Economia04 de novembro de 2026Comércio de Natal antecipa Black Friday mirando alta nas vendas
Redação Tribuna do Norte • 04 de novembro de 2026 • 00h00

Embora a Black Friday esteja marcada para o dia 27 de novembro, lojas da capital potiguar já antecipam as promoções numa tentativa de movimentar o comércio com antecedência. A estratégia, que tem se tornado cada vez mais comum, reflete uma mudança na forma como os lojistas aproveitam a data, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Natal, José Lucena.
“Essa antecipação tem sido um movimento crescente ano após ano. A Black Friday é uma data consolidada. O que vem mudando é a estratégia do lojista”, diz o presidente da CDL Natal.
Para ele, o comércio de Natal ampliou o conceito e vive uma “Black November”. “Antecipar as promoções para o início do mês é uma forma de diluir o fluxo nas lojas, dar mais conforto para o consumidor comprar com calma e, principalmente, gerar caixa com antecedência para o lojista se preparar para o Natal”, explica.
Ainda de acordo com José Lucena, cada estabelecimento define uma estratégia para se destacar. O comércio de rua tem uma vantagem que o e-commerce nacional não oferece: a entrega imediata, a negociação olho no olho, o relacionamento. Já os shoppings têm a força da experiência e da variedade, além de promover eventos atrelados à ação promocional.
As expectativas de lojistas ouvidos pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE nesta terça-feira (3) giram em torno de 18% a 20% de crescimento no faturamento a partir de vendas da Black em 2026, na comparação com 2025.
Na loja de perfumes e cosméticos American News, no shopping Midway Mall, a expectativa é positiva, e o planejamento das ações envolveu pesquisa. Clara Moreira, promotora de vendas no estabelecimento, conta que a equipe realizou pesquisa junto aos clientes e se reuniu com grandes marcas para alinhar descontos “bem agressivos” que chegam a 60%.
“Sempre damos o ‘esquenta’ para ter o termômetro, mas estamos bem otimistas com o consumidor deste ano. A Black Friday virou o novo dezembro. Nossa expectativa é a cada ano crescer 20%”, afirma a promotora.
No Midway Mall, a expectativa para a Black Friday é de alta nas vendas entre 5% e 10% no comparativo com 2025. “Estamos incentivando os lojistas a aderirem a ações promocionais que sejam boas para o negócio e para o cliente, com ofertas de verdade, e que tenham corpo para atender demandas que vão além do dia D, o dia 27. A nossa ação vai ser durante os três dias: sexta, sábado e domingo”, diz Felipe Furtado, superintendente do shopping.
A Crosby, por exemplo, começou a ação na última semana de outubro e oferece descontos de até 70%. Arthur Santos, vendedor, afirma que o motivo de antecipar a Black Friday é “dar um choque no comércio”.
“A partir do momento que você dispara uma promoção com essa agressividade, o cliente meio que [recebe] um ‘choque’. Por isso, a gente sempre ativa essas promoções antes do tempo”.
A estratégia é captar esses clientes e se adiantar em relação à concorrência. “As peças que estão selecionadas não são peças de ponta de estoque, elas têm uma saída interessante. São peças de qualidade”, diz Arthur Santos.
Larissa Arruda, gerente de Atendimento e Serviços da Ferreira Costa, conta que a empresa se antecipou em mais de 50 dias. “Essa Black não começa em novembro. Os preparativos já vêm desde antes, para conseguirmos, inclusive, ter estoque de produtos suficientes para se adequar à necessidade dos nossos clientes. A nossa Black iniciou no dia 15 de outubro”, explica.
A empresa trabalha com diversas ações promocionais, como promoções relâmpago e a data dupla (11/11). A expectativa é aumentar o faturamento em 18% na comparação com 2025, com descontos de até 50%. Para comportar a demanda da Black e o período de fim de ano, a empresa contratou 40 pessoas nas vagas sazonais.
Quanto a antecipar, Larissa Arruda diz que a estratégia permite que diversos segmentos da loja tenham descontos “de Black Friday”. “Nem sempre os produtos que estão na Black são os produtos que o cliente procura. Às vezes o cliente está procurando antes reformar a sua casa. E, na fase da Black, ele quer só decorar”, exemplifica.
Gerliane Dias, vendedora responsável na Stomp, diz que a loja estruturou uma prévia de Black Friday com itens que estavam parados. “A intenção é antecipar. Para chamar o cliente, a gente deu uns descontos bem progressivos, de 10% até 50%. E começamos a chamar. E a clientela começou a vir”, diz.
Na avaliação de José Lucena, o consumidor natalense hoje enxerga a Black Friday como uma data de descontos reais. “O consumidor está cada vez mais informado, ele pesquisa, compara preço no celular na hora, dentro da loja mesmo. Quem tenta enganar o consumidor na Black Friday, perde o cliente”, diz.
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