Médica apertou botão do pânico minutos antes de ser executada

A médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, acionou o botão do pânico minutos antes de ser executada a tiros em Brasiléia, no interior do Acre. A Polícia Civil informou, em nota divulgada nesta terça-feira (3), que a vítima teria usado o dispositivo de proteção, ligado a uma medida protetiva anterior, mas que “não houve tempo hábil para impedir o ataque”.
Segundo a página Rota Norte Notícias, que colheu relatos no local, Elyne acionou o dispositivo ao perceber que um homem, contra quem tinha medida protetiva, rondava o bar repetidas vezes. A publicação afirma que nenhuma guarnição foi deslocada e que os responsáveis pelo monitoramento apenas retornaram a ligação para dizer que tentariam contato telefônico com o investigado, a fim de pedir que ele se afastasse. Essa informação não consta na nota da Polícia Civil.
Ainda de acordo com a página, amigos que presenciaram o ataque relataram que a médica havia confidenciado que vinha sendo ameaçada e disse que “de hoje não passava”. Consultas ao sistema policial indicaram dois boletins de ocorrência registrados por ela por ameaça e descumprimento de ordem judicial, em 25 de agosto e em 11 de setembro de 2026. O processo tramita em segredo de justiça.
Pouco antes do crime, testemunhas viram um homem em uma motocicleta vermelha estacionada na esquina, que aparentava fotografar as pessoas reunidas à mesa. Imagens das câmeras do estabelecimento mostram Elyne sentada de costas para a rua. Um homem com blusa azul de mangas compridas, calça bege e capacete preto com boné vermelho virado para trás aproximou-se a pé, sacou uma arma e atirou duas vezes contra a parte de trás da cabeça da médica, que morreu imediatamente.
A Polícia Civil investiga o caso como possível feminicídio com emprego de pistolagem, ou seja, com a participação de uma terceira pessoa na execução. A corporação informou que o atirador já foi identificado e que diligências seguem em andamento para localizá-lo e prendê-lo. Equipes da Polícia Militar perseguiram o autor dos disparos após o crime, sem conseguir capturá-lo. A hipótese de que o crime tenha sido planejado e comandado pelo ex-companheiro da vítima está sendo aprofundada.
Elyne era servidora da prefeitura e atuava na Unidade de Saúde Dr. Ricardo Barbosa da Silva.
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