Gazeta do Povo
03/11/2026 23:56

Tesouro prevê dívida bruta em 89,7% do PIB em 2030 com pressão de juros elevados

Tesouro prevê dívida bruta em 89,7% do PIB em 2030 com pressão de juros

Tesouro projeta alívio gradual apenas após o fim da década, mas alerta que choques combinados podem levar endividamento além de 100% do PIB. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A dívida bruta do governo central pode continuar em ascensão, alcançando o pico de 89,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2030, em razão do descompasso entre o custo dos juros e o crescimento econômico do país. A estimativa consta na 8º Relatório de Riscos Fiscais da União (RRFU), divulgado nesta terça-feira (3), pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) do Ministério da Fazenda.

De acordo com o documento, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) deve encerrar 2026 em 83,7% do PIB — um avanço de 5,1 pontos percentuais em comparação ao final de 2025. A partir de 2030, o cenário indica uma reversão gradual, recuando para 86,3% do PIB ao final do horizonte de projeção, em 2036.

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) segue dinâmica semelhante: sobe de 71% em 2026 até o teto de 78,4% do PIB em 2030, recuando para 75,6% em 2036. O principal motor por trás do aumento do endividamento público no médio prazo é a conta de juros nominais. Entre 2026 e 2030, os juros devem adicionar, em média, 8,4 pontos percentuais do PIB ao ano à DBGG.

Em contrapartida, o crescimento da economia atua amortecendo parte desse avanço: o avanço do PIB nominal deve abater 6,0 pontos percentuais anuais da relação dívida/PIB — sendo 2,1 p.p. pelo crescimento do PIB real e 3,9 p.p. pelo efeito do deflator. 

Segundo o Tesouro, uma elevação de 1 ponto percentual ao ano na taxa Selic frente ao cenário base representaria um impacto fiscal acumulado de R$ 476 bilhões em despesas com juros entre 2027 e 2030.

O relatório enfatiza que uma trajetória sustentada de diminuição da relação entre a dívida e o PIB depende da continuidade de reformas estruturais voltadas à melhoria do ambiente de negócios e ao aumento da produtividade e do crescimento, com destaque para medidas que promovam a consolidação fiscal.

Com cenário adverso, projeção da dívida chega a 103,4% do PIB 

O relatório inclui simulações de estresse que combinam variações no PIB, nas taxas de juros e no resultado primário. Nas projeções com choques combinados (juros mais altos, menor crescimento e primário desfavorável), a DBGG alcançaria patamares superiores a 100% do PIB já a partir de 2033.

Em outro cenário, o Tesouro estima que, se o país enfrentar simultaneamente menor crescimento econômico (-0,5 p.p. ao ano), juros mais altos (+1 p.p. ao ano) e déficits primários (-0,5% do PIB ao ano), a dívida bruta pode saltar para 103,4% do PIB em 2036, situando-se 17,1 pontos percentuais acima do cenário central.

Por outro lado, uma melhora fiscal combinada a juros menores e aceleração da atividade econômica poderia reduzir a dívida para 71,3% do PIB no mesmo período.

Riscos fiscais

Além da dinâmica macroeconômica, a exposição total da União a riscos fiscais específicos atingiu R$ 4,87 trilhões em 2025. Entre os principais vetores de incerteza monitorados pela equipe econômica estão:

  • Passivos judiciais: o estoque de ações judiciais contra o governo (riscos provável e possível) atingiu R$ 2,18 trilhões em junho de 2026. A despesa efetiva com perdas judiciais e precatórios passou de 2,5% das despesas primárias em 2017 para uma projeção de 4,6% em 2026 (R$ 121,3 bilhões);
  • Estados e municípios: inadimplência e garantias de empréstimos concedidos a estados e municípios totalizaram R$ 1,21 trilhão até junho de 2026. A recente limitação ao pagamento de precatórios por estados e municípios (EC nº 136/2025) alivia o curto prazo, mas amplia o risco de a União ter de socorrer entes federativos no futuro.
  • Eventos climáticos e ambientais: o documento reforça que desastres naturais e secas aumentam a necessidade de créditos extraordinários e gastos de reconstrução de infraestrutura, com impactos fiscais adicionais de difícil previsibilidade.
📄 Contenido indexado automáticamente. No es de autoría de altabusqueda.com; los derechos pertenecen a su fuente: Gazeta do Povo.
Ver nota original ↗
🤖 Profundizá esta noticia con OIMA (IA)

¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?

Respuestas de OIMA · IA, sobre esta noticia · Abrir OIMA Chat ↗
💬 0

Comentarios

También te puede interesar

Copom interrompe ciclo de cortes e mantém Selic em 13,75%
Gazeta do Povo
Na primeira reunião após reeleição de Lula, Copom interrompe ciclo de cortes e mantém Selic em 13,75% ao ano.
Lei Rouanet registra recorde de propostas e capta R$ 1,67 bilhão em 2026
Gazeta do Povo
A Lei Rouanet recebeu 25,6 mil propostas em 2026 e registrou captação recorde de R$ 1,67 bilhão entre janeiro…
PL desafia Alcolumbre e lança Marinho para Senado
Gazeta do Povo
No programa Última Análise desta quarta-feira (04), os comentaristas falam a respeito do lançamento da candid…
As “midterms” e a derrota de Donald Trump
Gazeta do Povo
O norte-americano votou com o bolso nessas midterms, mas não foi apenas na economia que Donald Trump complico…
Trump defende secretário de Guerra, após especulações sobre possível demissão
Gazeta do Povo
Donald Trump defendeu nesta quarta-feira (4) o trabalho do secretário de Guerra, Pete Hegseth, e descartou qu…
Projeto do Sicoob transforma jovens em lideranças por meio do cooperativismo
Gazeta do Povo
Conheça o programa do Sicoob que ensina gestão, liderança e educação financeira para crianças e adolescentes …