Ministro renuncia após dois acidentes com 115 mortos na Espanha
O ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, anunciou sua demissão nesta terça-feira (3), quase uma semana depois da tragédia ferroviária na qual pelo menos 69 pessoas perderam a vida no segundo acidente grave este ano nos trilhos do país.
"Quero informar a todos que não só renuncio ao meu cargo de ministro dos Transportes, como também renuncio a fazer parte das listas eleitorais" para as legislativas de 29 de novembro, afirmou Puente na parte final de uma longa intervenção na Comissão Representativa da Câmara dos Deputados.
O ministro, de quem a oposição pediu reiteradamente a demissão, tinha descartado deixar o cargo em várias ocasiões.
"Um ministro dos Transportes de um país como a Espanha não pode continuar no cargo com dois acidentes desta gravidade em menos de um ano. Por muito diferentes que sejam, e tenham ou não responsabilidade direta neles. É uma questão de dignidade política, de coerência e de empatia com as vítimas", assegurou o dirigente em sua última intervenção em uma longa audiência no órgão que representa a Câmara dos Deputados até a realização de novas eleições.
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Puente - considerado muito próximo do presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez - também estava à frente do ministério quando, em 18 de janeiro, dois trens de alta velocidade colidiram perto da cidade de Adamuz, na Andaluzia (sul), deixando 46 mortos.
O ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente
"Tomei a decisão sobre meu futuro nos primeiros minutos de ocorrida a tragédia, assim que tive conhecimento dela", afirmou, referindo-se ao segundo acidente, registrado na última quarta-feira na cidade de Urda, no centro do país.
Após o conselho de ministros desta terça-feira, Puente apresentou, em uma coletiva de imprensa, um "plano extraordinário para reforçar a segurança da alta velocidade", assim como uma série de ajudas para os sobreviventes e as famílias das vítimas.
Falha no sistema de controle ferroviário
A colisão entre dois trens de alta velocidade na Espanha, que deixou ao menos 68 pessoas mortas na quarta-feira (28/10), ocorreu por uma falha no sistema de controle ferroviário, segundo o governo espanhol.
O ministro dos Transportes, Oscar Puente, explicou em coletiva de imprensa que um problema de comunicação no computador de controle forçou a parada imediata dos trens. O erro, no entanto, se deu no momento da retomada das operações.
"A decisão de reiniciar a viagem do trem não foi tomada como deveria, em um ritmo que permitisse a sua parada. Um sinal vermelho estava em vigor, proibindo qualquer movimento adicional. Apesar disso, o trem da Renfe recebeu ordem para retomar sua viagem e prosseguiu até a colisão", declarou o ministro.
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