2026 e 2030

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, era o candidato preferido pela nossa chamada direita.
Sabe por que não foi? Porque faltava-lhe sobrenome, posto que, para o chefão do clã Bolsonaro, sempre prevaleceu a máxima “farinha pouca, meu pirão primeiro”. A propósito, o candidato preferido do ex-presidente Jair Bolsonaro, em princípio, era o seu filho Eduardo, mas, como o mesmo se encontra foragido nos EUA e inelegível, chegou a ser especulado o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e, por derradeiro, o nome do seu filho 01, Flávio Bolsonaro.
E em 2030, qual será a candidatura do atual governador de São Paulo? Até porque, se for reeleito governador, não poderá mais concorrer a uma nova reeleição. Porém, se Flávio Bolsonaro não vier a se eleger, mas obtiver uma votação expressiva, superior a 49% dos votos, embora venha dizendo que é contra a reeleição dos nossos presidentes, jamais deixará de ser candidato.
Para o governador Tarcísio de Freitas, seria de todo o seu interesse que Flávio Bolsonaro não fosse candidato, e, mais ainda, não ter que concorrer com a candidatura de Lula, já que este se encontrará inelegível e com sua idade se aproximando dos 90 anos — diga-se de passagem, um sério obstáculo, ainda que o presidente Lula afirme que viverá 120 anos.
Se Flávio Bolsonaro for eleito nas próximas eleições e fizer uma gestão que seja razoável ou boa, sua reeleição será bastante previsível. Isto porque, a despeito dos seus anos de sucesso eleitoral, o presidente Lula não cuidou de construir um sucessor à altura de substituí-lo, ainda que, em nome do lulismo, Fernando Haddad tenha sido seu candidato.
De mais a mais, a próxima gestão presidencial será a mais complexa e desafiadora da nossa história, sobretudo no que diz respeito às nossas questões de natureza fiscal, em razão do nosso endividamento público, que já está superando a marca dos R$ 10 trilhões de reais, ou seja, mais de 81% do nosso PIB (Produto Interno Bruto).
Não apenas para aquele que vier a se eleger nosso futuro presidente, os anos de 2027 a 2030 serão decisivos para o futuro do nosso país. Afinal de contas, o eleito não disporá de nenhum sacos de bondades a ser aberto e, em contrapartida, será forçado a promover tesouradas sucessivas, uma atrás da outra, e quem sabe até nos nossos próprios programas sociais — entre eles, o Bolsa Família, o Farmácia Popular, o Pé-de-Meia e o reajuste do salário mínimo acima da inflação do ano anterior.
De uma coisa tenhamos a mais absoluta certeza: caso a nossa polarização continue no mesmo estilo em que se deu no curso do terceiro mandato do presidente Lula, chegaremos ao ano de 2030 numa situação ainda pior do que a que foi encontrada nas eleições de 2026.
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