Maior IVA do mundo preocupa empresários e paralisa investimentos

Sem alterações no Senado, alíquota do futuro IVA será de quase 28%, diz Ministério da Fazenda. (Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)
Há grande incerteza entre todos os empresários, dos micro aos grandes empresários, com a reforma tributária, porque todos estão vendo que o Brasil terá a maior carga tributária do mundo sobre o consumo. O ministro da Fazenda disse ter falado com Lula sobre a medida provisória do imposto seletivo, que o presidente ainda precisa enviar ao Congresso, e disse que as alíquotas serão menores que as propostas por Paulo Guedes – é incrível como esse pessoal não consegue tirar Bolsonaro e Paulo Guedes da cabeça. E essa incerteza deixa os investimentos parados, à espera do que vai ocorrer. O Paraguai está aguardando as empresas brasileiras, que cada vez mais vão para lá por causa dos tributos locais, bem menores que os brasileiros.
A continuação do governo Lula significa a continuação desse verdadeiro pavor de cortar gastos. Lula acha que gastar é progredir, faz o país crescer. Mas o que é gasto sai de algum lugar; como não existe mais maná, sai do bolso dos que pagam impostos, e por isso todos os que pagam impostos estão muito preocupados. Quem escolheu esse caminho é que deveria sustentar isso, mas no fim todos vão pagar – principalmente aqueles que não escolheram esse caminho, porque os outros vão receber o Bolsa Família, que resultou em milhões de votos. Esse é o esquema econômico que temos no Brasil.
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Ideia de André Lara Resende mostra que Lula 4 não deve seguir ortodoxia econômica
Vejo as pessoas comentando que o governo não vai aplicar, na economia, nada que seja baseado na realidade, nada que tenha sido inspirado – como foi o Plano Real – no meu parente Hjalmar Schacht, muito menos em Adam Smith, Friedrich Hayek ou Milton Friedman. Será que vão se inspirar em Dilson Funaro, ou Zélia Cardoso de Mello? Isso é um perigo, porque já foi tentado e resultou em desastre: inflação de 5.000% ao ano, 84% ao mês, maquininha mudando o preço durante o dia no supermercado. Muita gente não lembra disso e desconhece o perigo de sair de uma economia ortodoxa, de abandonar a lei de mercado, que é praticamente uma lei natural ou uma lei física.
Lula é um dos que não acreditam, que acham graça de se preocupar com dívida pública, acha que isso não é necessário. Mas dívida pública gera altos juros, e tabelar juros, como nessa ideia maluca de André Lara Resende, provavelmente levará a uma crise de crédito. E crise de crédito, lá pelas tantas, estoura. É como a Curva de Laffer: o governo vai cobrando cada vez mais imposto, até o empresário não produzir mais, não vender mais, e a arrecadação cai. O crédito pode cair, porque o juro é a remuneração do crédito; para haver crédito, tem de haver remuneração. Por isso os investidores brasileiros e estrangeiros estão aí, parados.
Só um BC autônomo consegue se contrapor a um governo de loucos
Eu estou gravando ainda sem saber o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. Lula não gosta da autonomia do BC, essencial para a saúde da moeda e do crédito, essencial para a saúde da economia, de todas as rendas, de todas as empresas, de todos os patrimônios, de todos os salários, de todos os preços. Se não entenderem isso, se acharem que é só empurrar com a barriga, vamos retornar à lei da selva também na economia – porque na segurança pública é o que já vivemos.

Alexandre Garcia
Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.
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