressão sobre os juros dos Estados Unidos.</p><p>Nesse cenário, investimentos em mercados emergentes poderiam ganhar atratividade, favorecendo a entrada de recursos no Brasil, a valorização do real e a queda dos juros futuros.</p><p>O movimento, porém, não seria automático. Conflitos entre o Congresso e a Casa Branca, especialmente em torno do orçamento, também podem aumentar a insegurança e provocar oscilações nos mercados.</p><p>Para empresas brasileiras que exportam, os efeitos podem ser diferentes dos observados em setores dependentes do crédito doméstico.</p><p><i>“Na bolsa, seria desigual: exportadoras podem se beneficiar de um dólar mais alto, mas perder se houver queda das commodities ou da demanda mundial”</i>, pondera Praça.</p><h3>Projeções favorecem democratas na Câmara</h3><p>As estimativas apresentadas na reportagem apontam vantagem democrata, principalmente na Câmara dos Representantes.</p><p>O modelo do <i>The Economist</i>, usado como referência pelo BTG Pactual, projeta 239 cadeiras para os democratas e 196 para os republicanos. A probabilidade estimada de maioria democrata é de 96%. Já a plataforma de previsões Polymarket atribuía 92% de chance ao partido.</p><p>No Senado, a disputa aparece mais equilibrada. O cenário-base do modelo próprio do BTG prevê 51 cadeiras democratas e 49 republicanas. A probabilidade de controle democrata variava de 65%, no Polymarket, a 72%, no modelo do banco.</p><p>Essas estimativas são projeções anteriores à votação e não representam resultados eleitorais.</p><p>O cenário ocorre em meio ao desgaste de Trump. A pesquisa Reuters/Ipsos citada no levantamento aponta que 66% dos americanos desaprovam sua gestão.</p><p>Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, associa parte dessa insatisfação ao custo de vida, especialmente aos preços dos combustíveis.</p><h3>Controle do Congresso define alcance da oposição</h3><p>Se os democratas conquistarem as duas Casas, poderão controlar a pauta legislativa e as comissões responsáveis pela fiscalização do Executivo. No Senado, também terão influência sobre a confirmação de indicados para cargos do governo, do banco central americano e da Suprema Corte.</p><p>Caso vençam apenas na Câmara, poderão dificultar a aprovação de projetos e de recursos, enquanto os republicanos manterão o controle do Senado. Trump continuará com poder de veto sobre propostas aprovadas pelo Congresso.</p><p>Andressa Durão, economista do ASA, avalia que a perda de força republicana reduziria a capacidade do presidente de aprovar medidas e ampliaria a fiscalização sobre sua administração.</p><p>Sung alerta, porém, que uma vitória democrata nas duas Casas também pode provocar instabilidade.</p><p><i>“Se isso acontecer, o impasse entre o governo e o Legislativo e o avanço de pautas de confronto, como discussões sobre um possível impeachment, devem aumentar a volatilidade nos mercados globais”</i>, afirma.</p><h3>Relação com o Brasil permanece como incerteza</h3><p>Além dos efeitos financeiros, os analistas acompanham a relação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a reeleição do brasileiro.</p><p>Na avaliação de Praça, a composição do Congresso americano pode influenciar a reação a novos atritos comerciais e políticos entre os países.</p><p>Uma vitória democrata, entretanto, não significaria necessariamente o fim das tarifas adotadas pelo governo americano. A Presidência dispõe de diferentes instrumentos da legislação comercial para estabelecer medidas sobre produtos importados.</p>
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