Diário do Pará
02/11/2026 15:00

AINDA SEM RESPOSTASQuem matou Evellyn Dantas? Veja o que se sabe sobre a execução em Mãe do Rio Assassinada em Mãe do Rio, influenciadora estava em liberdade provisória; autoria e motivação do crime ainda não foram esclarecidas publicamente.

São quase dois meses e a morte de Evellyn Lima Dantas continua cercada de perguntas. A influenciadora digital foi executada a tiros na madrugada de 16 de setembro, em Mãe do Rio, no nordeste do Pará. Passado todo esse tempo, a principal dúvida permanece: quem matou Evellyn e quem ordenou o assassinato?

Até a última atualização pública localizada sobre o caso, não havia informação de suspeitos presos pela execução. A Polícia Civil informou que investigava o homicídio, realizava diligências para identificar os autores e aguardava resultados de perícias e depoimentos de testemunhas. Uma publicação de 26 de setembro ainda apontava que ninguém havia sido preso pelo crime.

A informação é importante porque outras prisões ocorreram em uma investigação diferente, relacionada à morte do sargento da reserva da Polícia Militar, Antônio Anildo Alves. Essas detenções não significam que a polícia tenha identificado ou capturado os responsáveis pela execução de Evellyn.

Como Evellyn foi assassinada?

O crime aconteceu por volta das 3h30, no bairro São Francisco. Segundo os relatos divulgados após a ocorrência, dois homens invadiram a residência onde Evellyn estava com o pai. Os suspeitos renderam o familiar, retiraram a jovem de dentro do imóvel e atiraram várias vezes contra ela.

Depois dos disparos, os criminosos fugiram em um carro. Câmeras de segurança registraram parte da movimentação dos envolvidos, e as imagens foram entregues às autoridades para auxiliar na investigação.

Na fachada da residência, os autores deixaram a sigla TCP, associada ao grupo criminoso Terceiro Comando Puro. A inscrição passou a ser um dos elementos considerados na apuração. No entanto, a presença das letras no imóvel não comprova, por si só, a participação da facção no assassinato.

Há suspeitos presos pela morte da influenciadora?

Até as informações públicas mais recentes encontradas, não havia confirmação de prisão de suspeitos pela execução de Evellyn. A Polícia Civil não havia divulgado a identificação dos autores nem esclarecido quem poderia ter ordenado o crime.

Em nota reproduzida por veículos de comunicação, a instituição informou que a Delegacia de Mãe do Rio solicitou perícias, ouviu testemunhas e realizava buscas para identificar e localizar os responsáveis. A polícia também pediu que informações fossem repassadas pelo Disque-Denúncia, no número 181, com garantia de sigilo.

Por que Evellyn havia deixado a prisão?

A influenciadora estava em liberdade provisória havia poucos dias quando foi assassinada. Ela havia sido presa em 30 de julho, durante uma operação que investigava a morte do sargento da reserva Antônio Anildo Alves, assassinado em Mãe do Rio em 29 de julho.

Segundo as informações divulgadas durante a investigação, Evellyn era suspeita de fornecer apoio logístico a pessoas envolvidas no homicídio do militar. Ela também foi autuada em flagrante por suspeita de tráfico de drogas. As acusações, contudo, não representavam condenação.

A Justiça concedeu liberdade provisória em setembro, com imposição de medidas cautelares. Entre as determinações divulgadas estavam o uso de tornozeleira eletrônica, o comparecimento periódico em juízo e o recolhimento domiciliar em determinados horários.

A soltura não significou absolvição. Evellyn continuaria respondendo às acusações enquanto o processo seguia. Cinco dias depois de deixar a prisão, ela foi assassinada.

Polícia considera hipótese de retaliação ou queima de arquivo

Uma das linhas de investigação divulgadas após a execução considera a possibilidade de retaliação ou queima de arquivo. A hipótese ganhou força no debate público porque Evellyn era investigada no caso do sargento e, segundo informações da Polícia Militar, teria repassado dados considerados relevantes durante a apuração.

O comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rodrigo, afirmou que os investigadores trabalhavam com a possibilidade de uma ação motivada por retaliação ou tentativa de eliminar alguém que pudesse deter informações sobre o crime anterior.

Apesar disso, não há confirmação pública de que essa tenha sido a motivação. Também não foi comprovado que o TCP tenha participado da execução. A sigla encontrada na fachada e relatos sobre um suposto alerta recebido pela influenciadora são elementos que precisam ser verificados pelas autoridades.

Família contestou associação de Evellyn à morte do sargento

Depois da execução, familiares também se manifestaram publicamente. Em entrevista, a irmã de Evellyn contestou a associação da jovem ao assassinato do sargento Antônio Anildo Alves e afirmou que ela não teria participação no homicídio.

A família reconheceu que Evellyn respondia a acusações relacionadas a drogas e armas, mas criticou a forma como a jovem passou a ser apresentada após a prisão. A manifestação reforçou a necessidade de distinguir as suspeitas investigadas pelas autoridades de uma eventual comprovação de culpa.

A morte da influenciadora, portanto, deixou duas apurações que não devem ser confundidas: o processo em que ela era investigada e o inquérito que busca esclarecer quem a executou.

O que ainda falta esclarecer?

Mais de um mês após o assassinato, as principais respostas ainda não foram apresentadas publicamente. A investigação precisa esclarecer quem eram os dois homens que invadiram a casa, quem forneceu apoio à ação e se houve um mandante.

Também falta confirmar se a sigla TCP deixada na fachada tem relação efetiva com os responsáveis. A possível ligação entre a execução e as informações que Evellyn teria fornecido no caso do sargento continua sendo uma hipótese, não uma conclusão oficial.

Enquanto não houver identificação dos envolvidos, prisão dos suspeitos ou esclarecimento da motivação, o assassinato permanece sem solução pública conhecida. A pergunta que marca o caso continua sem resposta: quem mandou matar Evellyn Dantas?

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