Economia04 de novembro de 2026Caicó recebe quatro alvarás para pesquisa de terras raras
Redação Tribuna do Norte • 04 de novembro de 2026 • 00h00

O município de Caicó, no Seridó potiguar, recebeu quatro alvarás da Agência Nacional de Mineração (ANM) para pesquisa de terras raras em uma área de aproximadamente 7,6 mil hectares. Concedidas à empresa RAJ Mineração Ltda., as autorizações permitem investigar o potencial mineral da região, mas não garantem a exploração comercial. A atividade de pesquisa, no entanto, também depende de licenciamento ambiental pelo órgão local. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema/RN) informou, no entanto, que ainda não recebeu solicitação de licença relacionada ao projeto.
Os alvarás foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) em 19 de outubro de 2026 e abrangem uma área total de 7.642 hectares no município. A autorização da ANM permite a realização de pesquisas minerais, o que pode envolver estudos geológicos, coleta de amostras, análises laboratoriais e sondagens para identificar a presença, a quantidade e a qualidade dos minérios.
Em nota, o Idema informou que a atividade de pesquisa mineral também depende de licenciamento ambiental. Para dar início ao processo, a empresa interessada deve apresentar documentos que caracterizem a área e descrevam as atividades previstas. Na etapa de coleta de material, também são exigidos estudos ambientais prévios, definidos conforme o porte e o potencial poluidor da atividade. Segundo o órgão, a definição de possíveis medidas mitigadoras ou compensatórias também depende desses critérios.
A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec) avalia que a eventual confirmação de depósitos de terras raras com potencial econômico poderá representar uma oportunidade de desenvolvimento para Caicó e outras localidades onde os projetos venham a ser implantados.
A pasta ressalta, entretanto, que a concessão dos alvarás não comprova a existência de reservas economicamente viáveis, mas apenas autoriza a realização de estudos para investigar a ocorrência e as características dos minerais.
Caso as pesquisas confirmem a existência dos depósitos e os estudos posteriores comprovem a viabilidade técnica, ambiental e econômica da exploração, os impactos poderão ser sentidos principalmente no longo prazo. Entre os possíveis benefícios estão a atração de investimentos, a geração de empregos diretos e indiretos, o fortalecimento do comércio e do setor de serviços e o aumento da arrecadação municipal e estadual.
“Trata-se de uma oportunidade que deve ser acompanhada com responsabilidade e visão de longo prazo”, afirma a Sedec. O órgão também destaca que a confirmação de um empreendimento viável poderá contribuir para diversificar a matriz mineral potiguar, ampliar as oportunidades de negócios e gerar benefícios socioeconômicos para a população, desde que sejam cumpridas as exigências ambientais e legais.
O geólogo Silas Samuel Costa, pesquisador em Geociências e especialista em patrimônio geológico e mineração explica que o Seridó potiguar está inserido em uma província metalogenética com diversidade de ocorrências minerais. Além das terras raras, ele cita elementos como lítio, nióbio e tântalo, também associados à transição energética.
“Existe uma reserva estratégica, hoje não sei se foi medida, mas existem relatórios do Serviço Geológico do Brasil que trazem esses dados com ocorrências, por enquanto só ocorrências, de minerais de terras raras, de lítio, também e outros minerais estratégicos para a transição energética”, afirma o geólogo.
Ainda de acordo com Silas, a viabilidade de um depósito depende da concentração dos elementos, da quantidade de material disponível e da possibilidade de separação e beneficiamento. Para isso, são realizadas sondagens e análises químicas, que permitem construir modelos tridimensionais das áreas pesquisadas.
Além dos aspectos geológicos, o especialista destaca que os custos de financiamento, as condições ambientais e fundiárias e a possibilidade de processamento do material também precisam ser considerados para determinar se a exploração é economicamente viável.
Apesar dos desafios, Silas Samuel Costa considera que o estado tem potencial para ampliar a produção de minerais estratégicos nas próximas décadas. Na avaliação dele, o cenário pode envolver diferentes frentes de lavra, em vez da instalação de uma única mina de grande porte.
“É bastante promissor. Nos próximos 20 anos, certamente no Rio Grande do Norte possa ser que tenha um grupo de minas, não só uma mina grande, um grupo de minas, um grupo de frentes de lavra, várias frentes de lavra em pegmatitos que possam estar produzindo minerais críticos”, projeta.
Terras Raras
Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão do governo federal responsável por avaliar o potencial mineral do país, Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica: 15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio), escândio e ítrio.
Apesar do nome, não são necessariamente raros na natureza, mas costumam estar dispersos, o que dificulta a exploração econômica. São essenciais para tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa.
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