Tecnologia permite antecipar riscos e reduzir danos de eventos climáticos
A previsão de El Niño para novembro acende alertas de riscos que precisam ser antecipados por cidades e empresas responsáveis por serviços essenciais.
Novos eventos climáticos extremos, com chuva e vento fortes, têm potencial para provocar quedas de árvores e galhos sobre redes elétricas, interrompendo o fornecimento de energia por dias, bloqueando vias e, em situações mais graves, colocando vidas em risco.
Esperar que os danos aconteçam para então agir não é suficiente. O avanço de tecnologias capazes de cruzar dados meteorológicos, informações sobre a arborização urbana e características da infraestrutura permite transformar a prevenção em planejamento, identificando antecipadamente áreas de maior risco e direcionando ações de poda ou remoção antes que um evento extremo transforme vulnerabilidades conhecidas em problemas.
Dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) apontam que cerca de 40% dos cortes de energia são causados por vegetação, enquanto há distribuidoras de energia que indicam que esse índice pode chegar a 80%.
Historicamente, quedas de galhos ou árvores na rede respondem por cerca de 15% a 25% nos cortes de energia totais das distribuidoras em grandes áreas urbanas arborizadas ou rurais, conforme dados de julho deste ano da Cooperativa Regional de Energia Taquari Jacuí (Certaja Energia). Quando somada a fatores combinados, como vento forte ou temporais que projetam galhos na fiação, essa pode ser a causa correlacionada de até 50% das horas de interrupção do abastecimento.
Plataformas já disponíveis são capazes de cruzar previsões meteorológicas com inventário de ativos para otimizar podas, por exemplo. Ferramentas conseguem identificar áreas de risco climático e localização das árvores para disparar ordens de serviço automáticas de corte ou remoção, além de rastrear a realização do serviço.
Outra possibilidade desses aplicativos é catalogar a vegetação de grande porte sob redes elétricas primárias e secundárias, vinculando-as a alimentadores específicos. Essa base permite priorizar podas com base em critérios climáticos ou na proximidade de locais críticos, como hospitais, e manter um histórico completo de intervenções para atender às exigências da regulamentação da Aneel.
Existem plataformas que dispõem ainda de recursos de leitura de imagens baseados em inteligência artificial. O sistema utiliza câmeras embarcadas em veículos para capturar imagens e calcular o estado de saúde das árvores. Essa análise adicional é relevante porque espécimes comprometidos apresentam maior propensão a quedas e falhas estruturais.
Sabemos que eventos climáticos extremos não podem ser evitados, mas muitos de seus impactos podem. A tecnologia permite antecipar riscos, orientar ações preventivas e reduzir danos à infraestrutura e à população. Diante disso, esperar que o problema aconteça para então agir deixa de ser inevitável e passa a ser uma escolha. E, quando existem ferramentas capazes de prevenir, não há mais desculpas para não utilizá-las.
* Bruna Tessari é engenheira civil. Atua como Business Developer na Kartado Tecnologia, conduzindo análises de mercado e expansão de novos negócios de tecnologia e inovação.
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