OPINIÃOAh, como eu amei… Eu era feliz, era a vida, minha espera Acabou… Benito de Paula
Walber Aguiar*
Vivemos enclausurados do berço à sepultura, do simples ao absurdamente complexo. E quão complexo o existir humano. Daí a sebe que nos cerca entre a felicidade e a esperança. Afinal, tomamos a felicidade como um conceito de algo amplo e profundo, ou talvez com momentos de alegria.
Por outro lado confundimos esperança com comodismo ou nos agarramos a tábuas de salvação nesse grande alagamento existencial, pensando demais num futuro que não chega e ainda traz bocados substanciais de ansiedade.
Benito de Paula cantava a ambos. Experimentou a felicidade em dias de glória, com casa cheia e aplausos efervescentes. Casa cheia, coração vazio, desejou que fosse o contrário, pois conhecia muito bem a natureza humana , sua estranheza e complexidade.
Esperou como nunca, com seus oitenta e quatro anos bem ou mal vividos, pois, ainda que esperasse contra a esperança, percebeu que seu peito carregava mais que um conceito de felicidade; pelo contrário, carregava a própria felicidade, marcada pela essencialidade daquilo que compunha e cantava.
Ser feliz exigiu dele tempos de dor e isolamento , como, no geral, acontece com os artistas; gente que experimenta oscilações de profundo amor e indiferença, enormes doses de frustração e satisfação pelo reconhecimento .
Entre sambas de amor feitos com pitadas de tristeza, ele mereceu a passarela e o brilho dos spots, o céu e o inferno do glamour, conquistado com talento e dedicação.
Ele foi feliz e sabia que era. Diferente de muitos de nós, que além de não sermos felizes tantas vezes, ainda perdemos o conceito básico de felicidade.
Ainda podemos construir o amanhã, fazendo a hora e não esperando acontecer. Benito construiu o caminho por ele pisado. Agora sua espera acabou…
*poeta, historiador, professor de filosofia, mestre em Letras, membro da Academia Roraimense de Letras e da ALACA – Academia de Letras Arte e Cultura da Amazônia ,
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