Poder360 — Geral
02/11/2026 16:05

Parte do PT defende teto de juros proposto por André Lara Resende

Uma ala do PT próxima ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstra simpatia pela proposta de limitar os juros no país. A proposta integra as ideias defendidas pelo economista André Lara Resende, 75 anos, que participou da formulação do Plano Real, sobre o peso dos juros nas contas públicas.

Manifestações públicas da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do coordenador do programa de governo da campanha petista, José Sérgio Gabrielli, indicam receptividade a algumas das ideias apresentadas pelo economista.

No domingo (1º.nov.2026), Gleisi compartilhou nas redes sociais um artigo de Lara Resende sobre a política fiscal e monetária brasileira. Na publicação, a deputada classificou o texto como “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”.

Gleisi foi ministra da Secretaria de Relações Institucionais no governo Lula 3. Alguns integrantes da direção do PT defendem que ela retorne para o Planalto em 2027. Ela tentou ser eleita para o Senado nas eleições de 2026. Não conseguiu.

Depois da reação negativa no mercado à possibilidade da reunião entre Lara Resende e Lula, a ministra criticou o que chamou de “DNA do autoritarismo” do mercado financeiro.

Em em seu perfil no X, escreveu: “Membros do governo já disseram que não tem nada disso [uma reunião entre os 2]. E se tivesse, qual é o problema? Conversar sobre um tema ou uma proposta não significa encampá-la. Conversar, ouvir, é o básico da democracia, que defendemos e foi vitoriosa nas urnas”. 

Outro sinal de aproximação aparece em um texto de Gabrielli, enviado a jornalistas em 2 de novembro. Gabrielli afirma que merece atenção especial a proposta de Lara Resende de criar um mecanismo mais amplo do que o Conselho Monetário Nacional para coordenar as políticas fiscal e monetária no Brasil. Eis a íntegra (PDF – 469 kB). 

No texto “Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027 – Poucas lições tiradas do programa eleito com o presidente Lula”, Gabrielli argumenta que o debate sobre as contas públicas precisa considerar o impacto dos juros sobre a dívida. Segundo ele, os juros nominais do setor público consolidado passaram de R$ 586,4 bilhões em 2022 para R$ 1 trilhão em 2025, alta de 71,8% em valores correntes.

O economista afirma que esse montante supera a soma dos gastos com saúde e educação, que totalizaram R$ 364,4 bilhões em 2025. Para ele, o grande desafio da política econômica é reduzir as taxas de juros, que considera o principal fator de expansão da dívida.

Gabrielli compara o peso dos juros com o resultado primário. Em agosto de 2026, os juros nominais somaram R$ 1,2 trilhão em 12 meses, o equivalente a 8,9% do PIB. No mesmo período, o déficit primário do Governo Central correspondeu a 0,62% do PIB.

A proposta de Lara Resende também questiona a atual condução da política monetária e o peso dos juros sobre as contas públicas. O economista defende mudanças na institucionalidade responsável pela coordenação das políticas fiscal e monetária e apresenta mecanismos para reduzir o custo da dívida. Leia aqui a proposta do economista para acabar com os juros. 

Em 2022, houve rumores de que Lara Resende assumiria o comando do Ministério do Planejamento e Orçamento.

GOVERNO NEGA DISCUSSÃO

Apesar das manifestações favoráveis, integrantes do governo negam que o plano esteja na agenda oficial. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou no domingo (1º.nov), ao Valor Econômico, que não há encontro agendado entre Lula e Lara Resende.

Durigan também negou que haja interesse do governo em adotar a proposta do economista. A declaração foi dada em meio a informações sobre uma possível aproximação entre Lara Resende e o presidente.

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, também negou que as ideias estejam em discussão na administração federal. Disse por meio de nota que as propostas de Lara Resende não foram debatidas durante a campanha presidencial nem estão na pauta das discussões do governo.

“As propostas do economista André Lara Resende não foram discutidas na campanha presidencial e não estão na pauta das discussões do governo. Quem fala sobre economia é o Ministro da Fazenda e ele já esclareceu de forma clara e direta, nesta direção. O presidente Lula sempre governou assegurando transparência e previsibilidade da política econômica”, diz a nota. 

Questionado pelo Poder360 sobre um encontro entre Lara Resende e Lula nesta semana, o Planalto afirmou que a agenda do presidente para os próximos dias não foi decidida.

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