Mãe de Leide das Neves leva flores ao túmulo da filha no Dia de Finados
Trinta e nove anos após perder a filha no acidente com o césio-137, Lourdes das Neves Ferreira levou flores ao túmulo de Leide das Neves nesta segunda-feira (2), Dia de Finados, no Cemitério Parque, em Goiânia. A menina tinha seis anos quando morreu e se tornou um dos principais símbolos da tragédia que marcou a capital goiana.
Na imagem encaminhada à reportagem, Lourdes aparece inclinada sobre a sepultura, junto aos arranjos colocados na superfície branca do túmulo. Ao fundo, outros visitantes percorrem o cemitério durante o feriado dedicado à memória dos mortos.

A homenagem ocorre poucos dias depois da reforma das sepulturas de Leide e de outras três vítimas do acidente radiológico: Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza. Os serviços incluíram a recuperação das estruturas e a substituição das placas de mármore. A manutenção foi solicitada pela Associação das Vítimas do Césio-137.
Uma infância interrompida
Leide morreu em 23 de outubro de 1987, no Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, para onde havia sido transferida para tratamento. A menina ingeriu partículas do material radioativo depois de ter contato com o pó que despertou a curiosidade de pessoas próximas à família.

O acidente começou em 13 de setembro daquele ano, quando um aparelho de radioterapia foi retirado das antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia, em Goiânia. O equipamento acabou vendido a um ferro-velho, onde foi desmontado, expondo o material radioativo que se espalharia pela cidade.
A gravidade da contaminação exigiu cuidados especiais no sepultamento. Os corpos das quatro vítimas foram colocados em caixões revestidos de chumbo. O enterro de Leide e Maria Gabriela, no Cemitério Parque, também foi marcado por protestos de pessoas que, por medo da radiação, tentaram impedir os sepultamentos.
Em relato publicado anteriormente pela Assembleia Legislativa de Goiás, Lourdes contou que também enfrentou o isolamento e os procedimentos de descontaminação após o acidente. Enquanto familiares recebiam atendimento no Rio de Janeiro, ela permaneceu em Goiânia, onde recebeu a notícia da morte da filha. Depois do sepultamento, precisou retornar ao abrigo em que estava alojada.
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