O Tempo
03/11/2026 07:30

Caporezzo: desafio de Cleitinho é montar uma boa equipe em MG

O principal desafio do governador eleito de Minas Gerais, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), será montar uma equipe competente para ajudá-lo a governar, afirma o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), que venceu a disputa por vaga na Câmara Federal nas eleições 2026. "Cleitinho é conhecido por sua humildade. Ele se expressa como uma pessoa que sabe que precisa de ajuda. A política é um ambiente que favorece  a prepotência, a arrogância. Quando a pessoa tem a humildade de saber o que sabe, mas, principalmente, de saber aquilo que não sabe, ela vai chamar pessoas competentes para ajudá-la", disse o parlamentar.

Caporezzo foi um dos apoiadores da candidatura de Cleitinho ao Palácio Tiradentes à época em que o hoje governador eleito ainda não havia decidido que entraria na disputa. Em seguida, com a decisão do PL de lançar o empresário Flávio Roscoe, o deputado concordou com o posicionamento da legenda. O deputado, posteriormente, voltou a apoiar Cleitinho na disputa. "O único candidato matematicamente com chances de vencer a fatura no primeiro turno em Minas, e afastar qualquer chance do PT ter possibilidade de vitória no estado, era Cleitinho", justificou Caporezzo, que participou do Café com Política, disponível no canal de O TEMPO no YouTube.

Um aliado de Cleitinho que terá papel relevante no governo é seu vice, o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, escalado pelo senador para liderar a equipe de transição de governo. É possível que o ex-prefeito de Patos seja também indicado para uma secretaria. Caporezzo diz que o sucesso do governo vai depender ainda da capacidade de Cleitinho de renegociar a dívida do estado, hoje em cerca de R$ 210 bilhões.

O governo de Romeu Zema (Novo) aderiu ao Propag, o programa de pagamento da dívida dos estados, mas a expectativa é que uma nova rodada de negociação seja aberta entre Minas e Brasília. "Tenho observado de maneira muito positiva a aproximação de Cleitinho com o deputado estadual eleito Vittorio Medioli  (PL), que é um cara competente porque já mostrou que tem competência tanto na esfera pública como na privada. E eu espero que o Vittorio tenha uma carta branca do Cleitinho para ajudar o estado de Minas com o problema da dívida, porque é, na minha percepção, a pessoa mais qualificada para essa missão difícil", declarou Caporezzo.

Passado

Apesar de o PL integrar a base dos governos de Romeu Zema e Mateus Simões (PSD), que assumiu o Palácio Tiradentes em março deste ano com a saída do filiado ao Novo para disputar a Presidência da República, Caporezzo afirma ter atuado de forma independente na Assembleia. Ao avaliar a gestão Zema, o deputado disse que se tratou de um governo "de sorte". "Porque quando você pega uma terra arrasada, e você faz o plantio de uma arvorezinha, nasce um verdinho, todo mundo fala, existe um verde aqui onde antes era tudo cinzas. Foi isso que o governador Zema fez. Ele pegou uma terra arrasada pelo pior governador de Minas Gerais, que foi Fernando Pimentel, e conseguiu pagar o salário dos servidores em dia", disse.

A partir disso, conforme o deputado, houve um entendimento por parte da sociedade de que Zema foi "um gestor incrível", o que, segundo o parlamentar, não corresponde com a realidade.  "Ele encheu Minas Gerais de pedágio. Todos custando mais de R$ 10. Teve local em que não houve acostamento sendo feito, que nem mesmo pintaram as faixas da rodovia. E o povo sendo extorquido. (O governo estadual) tentou colocar pedágio entre Belo Horizonte e o Aeroporto de Confins", exclamou o deputado federal eleito. O futuro parlamentar em Brasília disse não querer integrar o governo de Cleitinho. "Se a gente tivesse uma secretaria de segurança pública com um trabalho junto às forças de segurança pública no total, seria algo que  aceitaria". Segundo o parlamentar, em Minas o comandante da PM se reporta diretamente ao governador, e não ao secretário, o que esvazia a pasta.

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