SEM RESPOSTASSeis meses após morte de Matheus Rocha, família ainda espera por justiça Barbeiro e motociclista de aplicativo, Matheus Ferreira Rocha tinha 22 anos quando desapareceu na Grande Belém; corpo foi localizado em uma cova rasa, e familiares continuam cobrando respostas.
Seis meses depois de ter o corpo encontrado em uma cova rasa, no bairro 40 Horas, em Ananindeua, o assassinato de Matheus Ferreira Rocha, de 22 anos, continua cercado de perguntas. Barbeiro e motociclista de aplicativo, o jovem desapareceu após sair para trabalhar na Região Metropolitana de Belém. Desde então, familiares cobram a identificação dos responsáveis e a elucidação do crime.
Matheus estava desaparecido desde abril de 2026. O último contato com a família ocorreu no dia 22 de abril, enquanto ele aguardava a chuva passar para continuar o trabalho. Depois disso, o jovem não voltou para casa, dando início a uma mobilização de parentes e amigos em busca de informações sobre seu paradeiro.
Durante as buscas, a motocicleta utilizada por Matheus foi encontrada nas proximidades do bairro Tapanã, em Belém. A descoberta aumentou a preocupação dos familiares, que continuaram procurando pelo jovem e divulgando informações nas redes sociais.
No dia 2 de maio, equipes localizaram um sapato que Matheus usava quando desapareceu. No dia 4 de maio, o corpo foi encontrado enterrado em uma cova rasa, em uma área de mata no bairro 40 Horas, em Ananindeua. Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) participaram da localização.
A identificação ocorreu após a remoção do cadáver para os procedimentos periciais. Segundo informações divulgadas na época, o corpo apresentava pelo menos oito perfurações provocadas por disparos de arma de fogo. A violência do assassinato causou comoção entre familiares, amigos e moradores da Região Metropolitana de Belém.
Mãe de Matheus contestou boatos e falou sobre dívida
Após a confirmação da morte, a mãe do jovem, Isis Ferreira, fez um apelo por justiça e rebateu comentários que circulavam nas redes sociais sobre um possível envolvimento do filho com atividades criminosas.
Na ocasião, ela negou que Matheus tivesse ligação com esse tipo de atividade e afirmou que o jovem trabalhava como barbeiro e motociclista de aplicativo.
Isis também falou sobre uma dívida de aproximadamente R$ 2 mil que o filho teria assumido para ajudar um amigo a recuperar uma motocicleta apreendida. Segundo a mãe, Matheus estava pagando o valor e chegou a entregar bens pessoais, incluindo uma televisão, para cumprir o compromisso.
A família afirmou que tinha comprovantes dos pagamentos e contestou qualquer tentativa de associar o jovem à criminalidade.
Homem conhecido como Castanho foi citado pela família
No dia 12 de maio, a investigação ganhou um novo desdobramento. Isis Ferreira voltou a prestar depoimento à Delegacia de Homicídios Metropolitana (DHM), responsável pelo caso.
Na ocasião, familiares citaram um homem conhecido pelo apelido de “Castanho”. Segundo os relatos apresentados pela família, ele teria sido a única pessoa a ameaçar Matheus antes do desaparecimento.
As supostas ameaças estariam relacionadas à dívida mencionada pela mãe do jovem. A família também relatou que o homem teria sido baleado recentemente em Ananindeua e estaria internado em uma unidade de saúde.
Os parentes acreditavam que ele poderia ter informações importantes sobre o assassinato ou alguma ligação com o crime. Entretanto, a Polícia Civil não confirmou oficialmente a identidade do homem nem informou se ele era considerado suspeito formal no inquérito. Portanto, as declarações da família não representam uma confirmação de participação no homicídio.
Família criou perfil para manter a história viva
Diante da falta de respostas, familiares também decidiram ampliar a mobilização nas redes sociais. Para evitar que a história de Matheus caia no esquecimento, eles criaram um perfil no Instagram dedicado à memória do jovem e à cobrança por justiça.
A iniciativa utiliza a hashtag #JustiçaPorMatheus para reunir manifestações de apoio, compartilhar registros do rapaz e manter a repercussão do caso. A família busca mobilizar mais pessoas e reforçar o pedido para que as autoridades identifiquem os responsáveis pelo assassinato.
A campanha também funciona como uma forma de preservar a memória de Matheus, que tinha 22 anos e trabalhava como barbeiro e motociclista de aplicativo antes de desaparecer.
Polícia Civil mantém investigação sob sigilo
Em 5 de agosto, três meses após a localização do corpo, o Diário do Pará voltou a procurar a Polícia Civil do Estado do Pará (PCPA) para solicitar informações sobre o andamento do inquérito.
Na resposta encaminhada à reportagem, a corporação informou: “A Polícia Civil informa que o caso é investigado sob sigilo pela Delegacia de Homicídios Metropolitana (DHM).”
A manifestação não apresentou detalhes sobre possíveis suspeitos, diligências realizadas ou previsão para a conclusão da investigação.
Até aquele posicionamento, a Polícia Civil não havia divulgado publicamente a identificação dos responsáveis pelo assassinato nem esclarecido a motivação do crime.
Seis meses após a localização do corpo, familiares continuam buscando justiça por Matheus Ferreira Rocha. A autoria e as circunstâncias do homicídio permanecem como as principais questões que cercam o caso.
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