Democratas retomam o controle do Congresso e impõem derrota histórica a Trump
Por Jordi ZAMORA, com os corresponsales da AFP nos Estados Unidos
Notícia
Usada para todas matérias e reportagens que retratem fatos ou descrevam situações. Matéria baseada em fatos observados e verificados pelo repórter com fontes diversas. Notícias não possuem a opinião do repórter. Quando há análise, deve haver as duas definições: notícia e análise.
Publicado às 06:00, 04/11/2026
Compartilhe esse conteúdo!
Compartilhe também nas redes sociais:
Os democratas conquistam uma vitória avassaladora na terça-feira (3) nos Estados Unidos e retomaram o controle do Congresso, um revés humilhante para Donald Trump, que compromete os últimos dois anos de sua presidência.
A oposição conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, com vitórias na Carolina do Norte, Carolina do Sul, Ohio e em redutos republicanos como Texas, Iowa e Kansas, estado em que os democratas não venciam uma disputa para o Senado desde 1932.
Os democratas prometem abrir investigações sobre o presidente, sua família e seu governo, assim como sobre a conveniência de continuar financiando a guerra no Irã.
"Em vitórias avassaladoras e decisivas, o povo americano repudiou a depravação, a corrupção e a incompetência do fracassado presidente 'pato manco' (expressão em inglês para definir um governante em fim de mandato) Donald J. Trump", disse Ossoff em um discurso enérgico a seus apoiadores após vencer a reeleição no estado sulista da Geórgia.
Trump reconheceu a derrota, em uma conversa com jornalistas do New York Times durante a sombria noite eleitoral.
"Estou absolutamente disposto a aceitar estes resultados", declarou, segundo o jornal. "Acho que os democratas fizeram um bom trabalho, realmente acho", afirmou o mandatário de 80 anos em entrevista ao canal Fox News, em tom conciliador. "Eles lutaram de maneira dura".
Quando as projeções começaram a apontar a vitória democrata, Trump se desvinculou da derrota republicana e escreveu nas redes sociais: "Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido de maneira AVASSALADORA!".
Apesar de reconhecer a derrota, Trump postou nas redes sociais um boné vermelho com a palavra "VETO", em referência à sua capacidade de vetar projetos de lei aprovados pela maioria democrata.
- Marcos eleitorais -
Em seus dois primeiros anos de mandato, Trump lançou campanhas militares de sucesso desigual na Venezuela e no Irã, determinou cortes de impostos e assinou dezenas de decretos presidenciais.
Ele admitiu que o conflito com o Irã pode ter contribuído para a derrota de seu partido, mas defendeu a ação militar.
Após a divulgação dos resultados, o principal negociador iraniano nos diálogos com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que os americanos votaram "NÃO À GUERRA".
O resultado nas urnas reflete ainda preocupações com o custo de vida, diante do aumento dos preços dos combustíveis e dos preços dos alimentos.
No clima de insatisfação dos eleitores americanos, o Partido Democrata venceu em redutos republicanos.
No Texas, James Talarico, um pastor presbiteriano, chegou ao Senado com uma vitória esmagadora sobre Ken Paxton, candidato apoiado de maneira entusiasmada por Trump. No mesmo estado, Gina Hinojosa derrotou Gregg Abbott, o republicano que tentava a reeleição para o governo.
No Kansas, Adam Hamilton tornou-se o primeiro democrata a ser eleito para o Senado pelo estado desde 1932, enquanto Iowa escolheu seu primeiro senador democrata desde 2008.
E em Michigan, Abdul El Sayed reivindicou a vitória em uma disputa acirrada que o tornaria o primeiro muçulmano eleito para o Senado.
Sinal de uma mudança decisiva no horizonte político, os republicanos eleitos conquistaram suas vitórias com margens muito menores que em disputas anteriores.
O governador eleito da Flórida, Byron Donalds, o primeiro negro que administrará o estado sulista e solidamente republicano, venceu com uma vantagem de apenas 1,5 ponto. Há quatro anos, seu antecessor Ron DeSantis derrotou o rival democrata com 20 pontos percentuais de diferença.
- "MAGA em fuga" -
Hakeem Jeffries, líder da bancada democrata que deve assumir o posto de presidente da Câmara dos Representantes, disse em um vídeo que "os extremistas MAGA estão em fuga de uma costa a outra. Donald Trump está abalado neste momento".
Ele prometeu um trabalho ambicioso no Legislativo, focado na questão do poder aquisitivo, uma das principais queixas do eleitorado.
"As pessoas no Texas sofrem com os preços da gasolina, da crise dos alimentos e da saúde", disse Kathy Jackoway, que comemorava a vitória de Talarico.
"É uma grande vitória para o Texas, mas também é um triunfo gigante para os Estados Unidos ter James Talarico no Senado para tentar controlar este governo que está fora de controle. Todos sofrem (...) e Trump está ocupado construindo monumentos para ele mesmo", disse a eleitora à AFP.
Em Atlanta, Gracie Surface disse que votou em Ossoff, uma das promessas do Partido Democrata, porque a política americana precisa de "sangue novo".
jz-bur/atm/pr/fp
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
