A Tarde
02/11/2026 15:00

POLÍTICA Governo Lula vê eleições nos EUA como decisivas para relação com Trump Brasília avalia que uma maior presença democrata no Legislativo dos EUA pode favorecer discussões

Eleições 2026

O resultado das eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira, 3, está no radar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em meio à crise diplomática entre Brasília e Washington, integrantes da gestão petista avaliam que a disputa pode indicar os próximos passos da relação bilateral e influenciar o andamento de negociações que permanecem sem avanços.

As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, são consideradas um teste para a força política e a popularidade do presidente Donald Trump. O pleito definirá a composição da Câmara dos Representantes, renovará parte do Senado e escolherá governadores de 36 estados americanos.

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Atualmente, o Partido Republicano controla as duas Casas do Congresso. Uma eventual vitória dos democratas pode reduzir a capacidade de articulação de Trump e impor dificuldades à aprovação de projetos de interesse da Casa Branca.

Interlocutores do governo Lula ouvidos pelo Metrópoles avaliam que o resultado da votação poderá produzir consequências para as relações com o Brasil. A expectativa é que as discussões bilaterais atualmente pendentes permaneçam em segundo plano até a definição do cenário político norte-americano.

Negociações aguardam cenário político

O impasse entre os dois países começou com a aplicação do tarifaço sobre produtos brasileiros e ganhou novos elementos com os desdobramentos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o Brasil e desembarcou em Miami.

A agenda bilateral também foi influenciada pelo calendário eleitoral brasileiro. Antes das eleições norte-americanas, a disputa presidencial no Brasil concentrou as atenções dos dois governos, diante da possibilidade de mudança no comando do Palácio do Planalto.

Com a reeleição de Lula, a expectativa em Brasília passou a ser por indicações mais claras sobre os caminhos que Trump pretende seguir na política externa. Até que haja maior definição sobre o ambiente político dos Estados Unidos, parte das negociações comerciais e diplomáticas continua sem perspectiva de avanço.

Um dos principais assuntos pendentes é justamente a negociação sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros. As conversas chegaram a ser retomadas em agosto, depois de uma ligação entre Lula e Trump, mas perderam força enquanto os governos aguardavam o resultado das eleições brasileiras.

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Na avaliação de integrantes da gestão petista, a falta de movimentação da Casa Branca naquele momento estava relacionada à indefinição sobre quem comandaria o Executivo brasileiro e, consequentemente, com quem os norte-americanos deveriam negociar.

O atual cenário de espera, entretanto, não representa uma interrupção completa das relações entre os países. A avaliação é que decisões com maior impacto político podem ficar adiadas até que os dois governos tenham mais clareza sobre suas respectivas conjunturas internas.

Possível avanço democrata interessa ao Planalto

A composição do próximo Congresso dos Estados Unidos também é observada pelo governo brasileiro pelos possíveis reflexos na agenda internacional. Caso os democratas conquistem uma ou as duas Casas legislativas, Trump poderá enfrentar mais resistência para aprovar propostas e ficará sujeito a uma fiscalização mais intensa da oposição.

A avaliação no governo Lula é que um Congresso com maior presença democrata poderia abrir espaço para pautas defendidas pelo presidente brasileiro, especialmente nas discussões sobre meio ambiente e regulação das grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs.

Esses assuntos, de interesse da administração petista, encontram menos espaço na agenda conservadora de Trump. Por isso, uma mudança na correlação de forças do Legislativo norte-americano é vista em Brasília como uma possível oportunidade para ampliar o diálogo em determinadas áreas.

Caso Flávio Bolsonaro aumenta tensão diplomática

Outro episódio que acrescentou dificuldades à relação entre os países foi a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. O senador descumpriu uma decisão judicial na última terça-feira, 27, e desembarcou em Miami, na Flórida, depois de obter vistos de permanência nos Estados Unidos.

O governo brasileiro também considera o suposto apoio da Casa Branca à saída do parlamentar um elemento de tensão. O episódio representa mais um desafio para a diplomacia brasileira, que tenta impedir que o caso seja conduzido sob uma perspectiva política e prejudique ainda mais as relações entre os dois países.

A orientação da gestão Lula é manter as negociações no campo institucional e evitar que a situação envolvendo o senador se transforme em um novo entrave para a retomada do diálogo com Washington.

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