O Povo
04/11/2026 04:01

Senador republicano em disputa no Alasca acusa democratas de "fraude eleitoral"

Mundo

Caso seja derrotado, o resultado poderá contribuir para a perda da maioria republicana no Senado, atualmente controlada pelo presidente Donald Trump

Por AFP

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Atualizado às 23:11, 03/11/2026 | Publicado às 20:00, 03/11/2026

O senador americano Dan Sullivan, republicano do Alasca, faz campanha à beira de uma estrada no dia da votação, durante as eleições de meio de mandato
O senador americano Dan Sullivan, republicano do Alasca, faz campanha à beira de uma estrada no dia da votação, durante as eleições de meio de mandato Crédito: CHARLY TRIBALLEAU / AFP

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A poucas horas do encerramento da votação nas eleições legislativas dos Estados Unidos, o senador republicano pelo Alasca Dan Sullivan denunciou nesta terça-feira, 3, uma suposta "fraude eleitoral" cometida pelos democratas, que apresentaram um candidato com o mesmo nome que o seu.

"Estamos testemunhando o maior escândalo de fraude eleitoral da história do estado do Alasca, talvez um dos maiores da história do Senado americano", afirmou à imprensa o político de 61 anos.

As pesquisas o colocam em uma disputa acirrada com sua adversária democrata, Mary Peltola, nesse estado localizado no extremo noroeste do continente americano.

Caso seja derrotado, o resultado poderá contribuir para a perda da maioria republicana no Senado, atualmente controlada pelo presidente Donald Trump.

Há meses, os republicanos protestam contra a presença de outro Dan Sullivan na disputa eleitoral.

Trata-se de um professor aposentado, sem qualquer trajetória política, a quem chamam de "Dan, o candidato isca".

Na semana passada, o New York Times publicou uma extensa investigação mostrando que um consultor democrata ligado à campanha de Mary Peltola e uma organização nacional do partido recrutaram o candidato com o objetivo declarado de tirar votos do senador republicano.

Trump afirmou nesta terça-feira que o candidato democrata "está desaparecido" e que "ninguém consegue localizá-lo".

Esse tipo de manobra frequentemente é considerado legal nos Estados Unidos e, historicamente, já foi utilizado por ambos os partidos.

Mas as revelações caíram como uma bomba a poucos dias de uma eleição na qual Donald Trump intensifica os esforços para contestar os resultados caso seja derrotado.

"Infelizmente, o estratagema está funcionando", lamentou o senador Sullivan.

"O candidato isca está na cédula eleitoral. Milhares de moradores do Alasca provavelmente desperdiçarão seus votos por engano."

O governo Trump tentou contestar antecipadamente os resultados da votação, mas o pedido foi rejeitado por um juiz federal.

Entenda as midterms

As eleições de meio de mandato, ou "midterms" como são chamadas nos Estados Unidos, são de extrema importância para a política do país. Em meio a dificuldade da população com a alta do custo de vida, efeitos da politica comercial e guerra do Irã, os eleitores vão às urnas para definir seus novos representantes para o Congresso, Senado e para o legislativo de cada estado.

Nesse pleito também serão definidos os governadores de pelo menos 36 dos 50 estados norte americanos. Estados importantes como Geórgia, Michigan e Alasca tem seus governadores definidos.

Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes estão em disputa, ou seja uma renovação completa da Casa deve acontecer.

Para eleger os deputados, são contabilizados os votos distritais simples, com cada estado sendo dividido por distritos. Cada distrito elege um deputado, sendo validado pela maioria na região, quem tem maioria recebe todos os votos.

No Senado, estão em jogo 35 das 100 cadeiras, um terço das cadeiras. Das vagas, 33 vem do calendário regular de eleição, e duas, dos senadores que deixaram o cargo antes do termino do mandato. Marco Rubio, que era senador pela Flórida, deixou o cargo para assumir o Departamento de Estado, e JD Vance, eleito senador por Ohio, deixou a cadeira para assumir a vice-presidência dos EUA.

Para o resultado, os votos do Senado são contabilizados separadamente por cada estado, semelhante as eleições brasileiras. Votos diretos nos candidatos. No Senado, em tese, a maioria é composta por quem tiver 51 senadores.

Os democratas, com 47 assentos na Câmara Alta, têm chances de chegar a 51, com pesquisas que lhes dão possibilidades de tomar cadeiras dos republicanos em estados tradicionalmente conservadores como Maine, Alasca, Texas, Ohio e Kansas.

Algumas pesquisas chegaram a apontar uma vantagem do Partido Democrata para o Congresso e Senado, o que se se concretizar pode trazer uma adversidade para o governo Trump. Donald Trump, que é Republicano, perderia o controle do Poder Legislativo e começaria a ter dificuldade em aprovar projetos no Congresso. Na Câmara dos Representantes, é preciso ter pelo menos 218 cadeiras para ter o controle.

Impacto para o Brasil

As midterms também podem alterar o enredo de embate entre Brasil e Estados Unidos. O fortalecimento da oposição pode diminuir a liberdade do Executivo americano em relação ao governo brasileiro, incluindo a decisão de impor ou negociar altas tarifas comerciais e adotar posturas de confronto.

As eleições ocorrem nesta terça-feira, 3, mas no país é possível votar de forma antecipada, via correios. Segundo informações oficiais, pelo menos 20 milhões de pessoas votaram antecipadamente para as midterms.

Para chegar ao resultado pode levar até uma semana depois do inicio da apuração, mas alguns resultados já tem sido anunciados ainda nesta terça-feira, 3.

A definição nas urnas deve influenciar diretamente, e de forma antecipada, as eleições de 2028, que é quando os norte americanos irão decidir um representante para o cargo de presidente.

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