Em 115 anos, Câmara de Juazeiro do Norte só teve duas mulheres eleitas à presidência
Em dia de disputa pela nova Mesa Diretora, histórico de baixa representação feminina volta ao debate; na chapa já registrada, do vereador Capitão Vieira, nenhuma mulher concorre
Por Yasmin Ariadne/ Especial para O POVO
Notícia
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Atualizado às 16:27, 03/11/2026 | Publicado às 15:44, 03/11/2026
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Resumo
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Em 115 anos de história, a Câmara Municipal de Juazeiro do Norte elegeu apenas duas mulheres para a presidência: Solange Cruz, nos anos 90, e Yanne Brena, em 2023.
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A vereadora Yanne Brena teve sua trajetória tragicamente interrompida aos 26 anos, três meses após assumir a presidência, ao ser vítima de feminicídio.
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Como forma de homenagem e conscientização, o Memorial Yanne Brena e o anexo Beata Maria de Araújo foram inaugurados em 2024 para preservar a memória das mulheres vítimas de violência de gênero no Cariri.
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A despeito do debate sobre desigualdade de gênero no legislativo, a única chapa oficial registrada para a nova Mesa Diretora não conta com nenhuma mulher entre os candidatos aos cargos de direção.
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Embora a Professora PG tenha assumido a presidência interinamente em agosto, as regras da Casa não contabilizam gestões temporárias no histórico oficial de presidentes.
A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, instalada em 1911, só elegeu duas mulheres para presidir a Casa em 115 anos de história. A primeira foi a vereadora Solange Cruz, que presidiu a Câmara entre 1995 e 1996. A segunda, Yanny Brena (PL), tomou posse em janeiro de 2023 e morreu três meses depois, aos 26 anos, vítima de feminicídio praticado pelo então namorado, que também foi encontrado morto na mesma ocorrência.
Em 2024, a Câmara inaugurou, no Palácio Dr. Floro Bartolomeu da Costa, o Memorial Yanny Brena, pensado como espaço de memória da parlamentar e das mulheres do Cariri mortas por violência de gênero. Na mesma cerimônia, o novo anexo do prédio recebeu o nome de Beata Maria de Araújo.
A desigualdade volta ao centro do debate nesta terça-feira, 3, dia da eleição da nova Mesa Diretora. Até o início da sessão, a única chapa oficialmente registrada é a encabeçada pelo vereador Capitão Vieira (MDB), que não leva nenhuma mulher entre os candidatos aos cargos de direção. Uma segunda chapa está em articulação, mas ainda não foi formalizada.
O caso mais recente de vereadora à frente da Casa é o da Professora PG (Podemos), vice-presidente, que respondeu interinamente pela presidência em agosto deste ano, quando Felipe Vasques (PSDB) se licenciou para disputar vaga na Assembleia Legislativa do Ceará. Pelo critério adotado pela Câmara, no entanto, exercícios interinos não entram na contagem oficial de presidentes.
A atual legislatura, eleita em 2024, tem 21 cadeiras. A nova Mesa vai comandar os trabalhos nos próximos dois anos.
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