“Era minha única irmã, agora fiquei só eu”: mulher se emociona ao lembrar perda recente

O Dia de Finados, celebrado nesta segunda-feira (2), foi marcado por histórias de saudade, amor e despedida no Cemitério Jardim da Saudade, localizado no bairro Tancredo Neves, em Rio Branco. Entre os visitantes estava Maria Gomes da Silva, que, ainda abalada pela perda recente da única irmã, compartilhou com a reportagem do ac24horas uma história de amor familiar, dedicação e sofrimento.
A irmã de Maria morreu há apenas dois dias, após passar 30 anos acamada em decorrência de uma doença degenerativa. Durante todo esse período, recebeu os cuidados da mãe, que contou com a ajuda dos demais familiares.“Hoje, para mim, é um momento de tristeza. Eu não tinha o costume de vir ao cemitério, porque não tínhamos passado por uma perda assim. Mas hoje estou aqui por causa da minha irmã, que faleceu há dois dias. Ela passou 30 anos acamada, e minha mãe passou esses 30 anos cuidando dela, com a nossa ajuda”, contou.
Maria relatou que, apesar das dificuldades enfrentadas pela família ao longo de três décadas, o amor entre as duas irmãs permaneceu presente. Mesmo com a irmã acamada, as conversas, o carinho e a companhia faziam parte da relação. “Era minha única irmã. Eu não tinha outra irmã, só ela. Agora fiquei só eu. Tenho dois irmãos, mas irmã mesmo, para compartilhar as coisas, só tinha ela. Mesmo acamada, a gente conversava, ficava juntas. Tínhamos um amor muito grande. Ela me amava e eu amava ela”, relembrou.
A fala de Maria revela a dor de quem perdeu não apenas uma irmã, mas também uma companheira de vida. Foram 30 anos acompanhando de perto uma rotina de cuidados, dificuldades e esperança, até a despedida definitiva.
Em meio à tristeza, ela encontra na fé uma forma de compreender a partida da irmã.
“Foi um sofrimento para a gente, mas o Senhor resolveu recolher ela. Agora ficou a saudade que a gente sente e que vai permanecer”, afirmou.
Uma tradição que nasceu da saudade
Maria contou que nunca teve o hábito de visitar cemitérios no Dia de Finados. A morte da irmã, no entanto, mudou o significado da data para ela.
A partir de agora, o dia 2 de novembro será reservado para visitar o túmulo e recordar os momentos vividos ao lado de quem tanto amou.“Hoje estamos aqui somente pela saudade dela. Eu não tinha esse costume de vir ao cemitério, mas agora esse dia ficou reservado para todos os anos. E vamos vir também durante o ano, porque não é só no Dia de Finados que devemos lembrar e sentir saudade dos nossos entes queridos”, destacou.
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