Victor Ostetti/MidiaNews MORTE EM CIRURGIA PLÁSTICA Família suspeita de erro médico; DHPP pede imagens de hospital 0
Familiares de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, que morreu durante uma cirurgia plástica em Cuiabá, suspeitam que tenha ocorrido erro médico no procedimento. A informação foi confirmada pelo delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação do caso.
Ao MidiaNews, nesta terça-feira (3), o delegado afirmou que ele e sua equipe, acompanhados por peritos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), devem recolher ainda hoje imagens do hospital onde a jovem foi operada.
Lurdes morreu no dia 16 de outubro, após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante uma cirurgia de lipoescultura e colocação de próteses mamárias, realizada pelo médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, no Hospital Geral e Maternidade, na Capital.
Segundo Nilson Farias, a investigação está na fase de coleta de depoimentos e análise dos materiais reunidos. Alguns familiares já foram ouvidos e relataram acreditar que houve falha médica no procedimento.
O delegado informou que o médico ainda não prestou depoimento. A oitiva, segundo ele, ocorrerá em uma etapa posterior, quando houver maior "amadurecimento das investigações".
Reprodução

O médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, responsável pela cirurgia de Lurdes Maria
Além das circunstâncias da morte, a Polícia Civil apura a formação profissional de Euller, que não possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica e não concluiu residência médica na especialidade.
O médico, por sua vez, afirma que sua formação profissional o habilita a realizar os procedimentos.
A investigação aguarda os resultados dos exames periciais, incluindo análises histopatológicas e toxicológicas, para esclarecer a causa da parada cardiorrespiratória e verificar se houve alguma falha durante a cirurgia.
Morte durante cirurgia
Lurdes morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante o procedimento estético. Na ocasião, o médico afirmou que a complicação ocorreu próximo ao fim da cirurgia e que a equipe tentou reanimá-la por mais de duas horas, mas sem sucesso.
O caso foi inicialmente registrado como morte a esclarecer, já que ainda não há elementos suficientes para determinar a causa do óbito.
Após a repercussão, Euller publicou um vídeo nas redes sociais em que reconheceu não possuir RQE em cirurgia plástica, mas defendeu sua qualificação profissional.
"Eu não fiz residência médica, eu fiz pós-graduação, que é um dos muitos caminhos de formação do médico, mas não sou desabilitado a fazer qualquer tipo de cirurgia. Toda a minha formação me habilita a fazer as cirurgias que eu venho fazendo", declarou.
O médico também afirmou que suas pacientes tinham conhecimento de sua formação.
"Eu realmente não tenho RQE. A gente aguarda o laudo do IML e uma coisa que eu tenho certeza que não virá no laudo é que a causa mortis dessa paciente foi por conta da ausência do RQE", disse.
Na ocasião, a defesa informou que Lurdes havia passado por avaliações pré-operatórias e que o procedimento foi realizado em ambiente hospitalar, com equipe qualificada.
Segundo o advogado, uma complicação súbita foi identificada durante a cirurgia, que acabou interrompida para o início das manobras de reanimação.
Condenação e outras denúncias
Em 2025, Euller foi condenado a pagar R$ 42,1 mil a uma paciente de Várzea Grande por danos materiais, morais e estéticos decorrentes de um procedimento malsucedido.
A decisão foi proferida pelo juiz Wladys Roberto Freire do Amaral, da 3ª Vara Cível, e também atingiu a empresa Gonçalves Preza – Serviços de Assistência à Saúde Ltda., responsável pela Clínica Bio Belle.
O médico ainda responde a outras ações movidas por pacientes que relatam complicações e resultados insatisfatórios após procedimentos estéticos.
Em 2023, ele também foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) por suspeita de integrar uma organização criminosa investigada por fraudes milionárias em contratos de serviços médicos em Mato Grosso.
Após a morte de Lurdes, uma confusão envolvendo familiares da paciente e o médico foi registrada no hospital. A Polícia Militar foi acionada, e Euller relatou ter sido agredido e ameaçado de morte por parentes da jovem.
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