EM PAUTA Do Carnaval ao WhatsApp: Casa Dez faz 79% das vendas pelo aplicativo
Tudo começou com uma dificuldade aparentemente simples: faltava quem vendesse bebidas nos blocos de Carnaval. Nos anos 1990, quando as festas ganhavam força no País, Marcos Gordilho percebeu a oportunidade e começou a montar uma operação para atender a demanda. Primeiro, vieram os ambulantes circulando entre os foliões. Depois, os carrinhos de bebidas, que, segundo ele, chegaram a dobrar o faturamento das vendas nos blocos. Nascia ali a trajetória da Casa Dez, construída a partir de soluções para problemas que o próprio mercado ainda não havia resolvido.
A experiência nas festas abriu caminho para mais mudanças. Marcos percebeu, por exemplo, que muitas distribuidoras fechavam no Carnaval, justamente quando a procura por bebidas aumentava. Aos poucos, a empresa ampliou a atuação e fortaleceu a relação com o consumidor final. Mas foi durante a pandemia que a aproximação ganhou impulso. Com o crescimento do interesse por vinhos, a Casa Dez passou a trabalhar mais intensamente com o produto e investiu na abertura de lojas.
Tudo sobre Em Pauta em primeira mão!O movimento acompanhava o comportamento dos clientes. Após o isolamento, as pessoas queriam visitar estabelecimentos e viver experiências fora de casa. A procura pelas lojas cresceu, mas a fase não durou. Com o tempo, a conveniência das compras digitais ganhou espaço, e os consumidores passaram a recorrer cada vez mais ao celular.
“As transformações estão muito rápidas, se o empresário não estiver antenado, está morto”, diz Marcos.
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A Casa Dez deixou uma grande operação em Lauro de Freitas, onde funcionavam três galpões e trabalhavam quase 50 pessoas, e transferiu a base logística para a loja principal, na Ceasinha. O quadro de funcionários foi reduzido a menos de 20. “Muitas pessoas perderam emprego, mas foi questão de sobrevivência”, explica. A mudança envolveu não apenas reduzir despesas, mas reorganizar equipes e fazer boa parte do atendimento à distância.
Uma experiência na Linha Verde ajudou a dimensionar o alcance da transformação. Em março de 2026, Marcos decidiu fechar uma loja que custava cerca de R$ 13 mil mensais em aluguel e condomínio, cujo movimento se concentrava no verão. A operação passou a funcionar pelo WhatsApp, com apenas um funcionário, que trabalha de casa. O resultado superou expectativas:
“Hoje, a loja vende mais do que com a loja física”. Além da economia, a mudança mostrou que a relação construída com os clientes podia continuar online.
A Casa Dez ampliou a importação direta de bebidas, a preços mais acessíveis. Quase 30 anos depois dos primeiros ambulantes nos blocos, Marcos ainda aprende a lidar com as novidades. Este ano, passou a estudar a IA e utilizá-la na produção de conteúdo. “Eu me debrucei desde abril nessa parte de IA e fico impressionado”.
O desafio agora é acompanhar a velocidade das transformações sem perder a confiança construída com os clientes. Na Casa Dez, essa mudança levou boa parte das negociações para o ambiente digital. Atualmente, 79% das vendas são realizadas pelo WhatsApp, canal pelo qual os consumidores podem pedir orientações, receber sugestões de produtos, efetuar pagamentos e solicitar entregas.
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